A possibilidade de uma saída de Max Verstappen da Red Bull ainda parece distante, mas os bastidores da Fórmula 1 mostram que a equipe austríaca já trabalha com cenários alternativos. E o principal nome observado internamente seria Oscar Piastri. A informação ganhou força no paddock de Miami e revela não apenas uma movimentação de mercado, mas também uma mudança importante na filosofia esportiva da equipe.
A Red Bull construiu boa parte de seu sucesso moderno baseada em um modelo muito específico: desenvolver jovens talentos dentro de casa e colocá-los ao lado de um piloto principal consolidado. Foi assim com Sebastian Vettel, depois com Daniel Ricciardo e, mais tarde, com Verstappen assumindo o protagonismo absoluto da equipe.
Por muitos anos, essa estrutura foi comandada por Helmut Marko, peça central no programa de jovens pilotos da marca. A filosofia era clara: formar talentos internamente, reduzir dependência do mercado e manter um sistema altamente controlado. Porém, o cenário atual parece diferente.
A contratação de Sergio Pérez já havia sido um primeiro sinal dessa mudança. Perez não surgiu da academia da Red Bull e chegou em um momento em que a equipe precisava de experiência imediata para apoiar Verstappen na disputa por títulos. Foi uma decisão muito mais prática do que ideológica. Agora, a possível aproximação com Piastri reforça ainda mais essa transformação.
Piastri reúne características que agradam a Red Bull
Dentro do paddock, Piastri é visto como um dos pilotos mais completos da nova geração. Mesmo jovem, o australiano demonstra maturidade técnica, consistência em corridas e capacidade de lidar com pressão, algo extremamente valorizado em equipes de ponta.
Os resultados recentes ajudam a explicar esse interesse. Após um início complicado de temporada, Piastri conseguiu reagir com pódios importantes no Japão e em Miami, recuperando espaço internamente na McLaren. Além do desempenho na pista, existe outro detalhe que chamou atenção nos bastidores: a reorganização de seu ambiente de trabalho.
O empresário de Piastri, Mark Webber, deixou de acompanhar constantemente o piloto nos circuitos. Nesta temporada, Piastri passou a trabalhar diretamente com Pedro Matos, antigo engenheiro da Fórmula 2 na Prema. A mudança foi interpretada como uma tentativa de simplificar a dinâmica interna da equipe e melhorar a comunicação direta com a McLaren.
O efeito parece ter sido positivo. O ambiente ao redor do australiano ficou mais estável, reduzindo tensões que existiam principalmente no fim da última temporada. Isso fortaleceu ainda mais a imagem de Piastri como um piloto pronto para assumir responsabilidades maiores dentro da Fórmula 1.
Ao mesmo tempo, a ausência mais frequente de Webber no paddock também alimentou especulações. O ex-piloto tem forte ligação histórica com a Red Bull e um eventual retorno de diálogo entre as partes não seria algo inesperado.
Red Bull vive mudança estrutural importante
Mais do que substituir Verstappen, a possível escolha por Piastri simboliza uma nova abordagem da Red Bull no mercado. Com Laurent Mekies assumindo papel de liderança, a equipe parece menos presa ao antigo modelo de formação interna e mais aberta a buscar soluções externas.
Isso acontece porque substituir Verstappen vai muito além de encontrar um piloto rápido. O neerlandês se tornou o centro técnico e esportivo da equipe. Em uma estrutura com mais de dois mil funcionários, o piloto principal influencia diretamente o desenvolvimento do carro, o direcionamento técnico e até interesses comerciais da organização.
Nesse contexto, apostar apenas em jovens da academia representa um risco enorme. Embora nomes como Isack Hadjar sejam vistos com potencial, ainda existe uma distância considerável entre promessas e pilotos capazes de liderar um projeto vencedor imediatamente.
Piastri surge justamente como esse perfil intermediário ideal. Ele ainda é jovem, mas já possui experiência suficiente para assumir protagonismo. Além disso, demonstra estabilidade emocional e leitura estratégica de corrida, características fundamentais para qualquer piloto que precise liderar uma equipe em um cenário de pressão constante.
Verstappen, McLaren e o possível efeito dominó no grid
Apesar das especulações, a McLaren ainda mantém uma posição confortável. Piastri possui contrato até 2027 e a equipe não demonstra interesse em abrir negociações. Porém, a própria história da Fórmula 1 mostra que contratos raramente impedem grandes mudanças quando existe vontade de ambas as partes.
Caso um movimento desse tipo realmente aconteça, Zak Brown teria papel decisivo nas negociações. O dirigente é conhecido por sua postura agressiva no mercado e certamente tentaria transformar qualquer possível saída de Piastri em uma operação extremamente vantajosa financeiramente.
Ao mesmo tempo, existe outro fator que aumenta as especulações: o futuro de Verstappen. Mesmo com contrato vigente, o tetracampeão já demonstrou em diferentes momentos certo desgaste com questões internas da Red Bull e também com os rumos políticos da Fórmula 1.
Por enquanto, tudo segue no campo das possibilidades. Ainda assim, o simples fato de a Red Bull já trabalhar com um plano alternativo mostra que a equipe entende que nenhuma hegemonia é eterna na Fórmula 1. E entre todos os nomes disponíveis no mercado atual, Oscar Piastri parece ser o piloto que melhor se encaixa na próxima fase do projeto austríaco.
(Foto de capa: Getty Images)