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Real Madrid sofre com avalanche de lesões e vive crise sem fim na temporada; veja

O Real Madrid vive mais uma temporada marcada por um problema que já deixou de ser pontual para virar padrão: as lesões. O sentimento dentro do clube é claro, quase um desabafo coletivo. Em Valdebebas, a frase que mais se ouve nos bastidores resume bem o cenário: “assim é impossível”. E não é exagero. Os novos problemas físicos de Éder Militão e Kylian Mbappé só reforçam uma crise que já vinha se arrastando ao longo de toda a temporada.

Logo no início do ano, o clube tentou agir. Antes mesmo de mexer no comando técnico, houve uma mudança no departamento médico com a chegada de Niko Mihic. A ideia era clara: frear o número absurdo de lesões que vinha comprometendo o desempenho da equipe. Poucos dias depois, a saída de Xabi Alonso do comando técnico mostrava que o problema ia além das quatro linhas. Ainda assim, mesmo com ajustes internos, o cenário não melhorou.

Crise física vira rotina no Real Madrid

O caso mais grave recente é o de Militão. O zagueiro brasileiro sofreu uma lesão muscular no bíceps femoral da perna esquerda e precisará passar por cirurgia. A previsão de recuperação gira em torno de cinco meses, o que praticamente o tira do restante da temporada e ainda compromete o início da próxima. Mais preocupante do que o tempo fora é o histórico: será a terceira cirurgia em quatro anos. Isso acende um alerta real sobre até que ponto o defensor conseguirá manter alto nível competitivo.

Os números assustam. Nas últimas temporadas, Militão participou de apenas 52 dos 179 jogos do Real Madrid, um índice de presença de cerca de 29%. A comparação com Ferland Mendy é inevitável. Qualidade nunca foi questionada, mas a disponibilidade virou problema crônico. O lateral francês, por exemplo, soma mais uma temporada marcada por lesões, com longos períodos afastado e poucos jogos disputados.

E quando se olha para o sistema defensivo como um todo, o cenário é ainda mais preocupante. A linha que conquistou a Champions League em 2022 — com Dani Carvajal, Militão, David Alaba e Mendy — praticamente não conseguiu mais atuar junta. Desde aquela final histórica, os quatro estiveram lado a lado em campo em apenas 10 partidas. Um número que escancara o impacto das lesões na estrutura do time.

Real Madrid Mbappé

Números expõem colapso no elenco merengue

Se a defesa já sofre, o restante do elenco também não escapa. O Real Madrid chegou à marca de 55 lesões apenas nesta temporada. Somando com as 63 da anterior, são impressionantes 118 problemas físicos em dois anos. Para efeito de comparação, rivais como Atlético de Madrid e Barcelona somam juntos 147 no mesmo período. Ou seja, o Madrid, sozinho, chega perto de dois gigantes combinados.

O pico do problema aconteceu em novembro, quando o clube registrou 11 lesões em um único mês. Em um intervalo de cinco meses — de outubro a fevereiro — foram 39 baixas. Um cenário que obriga a comissão técnica a improvisar constantemente. Não à toa, o time já utilizou 32 formações diferentes na defesa ao longo da temporada.

E o impacto vai além dos números. Jogadores-chave como Jude Bellingham, Thibaut Courtois, Eduardo Camavinga e Antonio Rüdiger também passaram por períodos fora. Bellingham, por exemplo, acumulou mais de 100 dias de ausência, o que afetou diretamente seu rendimento. Já Rodrygo sofreu uma lesão grave no ligamento cruzado, o que impacta não só o presente, mas também o planejamento para a próxima temporada.

Curiosamente, poucos escaparam desse “surto”. Jogadores como Vinícius Júnior e outros nomes pontuais conseguiram passar ilesos, mas são exceções dentro de um elenco inteiro afetado.

Planejamento do Real Madrid entra em xeque

O efeito dominó das lesões não para dentro de campo. Ele já começa a influenciar decisões importantes fora dele. O futuro de nomes como Carvajal e Alaba, por exemplo, está em aberto. Ambos convivem com problemas físicos recorrentes e podem deixar o Real Madrid. Já situações como a de Rüdiger envolvem cautela na renovação, justamente pelo histórico recente.

Além disso, jogadores que continuam no elenco, como Militão, Mendy e até Rodrygo, passam a exigir uma espécie de “plano B” por parte da diretoria. A incerteza física obriga o clube a pensar em reposições constantes, o que impacta diretamente o mercado e o planejamento esportivo.

O caso de Mbappé, apesar de menos grave, simboliza bem o momento. A lesão no músculo semitendinoso não o tira completamente de jogos importantes, mas chega como mais um golpe em uma temporada já desgastante. E quando até a principal estrela começa a sofrer com o mesmo problema coletivo, o alerta vira sirene.

No fim das contas, o Real Madrid não está apenas lutando contra adversários dentro de campo. Está enfrentando uma batalha interna contra o próprio corpo de seus jogadores. E enquanto esse problema não for resolvido, a sensação que ecoa em Valdebebas continua fazendo sentido: competir assim, simplesmente, é impossível.