Depois de tantos altos e baixos, críticas, lesões e incertezas, Richarlison finalmente está reencontrando seu melhor futebol, e justo no momento em que Carlo Ancelotti começa a preparar a Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026. Coincidência ou destino? O que importa é que o Pombo voltou a voar, e isso tem tudo para facilitar a vida do treinador italiano.
Hoje, Richarlison é uma peça praticamente intocável no elenco do Tottenham, agora comandado por Thomas Frank. Sim, o ex-treinador do Brentford. A troca no comando técnico veio após o título da Europa League na temporada 2024/25, conquista que encerrou um jejum de 17 anos sem taças. Mesmo assim, a diretoria achou que o estilo de Ange Postecoglou não era mais o ideal, e apostou em um nome mais “cirúrgico” para a sequência.
Com isso, surgiram boatos de que Richarlison poderia sair: Brasil, Arábia Saudita, MLS… tudo foi ventilado. Mas bastou um novo treinador, algumas oportunidades e uma sequência de bons jogos para o cenário mudar completamente.
O físico voltou, e com ele, Richarlison também
Richarlison voltou a ser aquele atacante incansável, explosivo, versátil e decisivo. Seja como ponta-esquerda, segundo atacante ou até como centroavante, ele entrega intensidade, movimentação e presença de área. E o melhor: sem estar se arrastando fisicamente como em outras temporadas. A forma voltou, e isso faz toda a diferença.
Contra o PSG, em jogo preparatório, foi importantíssimo taticamente. Já na estreia da Premier League, diante do Burnley, brilhou com dois gols e uma participação direta para o terceiro, onde converteu um balão, em seguida iniciou o contra-ataque. Tudo isso jogando com confiança e, principalmente, sem dores. Pela primeira vez em muito tempo, Richarlison parece 100%, e o torcedor brasileiro pode (e deve) comemorar.
Reencontro que pode dar samba

Carlo Ancelotti conhece Richarlison melhor do que muita gente. Os dois trabalharam juntos no Everton, numa época em que o Pombo ainda buscava afirmação na elite da Premier League. Mas não demorou pra que o italiano entendesse o valor daquele atacante inquieto, que jogava com a faca nos dentes.
Ancelotti o usou tanto como ponta quanto mais centralizado, muitas vezes formando dupla com Calvert-Lewin. E Richarlison, como de costume, correspondeu: entregou gols, assistências, correria e, acima de tudo, entrega total. Mesmo nas temporadas em que o time oscilava, ele era dos poucos que mantinha um bom nível, e não era incomum vê-lo em campo mesmo baleado. E técnico adora isso, né?
Por essas e outras, quando assumiu o comando da Seleção, Ancelotti não pensou duas vezes antes de convocá-lo, mesmo com outros nomes em melhor fase naquele momento. Era o voto de confiança que só um técnico que conhece o atleta de perto pode dar.
Aliás, vale lembrar: quando ainda estava no Real Madrid, o próprio Ancelotti chegou a pedir a contratação de Richarlison. O Everton dificultou, e o negócio não rolou. Mas a admiração ficou.
A concorrência existe, mas Richarlison tem um diferencial

A briga por um lugar no ataque da Seleção Brasileira está mais disputada do que nunca. Existem nomes em boa fase, jovens surgindo e outros com perfil semelhante ao do Pombo, jogadores que também entregam versatilidade, intensidade e presença ofensiva.
Tem gente brilhando na Premier League, como aqueles que chegaram recentemente em clubes grandes e já deixaram boa impressão. Outros estão firmando posição no futebol brasileiro e europeu com atuações consistentes, acumulando gols e minutos importantes. E ainda há os que, mesmo não estando nos holofotes o tempo todo, mantêm um nível competitivo alto o suficiente para bater na porta da Seleção.
Só que, mesmo com todas essas alternativas no radar, Richarlison segue sendo um nome que pesa. Pela experiência, pela entrega, pelo histórico com a Amarelinha e, claro, pela confiança quase cega que Ancelotti tem nele. Poucos jogadores hoje conseguem misturar tantos atributos físicos, técnicos e emocionais quanto ele.
A grande questão que se impõe é: ele vai conseguir manter essa fase até 2026? Porque se mantiver, vai ser difícil encontrar alguém mais confiável para a função.
Um Pombo motivado vale ouro
O Richarlison atual parece mais maduro, mais confiante e mais em forma do que nas últimas temporadas. Está jogando com alegria, mas também com seriedade. E isso muda tudo. Porque um atacante motivado, com repertório, raça e capacidade de decisão, pode ser um trunfo valioso em uma Copa do Mundo.
E convenhamos: se tem um nome que representa a alma da Seleção em campo, é ele. O Pombo pode não ser o mais refinado tecnicamente, mas entrega o que poucos entregam: presença, coragem, sacrifício e um senso de missão quase raro hoje em dia.
Então, se você perguntar hoje pra Ancelotti quem ele gostaria de ver voando em 2026, pode apostar: o Pombo vai estar no topo da lista.
Foto: Julian Finney/Getty Images