O Brasil vive um novo ciclo de renovação no UFC, e um dos nomes mais promissores dessa nova geração é Rodolfo Bellato. O lutador carioca, de 29 anos, terá sua maior vitrine até aqui no próximo dia 15 de junho, no UFC Atlanta, quando enfrentará o veterano escocês Paul Craig. A luta marca não apenas uma oportunidade de ouro para Bellato subir no ranking dos meio-pesados, mas também um teste crucial para medir sua capacidade diante de um oponente experiente, perigoso e com passagem recente entre os dez melhores da categoria.
A trajetória de Bellato no UFC é curta, mas chamativa. Com apenas duas lutas no evento até agora, ele já conseguiu mostrar por que é tratado como uma das maiores promessas brasileiras na divisão até 93kg. Em sua estreia oficial no UFC, Bellato venceu por nocaute técnico no segundo round o ucraniano Ihor Potieria, em uma performance sólida, com bom controle de distância e potência nos golpes.
Na luta seguinte, em fevereiro de 2025, empatou com o australiano Jimmy Crute em um combate equilibrado e movimentado, e apesar do resultado, saiu elogiado pela consistência e resistência física.
O estilo de Bellato: potência, volume e pressão
Bellato é um atleta completo. Sua base é o muay thai, com um jogo de striking agressivo, combinado a um jiu-jítsu competente, herdado de sua formação nas academias do Rio de Janeiro. No octógono, se destaca pelo ritmo alto, pelas sequências de socos e chutes em progressão e, acima de tudo, pela capacidade de manter a pressão mesmo em momentos adversos.
Nas duas lutas que disputou no UFC, apresentou uma impressionante taxa de acerto de golpes significativos e boa defesa de quedas, essencial ao enfrentar grapplers, como será o caso contra Paul Craig. Um aspecto ainda a ser lapidado é a gestão de ritmo e gás: no empate contra Crute, mostrou sinais de cansaço no terceiro round. Contudo, sua durabilidade é inegável, e ele mostrou maturidade para seguir lutando sob pressão.
Bellato tem um cartel de 12 vitórias e apenas 2 derrotas, ambas em etapas anteriores ao UFC, incluindo uma contra Vitor Petrino, que hoje também compõe o elenco da organização. Essas derrotas serviram como aprendizado, e desde então ele construiu uma sequência sólida de triunfos, ganhando espaço e respeito.
O desafio Paul Craig
Do outro lado do cage estará Paul Craig, escocês de 36 anos, dono de um currículo respeitável e conhecido por suas finalizações plásticas. Com 17 vitórias, sendo 13 delas por submissão, Craig tem no jiu-jítsu e no grappling sua principal arma. Já venceu nomes importantes como Magomed Ankalaev (em uma virada histórica nos segundos finais), Jamahal Hill e Nikita Krylov, sempre explorando brechas no jogo de chão dos adversários.
Mesmo em queda recente, com três derrotas nos últimos quatro combates, Craig segue sendo um lutador perigoso, especialmente se a luta for para o solo. Seu estilo não é vistoso em pé, e ele tende a ter dificuldades contra atletas que mantêm a luta em pé e o obrigam a trocar golpes. Ainda assim, não se pode subestimá-lo: seu poder de virar lutas com uma chave de braço ou um triângulo é conhecido por toda a divisão.
A maior vulnerabilidade de Craig está justamente em sua defesa em pé. Contra lutadores com bom boxe ou kickboxing, costuma sofrer com volume e combinações. Bellato, nesse sentido, parece ter o jogo ideal para neutralizá-lo, desde que evite ser levado ao chão e mantenha a concentração por todos os rounds.
O que esperar da luta?
O duelo entre Bellato e Craig deve ser um choque de estilos. De um lado, o brasileiro buscará manter a luta em pé, pressionando com jabs, chutes baixos e movimentação lateral, tentando quebrar a postura de Craig e acumular dano. Do outro lado, o escocês tentará encurtar a distância, puxar para a guarda e trabalhar suas finalizações a partir do solo.
Para Bellato, o caminho mais seguro passa por evitar quedas e não se empolgar a ponto de entrar no jogo de chão de Craig. Um detalhe importante é que o escocês, mesmo quando parece estar em desvantagem, sabe usar armadilhas, muitas vezes se colocando em posições aparentemente vulneráveis para então surpreender com uma finalização.
O fator condicionamento físico pode pesar. Bellato tem vantagem na juventude e no ritmo, mas precisa administrar o gás para não abrir espaço em rounds avançados, onde Craig costuma crescer quando o adversário se desgasta.
O que está em jogo?
Uma vitória para Bellato representaria um salto imediato em sua trajetória dentro do UFC. Derrotar um nome consolidado como Paul Craig o colocaria no radar da elite da divisão, possivelmente abrindo portas para enfrentar um top-15 em sua próxima aparição. Mais do que isso, serviria como uma espécie de “selo de validação” de que o Brasil tem, sim, uma nova geração pronta para brilhar nos palcos principais.
Para Craig, a luta representa uma possível recuperação de prestígio. Vencer um jovem em ascensão significaria que ainda tem lenha para queimar na divisão e que não deve ser descartado tão cedo.
Para o fã brasileiro, é também a oportunidade de ver, mais uma vez, um nome nacional despontando no maior palco do MMA mundial. No UFC Atlanta, o octógono será o palco de um novo capítulo dessa história em construção.
(Foto: Louis Grasse/PxImages)