Não dá para dizer que o 2025 do Fluminense foi um sucesso completo, mas também passa longe de ter sido um fracasso total. O torcedor tricolor viveu uma temporada de verdadeiros altos e baixos, que vai de uma campanha histórica na Copa do Mundo de Clubes, onde só caiu nas semifinais para o campeão Chelsea, até uma eliminação melancólica para o Lanús na Copa Sul-Americana.
Houve também um ótimo returno no Campeonato Brasileiro, com a conquista da vaga direta para a fase de grupos da Copa Libertadores de 2026, mas, em contrapartida, a decepção com a eliminação para o Vasco da Gama, nos pênaltis, nas semifinais da Copa do Brasil, em um duelo no qual o tricolor era visto como amplo favorito, sobretudo pelo fato de o rival cruzmaltino ter encerrado o Brasileirão em má fase.
Planejamento problemático, três técnicos e os altos e baixos do 2025 tricolor
O Fluminense iniciou 2025 com Mano Menezes e, por esse motivo, o técnico gaúcho foi o responsável pela montagem do elenco. A diretoria tricolor buscou jogadores mais jovens, com maior força física e velocidade, mas que, em sua maioria, careciam de repertório técnico, apostando em um time baseado em transições rápidas.
Apesar de ter chegado, a trancos e barrancos, à final do Campeonato Carioca e de ter se classificado para a terceira fase da Copa do Brasil, o Fluminense decidiu romper com Mano Menezes após a derrota na estreia do Campeonato Brasileiro, contra o Fortaleza, por 2 a 0. O escolhido para assumir o comando foi um velho conhecido da torcida: Renato Portaluppi, o Renato Gaúcho.
Com Renato Gaúcho, o Fluminense teve momentos muito bons, como a campanha histórica na Copa do Mundo de Clubes, mas, no geral, a equipe não empolgava. Mesmo com uma boa campanha na Copa Sul-Americana e próxima do G-6 antes da pausa do Brasileirão, o time não mostrava ter uma identidade clara, uma filosofia de jogo bem definida, e sofria para vencer até adversários mais fracos.
Ainda assim, com vitórias contra Vasco e Internacional no Beira-Rio, o tricolor viajou para os Estados Unidos com mais dúvidas do que certezas, mas com uma missão clara: chegar às oitavas de final da Copa do Mundo de Clubes. Mesmo com o elenco mais modesto entre os clubes brasileiros no torneio, o Fluminense fez história.
Passou em segundo lugar em seu grupo, com direito a uma atuação histórica diante do Borussia Dortmund, em um empate sem gols. Nas oitavas de final, fez um dos melhores jogos do ano — talvez o melhor de 2025 — ao vencer a Inter de Milão. Nas quartas, eliminou o Al-Hilal e, nas semifinais, caiu para o Chelsea por 2 a 0. A história, porém, já estava escrita.
No retorno ao Brasil, entretanto, o cenário foi completamente diferente. O Fluminense perdeu os quatro primeiros jogos após a volta do Brasileirão. Mesmo com a turbulência no campeonato nacional, nas copas o desempenho seguia positivo, com classificações para as quartas de final da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana.
Eliminação para o Lanús, saída de Renato e chegada de Zubeldía
O Flu se recuperou no Campeonato Brasileiro e passou boa parte da reta final próximo do G-6. No entanto, apesar da bela classificação para as semifinais da Copa do Brasil — eliminando o Bahia com um gol de Thiago Silva nos minutos finais — a eliminação na Copa Sul-Americana para o Lanús aumentou as críticas ao trabalho de Renato, que acabou pedindo demissão.
Sem o treinador e com mais dúvidas do que certezas, tendo pela frente uma semifinal contra o Vasco em dezembro e a reta final do Brasileirão, a diretoria tricolor apostou em Luis Zubeldía como novo comandante. Mesmo com um início complicado, o técnico argentino, aos poucos, encontrou sua equipe ideal e uma identidade clara de jogo, promovendo uma arrancada final digna de campeão brasileiro.
Sob o comando de Zubeldía, o Fluminense venceu todos os jogos em casa, no Maracanã, e passou a ser um adversário muito difícil fora de casa. Um dos grandes exemplos foi a vitória contra o Palmeiras, no Allianz Parque, em uma partida na qual o tricolor foi superior ao alviverde. Jogadores como Luciano Acosta e Martinelli se tornaram peças fundamentais e símbolos dessa reação no campeonato.
O Flu passou a ter uma defesa mais sólida e um jogo de transição muito forte. O maior exemplo foi a goleada histórica por 6 a 0 sobre o São Paulo, em que a maioria dos gols surgiu após roubadas de bola no meio-campo. Porém, se a defesa evoluiu, o mesmo não se pode dizer do ataque, especialmente da posição de centroavante.
O ano de 2025 foi um dos piores da história recente do Fluminense no que diz respeito ao camisa 9. Everaldo, Germán Cano e John Kennedy foram testados diversas vezes como referência ofensiva, mas nenhum conseguiu se firmar como o “homem-gol” da equipe.
Esse problema ficou evidente no momento mais decisivo da temporada: as semifinais da Copa do Brasil. O confronto contra o Vasco escancarou o planejamento problemático da diretoria para 2025. No fim, avançou a equipe que, mesmo vivendo uma fase pior, possuía um elenco mais equilibrado. O aspecto mais irônico para o torcedor tricolor foi o fato de o gol da vitória vascaína, no jogo de ida, ter sido marcado por um centroavante: Vegetti.
Em resumo, a eliminação na Copa do Brasil não foi apenas mais uma chance desperdiçada de título, mas, assim como na queda para o Lanús, expôs as limitações de um elenco mediano, ainda que com alguns jogadores acima da média, como Fábio, Samuel Xavier, Thiago Silva, Martinelli e Lucho Acosta.
Além da eliminação para o rival, o torcedor tricolor ainda precisou lidar com a saída do ídolo Thiago Silva, que deixou o clube para assinar com o Porto, em uma negociação que colocou a diretoria em uma situação delicada.
Nova gestão, Libertadores e o que esperar do Fluminense em 2026?
Para 2026, o Fluminense terá uma nova gestão. Matheus Montenegro foi eleito presidente do clube em novembro e será o mandatário tricolor no próximo triênio. Dentro de campo, Zubeldía terá a oportunidade de participar ativamente da montagem do elenco, e informações indicam que o técnico argentino já vem tendo papel importante nesse processo.
A contratação de um novo camisa 9 é uma das principais pautas da nova diretoria para a temporada, mas a defesa também deve receber investimentos. A chegada do zagueiro Jemmes, ex-Mirassol, já sinaliza esse movimento. O clube ainda tenta a repatriação de Nino, embora a negociação com o Zenit seja considerada complexa.
De qualquer forma, a expectativa é de que o Fluminense apresente um elenco mais competitivo em 2026, com as carências atacadas no mercado, oferecendo a Zubeldía condições para dar sequência ao bom trabalho e brigar por títulos na próxima temporada.
(Foto: Marcelo Gonçalves/Fluminense)