O Real Madrid comemorou a vitória no El Clásico. Mais do que somar três pontos, a equipe finalmente respondeu em um jogo de grande importância, após as frustrações diante do PSG no Mundial de Clubes e, principalmente, contra o Atlético de Madrid em La Liga. A verdade é que, diante do Barcelona — que na última temporada havia vencido quatro partidas oficiais e um amistoso contra os merengues —, a principal diferença esteve na postura. O time exibiu, enfim, a intensidade necessária em um duelo decisivo, algo amplamente elogiado por Xabi Alonso, que destacou, acima de tudo, a entrega, a determinação e o comprometimento de seus jogadores.
No entanto, na terça-feira, pela fase de grupos da UEFA Champions League, o Real Madrid voltou a demonstrar falta de intensidade diante de um adversário de peso. O Liverpool dominou o confronto por quase 80 minutos, sustentado por seu ritmo acelerado, vigor nos duelos, velocidade e coesão coletiva, vencendo por 1 a 0, em Anfield, pela quarta rodada. Embora o elenco madridista possua essas mesmas virtudes, não conseguiu se igualar ao padrão imposto pelos ingleses, que também o superaram no aspecto mais essencial: o futebol.
O placar curto deveu-se, em grande parte, ao fato de o Real contar com o melhor goleiro do mundo, especialmente inspirado contra o Liverpool. Mas nem os braços de Thibaut Courtois são infinitos. O belga salvou quase tudo — e não foi pouco —, sobretudo diante de Dominik Szoboszlai, dono de um pé direito extraordinário. No fim, porém, o gol dos Reds, tão buscado pelo húngaro, acabou saindo dos pés de Alexis Mac Allister, que marcou de cabeça, à queima-roupa, vencendo as luvas do arqueiro merengue.
Durante boa parte do jogo, o cenário lembrou o clássico no Metropolitano contra o Atlético: o Real Madrid apagado diante da atmosfera eletrizante de Anfield, um palco onde, não faz muito tempo, havia desfilado com tranquilidade, como na vitória por 5 a 2 na temporada 22/23. Assim como no Dérbi, a equipe pareceu incapaz de suportar a energia contagiante da torcida inglesa, que se acostumou a dominar os 15 vezes campeões europeus. O 2 a 0 da última temporada já revelava uma distância considerável entre os clubes — e, apesar do 1 a 0, essa diferença pareceu ainda maior nesta terça-feira.
Para agravar a situação, este Liverpool está longe de ser o mesmo da temporada anterior. Antes de receber o Real Madrid, o time vinha de seis derrotas em oito partidas, incluindo quatro pela Premier League — a mais recente delas contra o Aston Villa. O pesado investimento de quase 500 milhões feito pela diretoria dos Reds no último verão ainda não havia surtido efeito… até a chegada dos merengues. O oposto ocorreu com os merengues que acumulavam 13 vitórias em 14 jogos antes de desembarcar em Anfield. Um retrospecto brilhante, agora ofuscado pelo resultado e, sobretudo, pela atuação apática na Champions League.
Do outro lado do campo, o Real Madrid pouco produziu. Vini tentou, mas Conor Bradley levou vantagem na maioria dos duelos; Jude Bellingham percorreu grandes distâncias, mas mostrou imprecisão com a bola; e Kylian Mbappé foi obrigado a recuar mais do que o habitual para participar da construção. Assim como o time, que, pela primeira vez na temporada, passou em branco. Ao lado de Courtois, Éder Militão e Álvaro Carreras foram os destaques, um reflexo claro das dificuldades coletivas de uma equipe que voltou a tropeçar no mesmo obstáculo.

Real Madrid tenta reagir após queda em Anfield e busca retomar protagonismo na Champions League
Após a derrota por 1 a 0 para o Liverpool em Anfield, o Real Madrid vive um momento de autocrítica e reconstrução. O revés, marcado por uma atuação abaixo das expectativas, revelou limitações que a equipe de Xabi Alonso vinha conseguindo disfarçar nas rodadas anteriores da Champions. Agora, em Valdebebas, o desafio é reencontrar o equilíbrio que consagrou o clube como referência europeia.
A intensidade imposta pelo Liverpool serviu de alerta ao elenco. O meio-campo — tradicionalmente o setor dominante do Real — foi neutralizado pela pressão inglesa, e as transições ofensivas, uma das armas mais mortais da equipe, tornaram-se previsíveis. De acordo com a imprensa espanhola, Alonso prepara ajustes específicos no esquema tático, buscando mais compactação e participação dos laterais na saída de bola.
Dentro do vestiário, o discurso é de serenidade, mas também de cobrança. O técnico reconheceu que o grupo “precisa reagir com atitude e clareza” nas próximas partidas, destacando que derrotas como a de Anfield “devem ser vistas como aprendizado, e não como obstáculo”. Jogadores como Valverde e Tchouaméni, que renderam abaixo do esperado, devem ganhar funções mais bem definidas no modelo de pressão e recomposição.
O ambiente interno, por sua vez, segue unido. Líderes experientes como Carvajal e Courtois reforçaram a mensagem de que o Real Madrid “nunca se define por um tropeço”, ecoando a mentalidade que tantas vezes impulsionou o clube a reviravoltas históricas na competição. Para a comissão técnica, a sequência da fase de grupos é uma chance de reconstruir a confiança e testar variações antes do mata-mata.
Mesmo após o revés, o Real Madrid continua sendo considerado um dos principais favoritos ao título. A derrota em Liverpool serviu como lembrete de que o domínio europeu exige mais que talento — pede intensidade, organização e fome competitiva, exatamente os elementos que Xabi Alonso tenta reacender para recolocar o time nos trilhos das grandes noites de Champions.

Após derrota para o Liverpool, Real Madrid aposta em reação contra o Rayo Vallecano para manter liderança antes da Data Fifa
Derrotado pelo Liverpool na Champions League, o Real Madrid volta suas atenções para La Liga. O confronto diante do Rayo Vallecano, no próximo fim de semana, em Valdebebas, ganhou contornos decisivos: além de encerrar a sequência de jogos antes da pausa da Data Fifa de novembro, representa a chance imediata de resposta e de manutenção da liderança no campeonato espanhol.
O resultado negativo em Anfield deixou marcas. O time de Xabi Alonso foi superado em intensidade e controle, algo incomum para uma equipe que vinha mostrando solidez desde o início da temporada. O foco agora é retomar a confiança e impedir que o impacto europeu afete o desempenho doméstico.
Nos treinos, Alonso tem priorizado ajustes táticos e fortalecimento emocional. O treinador sabe que um deslize em casa pode ser custoso em uma disputa de título que promete ser acirrada, com Barcelona e Atlético à espreita. A expectativa é de que Jude Bellingham e Rodrygo retomem o protagonismo, enquanto o retorno de Éder Militão ao elenco principal traz otimismo para o sistema defensivo.
O duelo com o Rayo é visto como uma oportunidade de reafirmação: o Real quer recuperar ritmo, intensidade e verticalidade — qualidades essenciais para manter viva a identidade competitiva da equipe.
Mais do que buscar três pontos, a partida é encarada como um teste de personalidade. O Real Madrid quer provar que a derrota em Anfield foi apenas um deslize pontual, e não sinal de fragilidade. Antes da pausa internacional, o objetivo é claro: reagir com autoridade, preservar a liderança e chegar ao intervalo da temporada com moral elevado e o comando do futebol espanhol sob controle.
(Foto: Getty Images)