Marcus Rashford, aos 27 anos, chega ao Barcelona com uma bagagem pesada — e não estamos falando de títulos ou boas atuações recentes, mas sim de um desgaste que ficou evidente nos últimos tempos no Manchester United. Depois de anos sendo tratado como o “menino de ouro” dos Red Devils, Rashford acabou saindo pela porta dos fundos de Old Trafford. Mas isso não quer dizer que o jogador inglês esteja acabado. Pelo contrário. O Barça pode ser o cenário ideal para a virada que ele tanto precisa. E, para isso, basta olhar para o que aconteceu com Pierre-Emerick Aubameyang.
Quando Auba chegou ao Barça, em janeiro de 2022, o clima era bem parecido. O atacante gabonês tinha sido praticamente escanteado por Mikel Arteta no Arsenal. Sem espaço, desacreditado e com a moral lá embaixo, ele veio para o Barcelona com o passe livre, após rescindir com os Gunners. Muita gente achou que seria só mais uma contratação sem muito impacto, mas a verdade é que Aubameyang explodiu. Em apenas sete meses no clube catalão, marcou 13 gols em 24 jogos, incluindo um doblete no clássico contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu — o famoso 4 a 0 que sacudiu a temporada culé.
E não foi só em campo que Auba deu retorno. O Barça ainda conseguiu vender o atacante por 12 milhões de euros ao Chelsea pouco tempo depois, transformando uma aposta em lucro esportivo e financeiro. Um baita negócio.
Negócio de baixo risco para o Barça
Rashford, claro, chega com uma história e características diferentes. Mas também chega em condições bem favoráveis para o Barcelona. Primeiro, porque o clube conseguiu a sua contratação por empréstimo — o que já reduz os riscos. Segundo, porque o próprio Rashford aceitou reduzir 25% do seu salário para viabilizar a negociação, o que mostra que ele está afim de virar essa página. E, por fim, porque o Barça ainda colocou uma opção de compra de apenas 30 milhões de euros. Num mercado inflacionado, isso é uma pechincha por um atacante que, mesmo em má fase, ainda tem muito a entregar e completa 28 anos só no fim da temporada.
O histórico recente mostra que esse tipo de negócio pode dar certo no Barça. Além do exemplo de Aubameyang, dá pra lembrar de outros casos mais recentes, como o de João Félix. O português, assim como Rashford, também abriu mão de parte do seu salário para jogar no clube catalão na temporada 2023/24. Não teve o mesmo brilho de Auba, mas foi um bom reforço para Xavi, principalmente como peça de reposição. Félix terminou o ano com 10 gols e 6 assistências em 44 jogos. Foi útil, mesmo sem ser um craque em todos os jogos.
Outro nome que vale citar nesse contexto é o de João Cancelo. Também emprestado, no caso pelo Manchester City, ele foi um dos destaques do time na última temporada. Atuando tanto na lateral quanto mais avançado, Cancelo entregou regularidade, liderança e versatilidade. O problema, no caso dele, foi o pós-temporada: o Barça até queria mantê-lo, mas as exigências financeiras do City foram altas demais, e Cancelo acabou indo para o Al-Hilal, da Arábia Saudita.
O desafio mental de Rashford
Voltando ao Rashford, o que pega é o lado mental. Dentro de campo, ele tem velocidade, explosão e um bom chute, especialmente quando parte da esquerda para dentro. Mas nos últimos tempos, a cabeça pareceu pesar. Críticas da torcida, cobranças internas e até problemas fora do campo impactaram seu desempenho. No United, ele se tornou uma figura marcada, como se fosse o símbolo do fracasso recente do clube. E isso, querendo ou não, mina qualquer jogador.
No Barcelona, a história pode ser diferente. O ambiente é outro, a exigência também — ainda que o clube viva um processo de reconstrução, há espaço para jogadores com fome de recomeçar. Além disso, Rashford terá menos pressão de ser “o cara”, já que o elenco conta com nomes como Lewandowski, Lamine Yamal, Raphinha e Pedri. Ele pode entrar aos poucos, se adaptar, e retomar a confiança. E se conseguir reencontrar o futebol que mostrou principalmente nas temporadas 2019/20 e 2022/23, o Barça terá um reforço de peso.
Outro ponto interessante é que o estilo do Rashford casa com a proposta ofensiva do time. Ele gosta de atacar espaço, tem bom poder de finalização e é inteligente na movimentação. Com bons passadores ao redor — como Gundogan, Pedri e até Frenkie de Jong —, ele pode receber a bola em boas condições, algo que faltou bastante no United.
Hora de agarrar a oportunidade
No fim das contas, o sucesso de Rashford no Barça vai depender dele mesmo. O clube oferece a estrutura, o alívio da pressão inglesa e a chance de mostrar serviço num gigante europeu. Cabe a ele aproveitar esse momento. E se quiser se inspirar em alguém, é só lembrar de Aubameyang: desacreditado, chutado do antigo clube, chegou com pouca badalação e saiu como herói. Quem sabe Rashford não segue o mesmo caminho?
O futebol é cheio dessas voltas por cima. E às vezes, tudo o que um jogador precisa é de um novo lugar, um novo técnico, e um pouco mais de confiança. Rashford tem talento de sobra. Agora, tem também a chance perfeita. Vamos ver se ele agarra.