Desde sua ascensão meteórica até a luta pelo cinturão contra Israel Adesanya, Paulo Costa já experimentou praticamente todas as fases que um lutador pode vivenciar dentro do UFC.
De promessa invicta e máquina de nocautes a figura polarizadora nas redes sociais e atleta posicionado como “escada” para nomes em ascensão, Borrachinha vive uma espécie de encruzilhada na carreira. E a recente confirmação de sua próxima luta contra Shara Magomedov é o mais claro reflexo do momento em que o UFC o enxerga.
A trajetória de Borrachinha no Ultimate não pode ser desmerecida. Vitórias imponentes sobre nomes como Uriah Hall, Johny Hendricks e Yoel Romero o colocaram na rota do título. Mesmo com a derrota para Adesanya em 2020, o brasileiro manteve relevância, especialmente por sua personalidade excêntrica e presença online.
No entanto, resultados inconsistentes e um histórico de negociações complicadas com o UFC, envolvendo mudanças de categoria e recusas de lutas, acabaram corroendo parte da credibilidade de Paulo Costa com os matchmakers da organização.
Enquanto Borrachinha buscava nas últimas semanas confrontos contra nomes do topo, como Khamzat Chimaev e Reinier De Ridder, o UFC mostrou que tem outro plano: usá-lo como parâmetro para promessas que precisam ser testadas.
A luta contra Roman Kopylov, vencida de forma dominante pelo brasileiro, parecia uma tentativa de reafirmação. Mas, ao invés de um avanço no ranking, veio o agendamento contra Shara Magomedov, um nome com hype, mas atualmente sem ranqueamento. Esse tipo de matchmaking levanta uma questão inevitável: o UFC não enxerga mais Paulo Costa como candidato legítimo ao cinturão?
Parece que não. Ao colocá-lo contra Shara, o UFC envia uma mensagem clara: “prove que ainda é elite.” Para os fãs mais atentos, isso não é uma coincidência. O Ultimate tem um histórico de testar lutadores com nomes estabelecidos contra talentos emergentes. Caso vençam, continuam na elite. Caso percam, viram escada definitiva para os próximos da fila.
Paulo Costa, por sua vez, continua se vendo como parte da elite da divisão. Suas provocações a Khamzat Chimaev, atual dono do cinturão, e Reinier De Ridder, lutador top 5 em ascensão, são um reflexo dessa mentalidade.
Mais do que provocação, parece que tudo o que ele faz neste sentido é uma tentativa de manter-se relevante e mostrar que ainda está disposto a enfrentar os melhores. Borrachinha quer lutas grandes, desafiadoras, e que tragam mais do que apenas uma vitória: ele busca respeito e dinheiro.
No entanto, a realidade é que, por mais que o brasileiro ainda tenha ambições de topo, sua situação atual no UFC exige mais do que discursos. E é aí que a luta contra Shara Magomedov ganha uma importância monumental.
A luta mais importante da carreira de Paulo Borrachinha

Sim, o próximo combate de borrachinha é mais importante do que a luta contra Adesanya pelo cinturão. Isso é possível porque naquela ocasião, ele era um desafiante invicto, com margem para recuperação. Agora, aos olhos do UFC, ele está no fio da navalha.
Uma vitória convincente contra Shara Magomedov não apenas interromperia o crescimento de um nome promissor, como recolocaria Borrachinha na conversa pelos grandes confrontos. Seria a afirmação de que ainda pertence ao grupo seleto da elite dos médios.
Por outro lado, uma derrota significaria o oposto. Confirmaria as suspeitas do UFC de que Paulo Costa já atingiu seu teto, e que sua função agora é validar o potencial dos próximos nomes. E isso, dentro do cruel sistema do MMA de alto nível, pode significar o fim das chances reais de uma nova disputa por título.
Além disso, a luta contra Magomedov é perigosa. Shara pode não ser ranqueado, mas tem um estilo agressivo, um volume impressionante de golpes e um apelo midiático que o UFC adora. A pressão está toda sobre Paulo Costa, e ele sabe disso.
Em resumo, temos um cenário onde o UFC vê Borrachinha como uma peça útil no tabuleiro, mas não mais como um dos reis ou rainhas. Já Paulo Costa, com toda sua confiança e personalidade marcante, ainda acredita que pode voltar ao topo. Resta saber se ele conseguirá transformar esse duelo com Magomedov em uma virada de chave ou se será mais um capítulo de uma descida que, aos poucos, o afastará da elite.
O peso médio está em constante renovação. E para Paulo Costa, agora, mais do que nunca, vencer não é uma opção. É uma necessidade.