Kevin De Bruyne voltou ao Etihad Stadium pela primeira vez como adversário e viveu uma noite cheia de simbolismo. Depois de dez temporadas defendendo o Manchester City, o belga retornou à sua antiga casa vestindo a camisa do Napoli, que apostou nele após o fim do contrato com Guardiola. Era para ser um reencontro emocionante, cheio de aplausos e lembranças. E foi – mas durou apenas 25 minutos.
A expectativa era enorme. Os torcedores do City exibiram faixas como “King Kev” e “Once a blue, forever a blue”, reconhecendo que, independentemente da camisa que vestisse, De Bruyne sempre será um dos grandes ídolos do clube. O Etihad estava em clima de festa para receber o craque, e até seus ex-companheiros o cumprimentaram calorosamente na entrada em campo. Mas esse momento de nostalgia se transformou rapidamente em surpresa quando o técnico Antonio Conte decidiu substituí-lo ainda no primeiro tempo.
A expulsão que mudou tudo
O motivo não foi lesão nem um desentendimento. A substituição aconteceu por pura necessidade tática. Por volta dos 20 minutos de jogo, Giovanni Di Lorenzo, capitão do Napoli, cometeu falta em Haaland quando o norueguês partia livre rumo ao gol e acabou expulso por ser o último homem. Conte se viu obrigado a reorganizar completamente o time para compensar a inferioridade numérica.
Para reforçar a defesa, o treinador colocou Olivera em campo e precisava sacrificar um jogador de frente. Com Hojlund atuando como referência no ataque e McTominay e Anguissa correndo por dois no meio-campo, o único espaço viável para abrir era o de De Bruyne. O belga aceitou a decisão de forma tranquila, sem contestar, e se sentou no banco para incentivar os companheiros em uma partida que, de repente, ficou bem mais complicada para os italianos.
Uma decisão difícil para Conte
Trocar o jogador mais esperado da noite nunca é simples, ainda mais quando esse jogador é uma lenda do adversário. Mas Conte priorizou o equilíbrio defensivo. Sem um lateral-direito de ofício e com um City faminto para explorar os espaços, o técnico entendeu que manter De Bruyne em campo poderia deixar a equipe exposta. A entrada de Olivera deu mais solidez ao Napoli, que passou a atuar praticamente com uma linha de cinco atrás para segurar a pressão dos Citizens.
Do lado de fora, De Bruyne demonstrava profissionalismo. Sentado ao lado dos companheiros, conversava com a comissão técnica e orientava o time quando podia. O público do Etihad, embora surpreso, o aplaudiu ao sair. Foi um gesto que simbolizou o respeito mútuo entre o belga e os torcedores do City, um relacionamento construído ao longo de títulos, assistências e atuações memoráveis.
Lembranças de outras saídas precoces
Não foi a primeira vez que Kevin De Bruyne deixou um jogo importante antes do previsto. A lembrança mais marcante é da final da Champions League de 2023, justamente a única que ele venceu com o City. Naquele dia, contra a Inter de Milão, ele saiu lesionado aos 36 minutos, ainda com o placar em 0 a 0. Mesmo sem seu maestro, o time de Guardiola acabou campeão graças ao gol de Rodri.
Esse histórico mostra como o belga, apesar de ser um jogador decisivo, já viveu momentos em que o roteiro não saiu como planejado. A diferença agora é que não houve problema físico – apenas uma escolha estratégica. Para o Napoli, a ausência de De Bruyne significou perder o cérebro do meio-campo e a capacidade de prender a bola para aliviar a pressão.
Um retorno de De Bruyne que ficou pela metade
Apesar de breve, a passagem de De Bruyne pelo gramado do Etihad nessa noite reforçou o carinho que ele deixou em Manchester. Mesmo com a camisa de um rival, os torcedores o trataram como um dos seus. Isso é raro no futebol moderno, em que mudanças de clube costumam gerar ressentimento. O belga, por tudo que entregou ao City, conseguiu esse status especial.
Para o Napoli, a cena foi um misto de frustração e pragmatismo. Frustração porque perder De Bruyne logo no começo mudou o plano original. Pragmatismo porque Conte precisava tapar um buraco na defesa e não havia escolha fácil. No fim, ficou a imagem de um craque aplaudido em seu antigo lar, aceitando com serenidade um papel diferente do que imaginava para aquela noite.
O que vem pela frente
A grande questão agora é como o Napoli vai usar De Bruyne nos próximos jogos importantes. Contra o City, o plano foi interrompido pela expulsão, mas o belga mostrou estar fisicamente bem e pronto para liderar o time quando necessário. Com sua experiência em Champions, ele ainda pode ser a peça-chave para o clube italiano avançar na competição.
Já para o Manchester City, o reencontro com seu antigo maestro foi curto, mas simbólico. Viu um ex-jogador querido voltar, ouviu os aplausos de uma torcida agradecida e, por um instante, lembrou de um dos períodos mais brilhantes da sua história recente. O retorno de De Bruyne ao Etihad não teve o final épico que muitos esperavam, mas deixou clara a dimensão do respeito que ele conquistou.
