Futebol La Liga

Real Madrid bate Barcelona, aumenta vantagem na liderança de La Liga e quebra tabu contra o rival

Depois de quatro derrotas consecutivas no El Clásicos, o Real Madrid finalmente reencontrou o caminho da vitória diante de seu maior rival. No Santiago Bernabéu, o time comandado por Xabi Alonso foi intenso, maduro e letal nas decisões, superando o Barcelona por 2 a 1 em um duelo que reafirmou a força merengue nesta temporada.

O triunfo levou o Real Madrid a 27 pontos, abrindo cinco de vantagem para os catalães e consolidando a liderança de La Liga. Em seu primeiro clássico à frente do time, Xabi mostrou personalidade tática e conduziu uma atuação sólida, que combinou pressão alta, compactação e transições rápidas.

O jogo

O jogo começou a mil por hora, com o Real Madrid imprimindo o ritmo que Xabi Alonso tanto prega: intensidade e verticalidade. Logo aos dois minutos, Vinícius Júnior partiu pela esquerda, invadiu a área e caiu após dividida com Lamine Yamal. O árbitro marcou pênalti de imediato, mas voltou atrás após revisão no VAR, gerando reclamações dos merengues. Pouco depois, Mbappé chegou a abrir o placar após interceptar uma saída errada do Barcelona, mas novamente o VAR entrou em ação para anular o lance por impedimento milimétrico.

As frustrações iniciais não abalaram o Real Madrid, que manteve o controle da posse e a pressão coordenada no campo ofensivo. A recompensa veio aos 22 minutos: Bellingham recebeu entre as linhas, girou sobre Gavi e abriu para Mbappé, que, desta vez em posição legal, avançou e tocou com frieza na saída de Szczesny para fazer 1 a 0. O gol deu ainda mais confiança aos donos da casa, que seguiram dominando o meio-campo, com Camavinga e Valverde impondo força e intensidade na marcação. Vinícius teve duas boas chances para ampliar, mas parou no goleiro polonês.

Mesmo acuado, o Barcelona mostrou poder de reação e conseguiu o empate no fim do primeiro tempo. Aos 38 minutos, Arda Güler se complicou na saída de bola, Rashford recuperou pela esquerda e cruzou para Fermín López, que apareceu livre na área e completou para o fundo da rede. O gol esfriou o ritmo merengue, mas não evitou o gol

Nos minutos finais do primeiro tempo, após cruzamento pela esquerda, Eder Militão cabeceou para o meio da área e achou Bellingham livre para tocar para o gol vazio e colocar os merengues à frente novamente.

O começo do segundo tempo foi melhor para o Real Madrid, que teve a chance de aumentar a vantagem. Bellingham foi derrubado na área após cruzamento desviado no braço de Eric García, e o VAR novamente interveio, desta vez confirmando o pênalti. Na cobrança, porém, Mbappé parou em Szczesny, que acertou o canto e manteve o jogo aberto.

Mesmo com a chance desperdiçada, o Real Madrid manteve o controle e reduziu os espaços do rival. Xabi Alonso ordenou um leve recuo das linhas, apostando na transição e na compactação.

A estratégia funcionou: o Barcelona teve mais posse — chegou a 70% em determinado momento —, mas sem objetividade. O trio Gavi, Pedri e Frenkie de Jong trocava passes horizontais sem conseguir penetrar na bem postada defesa madrilenha. Lamine Yamal, aposta ofensiva catalã, foi neutralizado e teve atuação discreta, sem conseguir desequilibrar pelos lados.

A reta final do jogo foi marcada pela inteligência coletiva do Real Madrid. Mesmo com menos posse, a equipe controlou os espaços e criou as melhores oportunidades. Bellingham chegou a marcar o terceiro, mas o lance foi anulado por impedimento de Brahim Díaz na origem da jogada. Já nos acréscimos, Pedri, irritado e fora de ritmo, acabou expulso após falta dura em Camavinga, simbolizando o descontrole do Barcelona no fim do clássico.

O toque de Xabi Alonso traz equilíbrio ao Real Madrid no El Clasico

A grande virtude do Real Madrid neste clássico foi a harmonia entre intensidade e organização. Xabi Alonso montou o time em um 4-1-4-1 fluido, com Valverde e Camavinga garantindo equilíbrio no meio, enquanto Bellingham atuava com liberdade para romper linhas e apoiar Mbappé e Vinícius. A ideia de pressionar alto logo após a perda da bola foi essencial para sufocar o Barcelona e impedir que os catalães construíssem desde trás — algo que o time de Xavi sempre buscou como identidade.

Mbappé, por sua vez, viveu um jogo ambíguo: desperdiçou um pênalti que poderia ter decidido a partida, mas foi decisivo no primeiro gol e constante na criação de jogadas. Já Vinícius mostrou maturidade, mais coletivo e participativo, alternando diagonais e passes rápidos. O Real também foi mais competitivo nas segundas bolas, algo que havia faltado nos últimos clássicos.

Na defesa, a dupla Militão e Huinjsen fez partida segura, neutralizando as tentativas de infiltração de Fermín. Carreras, pela esquerda, teve desempenho notável, vencendo quase todos os duelos diretos com Yamal.

O Barcelona, apesar da maior posse de bola, mostrou dificuldade em transformar domínio territorial em perigo real. O excesso de passes laterais e a ausência de profundidade pelos lados tornaram o time previsível. Flick tentou variar o sistema, alternando entre 4-3-3 e 3-4-3, mas nenhuma das formações encontrou soluções. A transição defensiva seguiu vulnerável, especialmente nas costas dos laterais, e o time voltou a sofrer com erros individuais — como o de Güler no lance do primeiro gol do Real.

Além do aspecto tático, faltou concentração e liderança. Jogadores experientes como De Jong e Pedri não conseguiram assumir o protagonismo necessário em momentos de pressão. O cartão vermelho de Pedri, já nos acréscimos, expôs a frustração e a instabilidade emocional da equipe catalã, que novamente mostrou dificuldade em reagir a cenários adversos.

O triunfo no Bernabéu simboliza mais do que três pontos — representa a retomada da autoridade do Real Madrid em grandes jogos. O time foi intenso, confiante e disciplinado, demonstrando total assimilação das ideias de Xabi Alonso, que estreia em El Clásico com uma vitória que pode marcar o início de uma nova era.

(Foto: Javier Soriano/AFP)