Real Madrid
Futebol La Liga

O pesadelo do Real Madrid parece longe do fim, enquanto problemas ameaçam o futuro do clube

No último domingo, o Real Madrid foi derrotado pelo Barcelona por 2 a 0, no Camp Nou, em clássico válido pela 35ª rodada de La Liga. Com o resultado, os merengues viram os rivais confirmarem a segunda taça consecutiva do Campeonato Espanhol. Desta forma, a equipe também confirmou a segunda temporada seguida sem erguer nenhum troféu.

Enquanto o resultado apenas confirmou o título já esperado do Barcelona, alguns pontos expostos no clássico tornam o cenário ainda mais complicado para o clube comandado por Florentino Pérez. O Real Madrid tem muitos motivos para se preocupar com o futuro, principalmente porque diferentes fatores aumentam a ameaça de uma nova temporada ruim em 2026/27.

Real Madrid precisa voltar a competir como equipe

O clássico contra o Barcelona aconteceu em meio a um clima muito pesado nos bastidores do Real Madrid. Antes mesmo de a bola rolar, o ambiente merengue já era tratado como um problema, com relatos de divisões internas e uma sensação cada vez mais forte de que o grupo não está unido neste momento.

Porém, por mais que a crise interna explique parte do cenário, ela não pode servir como justificativa para a postura apresentada em campo. Diante do maior rival, em um jogo que confirmaria o título espanhol do Barcelona, o Real Madrid precisava demonstrar muito mais vontade e até mesmo orgulho. O problema não foi apenas perder. O problema foi perder dando a impressão de que o time não tinha força coletiva para realmente incomodar o adversário.

A falta de competitividade é, hoje, uma questão gritante. Para voltar a disputar grandes títulos, o Real Madrid precisa corrigir isso rapidamente. Não basta ter grandes nomes no elenco. Em momentos decisivos, uma equipe também precisa mostrar união e compromisso. Porém, isso parece fora da realidade do gigante espanhol.

Em outras palavras, o Real Madrid precisa provar que ainda pode ter um grupo capaz de correr junto, com companheiros lutando uns pelos outros e priorizando a camisa merengue. Neste momento, a sensação é de que egos e vontades próprias estão pesando mais do que o clube. E, para uma instituição acostumada a vencer, isso é extremamente preocupante.

O contraste com o Barcelona torna tudo ainda mais incômodo. Enquanto o Real Madrid parece afundado em uma crise interna, o rival vive um momento de confiança sob o comando de Hansi Flick. O treinador alemão superou problemas ao longo da temporada e transformou o Barça em uma equipe muito forte. Hoje, o Barcelona passa a impressão de ser um time unido, quase uma família dentro de campo. Enquanto isso, o Real Madrid parece caminhar no sentido oposto.

Arbeloa entende o clube, mas futuro do Real Madrid ainda é incerto

No cenário de crise vivido pelos merengues, Álvaro Arbeloa aparece como um ponto interessante. Mesmo em meio ao caos, o treinador demonstrou envolvimento durante o clássico. Sem conseguir mudar o comportamento da equipe dentro de campo, o técnico ao menos deixou claro que ainda se importa com o Real Madrid e sabe o que significa lutar pelo clube.

Talvez esse seja justamente um dos motivos para o Real Madrid pensar com cuidado sobre o futuro do comando técnico. Em um momento no qual poucos parecem realmente brigar pelo clube, manter uma figura identificada com os merengues poderia ter valor. Arbeloa conhece a camisa e entende o peso de representar o Real Madrid.

No entanto, a tendência é de que ele não siga no comando do elenco. É claro que a chegada de um treinador mais experiente pode melhorar o cenário, principalmente se o clube encontrar alguém capaz de reorganizar o vestiário e recuperar o nível competitivo da equipe. Ainda assim, existe uma dúvida importante: o Real Madrid encontrará alguém disposto a defender o clube com a mesma identificação de uma figura que já conhece as raízes do ambiente merengue?

Outro ponto que preocupa passa por Kylian Mbappé. Muito criticado pela torcida e apontado como um dos problemas do vestiário, o francês faz falta dentro de campo. Existe o argumento de que o Real Madrid pode funcionar melhor coletivamente sem o craque francês, mas o clássico mostrou um lado diferente dessa discussão. Sem Mbappé, o time perde poder ofensivo.

Os números do jogador na temporada, inclusive, ajudam a ilustrar o quanto Mbappé é importante dentro de campo. Artilheiro de La Liga, com 24 gols em 28 jogos, o atacante continua sendo um jogador capaz de decidir partidas.

Por mais que existam problemas fora das quatro linhas, ignorar sua importância técnica seria um erro. O Real Madrid precisa resolver a relação do francês com o elenco e com a torcida, mas também precisa entender que abrir mão de seu impacto ofensivo não parece uma solução inteligente.

Além disso, a defesa segue sendo um problema. Mesmo após investimentos recentes no setor, o Real Madrid ainda apresenta muitas dúvidas na linha defensiva. Contra o Barcelona, a equipe voltou a demonstrar fragilidade e pouca segurança em momentos importantes. Com problemas físicos recorrentes de jogadores importantes, o clube precisará olhar novamente para o sistema defensivo na próxima janela.

Desta forma, a derrota no clássico não pode ser vista apenas como o jogo que confirmou o título do Barcelona. Para o Real Madrid, ela expôs problemas muito mais profundos. O clube termina a temporada sem títulos, com ambiente pesado, elenco aparentemente dividido, defesa instável, dúvidas no comando técnico e dependência ofensiva de um jogador que também vive uma relação complicada com a torcida.

O Real Madrid ainda tem qualidade de elenco suficiente para reagir. Porém, neste momento, o clube precisa mais do que bons jogadores. Precisa recuperar a própria identidade competitiva.

Sem união e um grupo disposto a colocar a camisa acima de qualquer vaidade, 2026/27 pode repetir muitos dos problemas que fizeram a temporada atual terminar de forma tão decepcionante.

Créditos da foto de capa: Getty Images Sport.