República Tcheca
Futebol Eurocopa Outras ligas

República Tcheca volta a Wembley 30 anos após a final da Eurocopa

A República Tcheca voltará ao Estádio de Wembley no dia 29 de setembro de 2026, três décadas depois de protagonizar naquele estádio uma das campanhas mais marcantes de sua história no futebol. O reencontro acontecerá diante da Inglaterra, pela UEFA Nations League, em uma partida que recoloca a seleção no mesmo palco onde, em 1996, ficou a poucos minutos de conquistar a Eurocopa. A viagem a Londres terá, portanto, um peso histórico que ultrapassa o calendário atual e recupera as lembranças de uma geração que transformou o futebol tcheco em uma das grandes histórias da competição.

Do mesmo modo, a República Tcheca havia chegado à competição disputada na Inglaterra como uma seleção ainda em processo de afirmação. A dissolução da Tchecoslováquia, em 1993, havia criado um novo cenário esportivo, e a Eurocopa de 1996 representava a primeira participação da nova seleção tcheca em um Campeonato Europeu. A equipe comandada por Dusan Uhrin não carregava o mesmo peso de tradicionais potências do continente, mas rapidamente passou a ganhar espaço depois de uma campanha marcada por resultados expressivos e atuações que surpreenderam o futebol europeu.

O começo, entretanto, foi complicado. A Alemanha venceu a República Tcheca por 2 a 0 em Manchester, mas a equipe reagiu imediatamente diante da Itália. Em Anfield, a vitória por 2 a 1 mudou a percepção sobre aquele grupo, que reunia nomes como Karel Poborsky, Pavel Nedved, Patrik Berger e Vladimír Smicer. Depois, o empate por 3 a 3 com a Rússia garantiu a classificação para as quartas de final, em uma partida marcada pela reação tcheca e pelo gol decisivo de Smicer nos minutos finais, que confirmou a vaga na fase seguinte.

No mata-mata, a República Tcheca enfrentou Portugal e protagonizou um dos momentos mais lembrados daquele torneio. Poborsky marcou um gol de cobertura que eliminou a seleção portuguesa e levou os tchecos às semifinais. O adversário seguinte foi a França, em Old Trafford, em uma partida equilibrada e marcada pela forte disputa no meio-campo. O duelo terminou sem gols no tempo regulamentar e também na prorrogação. Na decisão por pênaltis, a seleção tcheca mostrou eficiência, venceu por 6 a 5 e garantiu sua presença na grande final da competição.

A final, disputada em Wembley em 30 de junho de 1996, colocou novamente a República Tcheca diante da Alemanha. A equipe tcheca chegou a abrir o placar com Patrik Berger, de pênalti, na segunda etapa. A vantagem aumentou a expectativa por uma conquista histórica, mas Oliver Bierhoff empatou posteriormente e, já na prorrogação, marcou o chamado Golden Goal, encerrando a partida em 2 a 1 para os alemães. Assim, o país germânico conquistou o título europeu, enquanto os tchecos ficaram com o vice-campeonato. Foi a primeira final de Eurocopa decidida pela regra do gol de ouro.

Trinta anos depois, o retorno a Wembley ganha significado justamente por conectar duas fases distintas da história da República Tcheca. Em 2026, a seleção volta ao estádio para enfrentar a Inglaterra pela Liga das Nações, em um confronto que também terá outro capítulo em Praga. O encontro londrino está previsto para 6 de outubro, conforme as informações divulgadas sobre o calendário do Grupo A3. A partida também permitirá recordar a campanha de 1996, quando os tchecos chegaram à decisão europeia e foram derrotados pela Alemanha na prorrogação, justamente no mesmo palco, três décadas antes.

A distância entre 1996 e 2026 também mostra como aquela geração deixou marcas duradouras. Poborsky foi escolhido para a seleção da competição pela UEFA, enquanto Nedved posteriormente conquistou a Bola de Ouro. Berger e Smicer também construíram carreiras de destaque em grandes clubes europeus. A campanha inglesa, portanto, não terminou apenas como uma final perdida: ajudou a estabelecer uma identidade própria para o futebol da República Tcheca após a separação da antiga Tchecoslováquia, projetando uma geração que permaneceu como referência histórica para o país.

O reencontro com Wembley não terá a atmosfera de uma final de Eurocopa, mas carregará uma memória ligada ao estádio. Em 1996, a República Tcheca esteve perto de conquistar seu primeiro grande título como país independente. Agora, em 2026, retorna ao mesmo palco três décadas depois, diante da Inglaterra, também protagonista daquela história. O futebol mudou, os personagens são outros e a competição é diferente, mas Londres seguirá como ponte entre a geração que quase ergueu o troféu e a equipe que busca construir uma nova trajetória.

Foto: Getty Images

Como a República Tcheca busca surpreender a Inglaterra na UEFA Nations League

Em busca da primeira vitória, a República Tcheca chega ao confronto com a Inglaterra pela UEFA Nations League pressionada por uma sequência recente que exige reação imediata, mas também com a possibilidade de transformar o fator casa em uma arma importante. O duelo será disputado nesta terça-feira, 29 de setembro, na Fortuna Arena, em Praga, pela segunda rodada do Grupo A3, três dias depois de a seleção tcheca ser derrotada por 2 a 1 pela Croácia na estreia. A partida também coloca frente a frente duas equipes que começaram a competição com resultados negativos.

A República Tcheca precisa encontrar respostas depois de um período irregular. A derrota para a Croácia encerrou uma sequência de 19 partidas invicta em casa, segundo levantamento divulgado pela seleção inglesa, enquanto os últimos resultados também mostram três derrotas nos quatro jogos mais recentes. Antes do início da Nations League, a equipe havia disputado a Copa do Mundo de 2026, com empate por 1 a 1 diante da África do Sul, derrota por 3 a 0 para o México e revés por 2 a 1 para a Coreia do Sul, além da vitória por 3 a 1 sobre a Guatemala.

O desafio aumenta diante de uma Inglaterra que também chega sob necessidade de recuperação. A equipe comandada por Thomas Tuchel perdeu por 3 a 2 para a Espanha em Wembley na primeira rodada. Os ingleses chegaram a estar em vantagem por 2 a 1 depois dos gols de Anthony Gordon e Harry Kane, mas a atual campeã mundial virou o confronto com Álex Baena e Mikel Oyarzabal.

A derrota interrompeu uma sequência de 15 partidas da Inglaterra sem perder para seleções europeias. O resultado encerrou um período de invencibilidade construído ao longo dos compromissos anteriores e acrescentou um novo capítulo ao histórico recente do país britânico. A seleção agora precisa reagir no calendário continental, enquanto busca retomar a regularidade apresentada antes desse tropeço diante dos adversários europeus.

Nesse cenário, a República Tcheca pode explorar principalmente o ambiente de Praga e a necessidade inglesa de administrar o desgaste. Tuchel afirmou que pretende manter uma base importante da equipe e adotar uma postura agressiva contra os tchecos, mesmo diante da sequência de partidas pela Nations League. O treinador inglês, portanto, não sinaliza uma estratégia de preservação para o encontro. A tendência é de uma Inglaterra mantendo seus principais jogadores, enquanto os donos da casa buscam aproveitar o apoio da torcida para equilibrar as ações desde os primeiros minutos da partida.

A história recente também oferece confiança ao time da casa: a Inglaterra perdeu sua última partida em território tcheco, por 2 a 1, em outubro de 2019. Além disso, a República Tcheca venceu os dois confrontos competitivos disputados em casa contra os ingleses. Agora, porém, o contexto é diferente, e o objetivo passa por interromper a sequência negativa e somar seus primeiros pontos no Grupo A3. O reencontro também carrega o peso histórico de Wembley e da campanha de 1996, que permanece viva na memória da seleção.

Foto: Getty Images

Será que a República Tcheca vai voltar a ter o espírito competitivo nos últimos anos

A República Tcheca atravessa um momento de reconstrução, mas a história recente mostra que a seleção já foi capaz de competir em alto nível contra adversários de diferentes gerações. Em setembro de 2026, o início da UEFA Nations League trouxe uma derrota por 2 a 1 para a Croácia, resultado que marcou também a estreia de Santi Denia no comando. A equipe, que havia vencido o Grupo B1 na edição anterior e conquistado o acesso à Liga A, agora tenta recuperar a consistência diante de Inglaterra e Espanha.

O passado oferece referências importantes para entender o espírito competitivo que a República Tcheca procura recuperar. A Euro 1996, disputada na Inglaterra, permanece como o principal símbolo dessa identidade. Naquela campanha, a seleção chegou à final de Wembley, eliminando Portugal e França no caminho, antes de perder por 2 a 1 para a Alemanha na decisão. Patrik Berger, Karel Poborsky e Pavel Nedved formavam parte de uma geração que colocou o futebol tcheco entre os protagonistas do continente.

Duas décadas depois, a República Tcheca voltou a mostrar capacidade de reação em grandes torneios. Na Eurocopa 2016, por exemplo, a equipe buscou um empate por 2 a 2 contra a Croácia depois de estar em desvantagem por dois gols. A UEFA recorda aquela partida como um dos encontros marcantes entre as seleções, destacando a reação tcheca nos minutos finais. O resultado manteve a equipe viva na disputa pela classificação e reforçou uma característica que marcou diferentes gerações: a capacidade de competir até os instantes finais das partidas.

O desafio atual, porém, é transformar essa tradição em resultados. A derrota para a Croácia marcou o primeiro compromisso da nova comissão técnica, que iniciou o trabalho sob pressão por respostas imediatas. Na sequência, a República Tcheca também registrou derrotas para México e Coreia do Sul, além de um empate com a África do Sul durante a Copa do Mundo de 2026. O retrospecto recente reforça a necessidade de reação, justamente antes de um novo encontro com a Inglaterra, agora pela Liga das Nações e diante de sua torcida.

Diante da Inglaterra, em Praga, a República Tcheca terá justamente uma oportunidade de recuperar parte dessa característica competitiva. O adversário também chega pressionado após perder por 3 a 2 para a Espanha, atual campeã mundial, na estreia. Mais do que buscar apenas os primeiros pontos na Nations League, o confronto representa uma chance para a seleção tcheca começar a construir uma nova identidade sem abandonar as lembranças de suas gerações mais vitoriosas.

(Foto: AFP/Getty Images)