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Automobilismo Fórmula 1

Red Bull e Ferrari entram na mira da FIA após acidentes de Verstappen com nova asa traseira

A FIA abriu discussões com Red Bull e Ferrari sobre os conceitos de asa traseira conhecidos como “Macarena” após os acidentes consecutivos de Max Verstappen, que levantaram preocupações relacionadas à segurança na Fórmula 1.

O piloto holandês sofreu dois fortes incidentes em finais de semana consecutivos. O primeiro aconteceu durante a classificação para o Grande Prêmio da Áustria, quando aparentemente perdeu o controle de seu RB22 na aproximação da rápida curva 9, rodando e batendo contra as barreiras de proteção.

Já no GP de Silverstone, disputado no último fim de semana, Verstappen abandonou a corrida nas últimas voltas após um acidente semelhante na curva Stowe, quando ocupava a terceira posição e caminhava para mais um pódio.

Depois da prova em Silverstone, Verstappen revelou que os dois acidentes foram provocados por uma falha na asa traseira “Macarena” utilizada pela equipe. O conceito foi inspirado em um projeto semelhante apresentado pela Ferrari no início da temporada. “É extremamente perigoso, porque você pode realmente se machucar nas duas situações. “Eu tive sorte na Áustria e tive sorte aqui. É por isso que você realmente fica muito frustrado com isso.”, afirmou Verstappen à imprensa.

Segundo o piloto, o problema ocorreu em duas oportunidades porque a falha se manifestou em condições muito parecidas. Tanto no Red Bull Ring quanto em Silverstone, Verstappen trafegava por curvas de alta velocidade quando a asa traseira deixou de gerar a carga aerodinâmica esperada, comprometendo a estabilidade da traseira do carro.

A perda repentina de aderência fez com que ele rodasse praticamente sem conseguir corrigir a trajetória, o que explica a semelhança entre os dois acidentes. A repetição do problema em circuitos diferentes, mas em situações de alta carga aerodinâmica, foi o principal fator que chamou a atenção da FIA.

O conceito da asa traseira “Macarena” surgiu a partir da interpretação da Ferrari sobre o novo regulamento técnico da Fórmula 1 para 2026. Os engenheiros da equipe italiana desenvolveram uma solução capaz de tornar a asa mais eficiente em altas velocidades, reduzindo o arrasto nas retas sem comprometer significativamente a carga aerodinâmica nas curvas. A ideia era obter maior velocidade final sem sacrificar o desempenho nas curvas, aproveitando ao máximo as possibilidades permitidas pelo regulamento.

O desempenho apresentado pelo projeto despertou o interesse das equipes rivais, levando a Red Bull a desenvolver uma filosofia semelhante para seu carro. No entanto, enquanto a Ferrari não registrou problemas de confiabilidade com sua versão nas primeiras nove etapas da temporada, a Red Bull enfrentou falhas que culminaram nos acidentes sofridos por Verstappen na Áustria e na Grã-Bretanha.

FIA avalia conceito utilizado por Red Bull e Ferrari

Após os acidentes envolvendo Verstappen, a FIA decidiu agir. A segurança continua sendo uma das principais prioridades da entidade máxima do automobilismo, que historicamente adota uma postura rigorosa sempre que considera que uma solução técnica pode representar riscos aos pilotos.

 A FIA realizou conversas tanto com a Red Bull quanto com a Ferrari para discutir os inovadores projetos de asa traseira desenvolvidos pelas duas equipes. O chefe de equipe e CEO da Red Bull, Laurent Mekies, indicou que a escuderia pode abandonar esse conceito nas próximas etapas do campeonato. A Ferrari, por outro lado, não registrou qualquer falha semelhante com sua versão da asa traseira ao longo das nove etapas disputadas até o momento.

Ainda assim, a FIA possui autoridade para proibir esse tipo de solução técnica caso conclua que ela representa riscos ou infrinja os princípios de segurança da categoria. De acordo com informações publicadas, existe a possibilidade de que as asas traseiras do conceito “Macarena” sejam proibidas ainda nesta temporada ou até mesmo vetadas para os próximos campeonatos. A decisão, porém, dependerá do resultado das discussões conduzidas pela FIA com as equipes envolvidas.

Como a FIA pode agir diante de problemas de segurança

Embora soluções aerodinâmicas inovadoras façam parte da essência da Fórmula 1, a FIA acompanha de perto qualquer conceito que possa representar riscos aos pilotos. Ao longo da história da categoria, diversas inovações técnicas passaram por revisões ou acabaram proibidas depois que a entidade concluiu que poderiam comprometer a segurança ou contrariar o espírito do regulamento.

Quando identifica um problema recorrente ou recebe informações sobre falhas em determinado componente, a FIA pode solicitar esclarecimentos às equipes, realizar inspeções técnicas adicionais e emitir diretivas para garantir que os carros permaneçam dentro dos padrões exigidos. Dependendo da gravidade da situação, também existe a possibilidade de exigir modificações imediatas ou até proibir determinada solução antes do encerramento da temporada.

No caso da asa traseira “Macarena”, a preocupação aumentou porque dois acidentes semelhantes ocorreram em um curto intervalo de tempo e envolveram o mesmo piloto, em circunstâncias praticamente idênticas. Isso levou a entidade a aprofundar a análise sobre o funcionamento do conceito adotado pela Red Bull e a compará-lo com a solução utilizada pela Ferrari.

Futuro da inovação dependerá da análise da entidade

Apesar das preocupações levantadas após os acidentes de Verstappen, ainda não há qualquer decisão definitiva sobre o futuro das asas traseiras do conceito “Macarena”. As conversas entre FIA, Red Bull e Ferrari deverão servir para determinar se os problemas observados estão relacionados apenas à implementação feita pela equipe ou se o próprio conceito apresenta limitações que justificariam uma intervenção regulatória.

Caso a entidade conclua que a solução oferece riscos à segurança dos pilotos, poderá determinar alterações obrigatórias ainda durante a temporada ou até mesmo impedir sua utilização nos próximos campeonatos. Se, por outro lado, entender que o problema foi específico da execução adotada pela Red Bull, a tendência é que apenas ajustes técnicos sejam exigidos da equipe.

Independentemente da decisão, o caso reforça como a busca por desempenho na Fórmula 1 caminha lado a lado com a responsabilidade de garantir a segurança dos pilotos. Em uma categoria em que cada detalhe aerodinâmico pode representar ganhos importantes de tempo por volta, cabe à FIA encontrar o equilíbrio entre incentivar a inovação tecnológica e impedir que soluções extremas coloquem em risco quem está dentro do carro.

Foto: (Fórmula 1)