O Arsenal voltou a parecer um time pronto para brigar por títulos no momento mais decisivo da temporada. A vitória por 3 a 0 sobre o Fulham, no Emirates Stadium, foi mais do que apenas três pontos: foi um sinal claro de que o time reencontrou sua identidade ofensiva — e isso passa diretamente pelo retorno de Bukayo Saka.
Depois de um período afastado por lesão no tendão de Aquiles, o camisa 7 voltou como protagonista. Mesmo atuando apenas parte do jogo, ele participou diretamente dos principais momentos ofensivos, mostrando exatamente o que o Arsenal perdeu nas últimas semanas: criatividade, agressividade no um contra um e capacidade de decidir.
Não por acaso, o time de Mikel Arteta vinha oscilando. Foram apenas duas vitórias nos últimos seis jogos antes do duelo contra o Fulham, com um ataque que parecia travado. A fluidez ofensiva, que havia sido marca registrada em momentos anteriores da temporada — como na goleada sobre o Tottenham — simplesmente desapareceu.
Com Saka em campo, tudo voltou a funcionar.
Saka devolve equilíbrio e criatividade ao time
O impacto de Saka vai muito além de números, embora eles também impressionem. O inglês chegou a 150 participações diretas em gols pelo Arsenal, um número que reforça sua importância dentro do projeto. Mas o principal está na forma como ele muda o comportamento coletivo da equipe.
Sua presença obriga defesas a se reorganizarem, abre espaço para infiltrações e oferece soluções em momentos de pressão. Contra o Fulham, isso ficou evidente: o Arsenal voltou a atacar com variedade, alternando jogadas pelos lados e infiltrações por dentro, algo que não vinha acontecendo com frequência.
O gol marcado por Saka — o primeiro após nove jogos — teve também um peso simbólico. Foi o sinal de que ele não apenas voltou, mas voltou bem. Sem limitações aparentes, com confiança e, principalmente, com intensidade.
Arteta deixou isso claro após a partida. Segundo o treinador, o jogador voltou no momento mais importante da temporada, com a mente fresca e fome de decisão. E essa combinação pode ser exatamente o que o Arsenal precisava para dar o salto final.
Parceria com Gyokeres pode ser a chave
Outro ponto que chamou atenção foi a conexão com Viktor Gyokeres. Durante boa parte da temporada, a dupla parecia não encaixar completamente. O estilo mais direto do atacante, que busca atacar a profundidade, nem sempre combinava com o posicionamento de Saka.
Mas contra o Fulham, houve um ajuste claro. Saka passou a circular mais fora da área, criando espaços e acelerando o jogo, enquanto Gyokeres explorava os corredores e a última linha defensiva. O resultado foi imediato: um assistiu o outro, e o ataque fluiu com naturalidade.
Essa evolução é fundamental pensando no próximo desafio: o confronto decisivo contra o Atletico Madrid, comandado por Diego Simeone, pela semifinal da UEFA Champions League.
Diante de um adversário conhecido pela solidez defensiva, ter jogadores que conseguem quebrar linhas e criar espaços é essencial. E, nesse cenário, Saka pode ser o diferencial.
Decisão na champions passa pelos pés de Saka
O Arsenal chega para o confronto europeu com a eliminatória aberta, e a sensação interna é de que o time pode ir além. Mas para isso, precisa repetir o nível apresentado contra o Fulham — e, principalmente, contar com um Saka decisivo.
A lógica é simples: em jogos grandes, são os jogadores de elite que fazem a diferença. E hoje, Saka é exatamente isso dentro do elenco londrino. Não apenas pelo talento, mas pela capacidade de assumir responsabilidades.
Além disso, sua recuperação chega em um momento ideal. Diferente de outros períodos da temporada, agora ele parece fisicamente inteiro, o que aumenta sua capacidade de impacto ao longo dos 90 minutos — algo crucial em jogos de alto nível.
Se mantiver esse nível, Saka pode não apenas levar o Arsenal à final da Champions, mas também recolocar o clube na rota de títulos importantes, algo que não acontece desde 2020.
No fim das contas, a pergunta que paira é simples: um Saka saudável pode decidir a temporada do Arsenal? Pela amostra recente, a resposta é bastante clara. Pode — e provavelmente vai.



