O mundo do MMA já aprendeu uma coisa nos últimos anos: quando se trata de Francis Ngannou, nada é simples. E, ao que tudo indica, a possibilidade de um retorno ao famoso UFC, continua sendo aquele assunto que nunca morre de vez. Pode até esfriar, sumir por um tempo… mas sempre volta.
Dessa vez, quem reacendeu a chama foi Eric Nicksick, treinador de Ngannou na Xtreme Couture. Em entrevista recente, ele deixou claro que, mesmo com tudo o que já aconteceu, não descarta uma volta do camaronês ao octógono mais famoso do mundo. E soltou até uma frase que resume bem o clima: talvez ele seja “um romântico sem esperança”.
Brincadeiras à parte, a fala não é só sobre emoção, ela também revela que, nos bastidores, essa possibilidade ainda existe.
Saída conturbada de Ngannou ainda pesa
Pra entender o cenário atual, é preciso voltar um pouco no tempo. Ngannou deixou o UFC no início de 2023 sendo nada menos que campeão peso-pesado da organização. Não é exatamente o tipo de saída comum. Normalmente, campeões são prioridade máxima, mas, nesse caso, o acordo simplesmente não aconteceu.
As negociações travaram, principalmente por questões financeiras e de liberdade contratual. Ngannou queria mais autonomia, inclusive para lutar boxe, algo que o UFC historicamente controla com mão de ferro. Resultado: ruptura.
E não foi uma separação amigável.
O presidente do UFC, Dana White, nunca escondeu o incômodo com a saída do ex-campeão. Pelo contrário. Em diversas ocasiões, fez críticas públicas a Ngannou, chegando a questionar sua postura e até seu comportamento nos bastidores. Ou seja: não foi só uma questão de negócios, virou algo pessoal.
Caminho fora do UFC trouxe dinheiro… e novos cenários
Depois de sair do UFC, Ngannou seguiu um caminho bem diferente do tradicional. Assinou com a Professional Fighters League (PFL), mas rapidamente ampliou seus horizontes.
Entrou de vez no boxe e protagonizou duas lutas gigantes: contra Tyson Fury e Anthony Joshua. Financeiramente, foram combates extremamente lucrativos, algo que dificilmente ele teria dentro do UFC.
Mesmo sem vitórias, Ngannou saiu valorizado. Contra Fury, por exemplo, surpreendeu muita gente com uma performance competitiva. Mostrou que não estava ali só pelo dinheiro.
Só que agora o cenário muda mais uma vez.
Ngannou já não está mais no elenco ativo da PFL, o que naturalmente reabre possibilidades. Sem contrato fixo com uma grande organização de MMA, o nome dele volta a circular com mais força e, claro, o UFC entra nessa conversa.
Jon Jones segue sendo o “final perfeito” para Ngannou
Se existe uma luta que simboliza tudo isso, ela atende por um nome: Jon Jones.
Durante anos, o duelo entre Jones e Ngannou foi tratado como o maior combate possível nos pesados. Era o campeão dominante contra o desafiante mais temido da divisão. Só que nunca aconteceu.
Agora, mesmo com todo o desgaste entre Ngannou e o UFC, essa luta ainda paira como uma espécie de “final perfeito”. E o próprio Nicksick deixou isso claro: existe o desejo de que esse confronto aconteça, talvez até como uma despedida em grande estilo.
É aquele típico cenário que o fã de MMA olha e pensa: “isso precisa acontecer antes que seja tarde”.
Negócio acima de tudo
Apesar de todo o lado emocional, a fala de Nicksick também reforça algo importante: para Ngannou, tudo passa por negócios. E isso não é segredo.
O próprio treinador destacou que não se trata de ego ou de rejeição ao UFC. Se aparecer a combinação certa — adversário certo, momento certo e, principalmente, valor certo, a porta está aberta.
E faz sentido. Ngannou construiu sua carreira enfrentando dificuldades enormes, dentro e fora do esporte. Hoje, ele sabe exatamente o valor que tem. Não vai aceitar qualquer proposta só por nostalgia.
Do lado do UFC, a decisão também envolve estratégia. A organização costuma ser bastante rígida em negociações, especialmente quando sente que pode perder controle sobre seus atletas. Trazer Ngannou de volta significaria ceder em alguns pontos e isso nunca foi o forte da empresa.
Possibilidade real ou só esperança?
No fim das contas, o cenário ainda é incerto. Existe vontade? Sim. Existe interesse do público? Com certeza. Existe facilidade na negociação? Nem de longe.
O retorno de Ngannou ao UFC depende de muita coisa além de boas intenções. Envolve dinheiro, ego, timing e, principalmente, disposição de ambas as partes para deixar o passado de lado.
Mas uma coisa é certa: enquanto houver gente como Eric Nicksick mantendo essa chama acesa, essa história nunca vai ser completamente encerrada.
E no MMA, a gente já viu coisa muito mais improvável acontecer.
(Foto: Cooper Neill/Zuffa LLC)