Rodri voltou a jogar o futebol que o transformou em um dos melhores meio-campistas do planeta e foi o grande protagonista da classificação da Espanha para a final da Copa do Mundo. Na vitória convincente sobre a França, o volante comandou o meio-campo do início ao fim, dominou adversários estrelados e fez uma atuação que recolocou seu nome entre os principais candidatos à próxima Bola de Ouro.
Depois de conviver com críticas no início do Mundial, o camisa 16 respondeu da melhor maneira possível: jogando bola. A atuação diante dos franceses foi considerada uma das melhores de toda a competição e reforçou aquilo que Luis de la Fuente repetia desde a estreia da Espanha: bastava Rodri recuperar ritmo de jogo para voltar ao seu mais alto nível.
Agora, às portas da decisão da Copa do Mundo, o volante do Manchester City chega embalado e novamente no centro das conversas sobre quem merece conquistar o prêmio individual mais importante do futebol.
Rodri saiu pressionado, mas nunca perdeu a confiança do treinador
Nem tudo começou da melhor maneira para Rodri neste Mundial.
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Após a estreia contra Cabo Verde, o volante recebeu críticas por uma atuação abaixo do nível que costuma apresentar. Parte da torcida espanhola chegou a pedir a entrada de Martín Zubimendi como titular, acreditando que o jogador da Real Sociedad vivia melhor momento.
Luis de la Fuente, porém, jamais demonstrou qualquer dúvida.
Na entrevista coletiva após aquela partida, o treinador classificou as críticas como exageradas e saiu em defesa do seu principal jogador.
Segundo o comandante espanhol, questionar Rodri era quase um desrespeito com quem, para ele, continua sendo o melhor jogador do mundo.
Mais do que proteger seu volante, De la Fuente sabia exatamente o que estava acontecendo.
Depois de um longo período afastado por lesão, Rodri precisava apenas de minutos para recuperar ritmo e confiança.
O restante seria consequência.
Crescimento aconteceu jogo após jogo
Foi exatamente isso que aconteceu.
A cada partida, Rodri aumentava sua influência sobre o funcionamento da seleção espanhola.
Se nos primeiros jogos ainda parecia buscar o melhor condicionamento físico, nas fases decisivas voltou a controlar completamente o ritmo das partidas, característica que o transformou em referência mundial na posição.
Contra a França, essa evolução atingiu o ponto máximo.
O volante participou de praticamente todas as fases da construção ofensiva, apareceu para proteger a defesa sempre que necessário e ainda comandou a circulação de bola que deixou os franceses correndo atrás da posse durante boa parte da semifinal.
Foi uma atuação daquelas que nem sempre aparece nas estatísticas de gols e assistências, mas que qualquer treinador gostaria de mostrar como exemplo em uma sala de vídeo.
Os números mostram o tamanho da atuação
Quem assistiu ao jogo percebeu o domínio de Rodri.
Quem olha para os números entende ainda melhor o tamanho da exibição.
O espanhol já soma 655 passes certos na Copa do Mundo, com impressionantes 93% de aproveitamento, marca que representa o maior número registrado por um jogador em uma única edição do torneio desde 1966.
O dado ganha ainda mais peso quando comparado a um dos maiores meio-campistas da história recente.
Na campanha do título mundial da Espanha em 2010, Sergio Busquets completou 530 passes ao longo de sete partidas.
Rodri ultrapassou essa marca antes mesmo da final.
Mas seu desempenho não ficou restrito à distribuição de jogo.
Contra a França, foi o jogador que mais correu em campo, percorrendo 12,628 quilômetros, além de liderar as ações de alta intensidade durante toda a partida.
Também venceu 11 duelos individuais, número superior ao total conquistado por todos os jogadores franceses juntos na semifinal.
França tentou reagir, mas encontrou um muro no meio-campo
A missão de Rodri estava longe de ser simples.
Do outro lado estavam jogadores como Aurélien Tchouaméni, Adrien Rabiot e Manu Koné, além da criatividade de Michael Olise atuando entre as linhas.
Na prática, porém, o meio-campo espanhol controlou completamente o setor.
Rodri apareceu constantemente para oferecer linha de passe aos zagueiros, aliviar a pressão sobre os laterais e acelerar a circulação da bola sempre que a França tentava subir sua marcação.
Na segunda etapa, Didier Deschamps lançou Rayan Cherki para tentar aumentar a criatividade francesa.
A mudança, entretanto, pouco alterou o panorama da partida.
A Espanha continuou monopolizando a posse de bola e transformou os minutos finais em uma longa sequência de passes, arrancando gritos de “olé” da torcida presente no estádio.
Foi um daqueles momentos em que o adversário simplesmente corre atrás da bola sem conseguir encontrá-la.
Ídolos do futebol se rendem ao volante espanhol
Depois do apito final, não foram apenas os torcedores espanhóis que exaltaram Rodri.
Duas lendas do futebol mundial fizeram questão de destacar o desempenho do camisa 16.
Zlatan Ibrahimovic foi direto ao afirmar que o volante continua sendo um jogador digno da Bola de Ouro.
Para o ex-atacante sueco, poucos atletas conseguem dominar uma partida daquela maneira atuando em uma posição normalmente pouco valorizada nas premiações individuais.
Thierry Henry também não economizou elogios.
O francês destacou que Rodri controla completamente o ritmo das partidas, faz a Espanha respirar com a bola nos pés e permite que os jogadores ofensivos atuem em melhores condições.
Segundo Henry, o volante é o cérebro da seleção espanhola e um dos melhores jogadores do mundo em sua função.
Os elogios reforçam uma percepção que cresce a cada rodada da Copa do Mundo.
Rodri voltou ao seu nível máximo.
Bola de Ouro entra novamente no radar
Além da vaga na final, a semifinal também pode ter mudado a corrida pela Bola de Ouro.
As atuações de Rodri recolocaram seu nome entre os principais candidatos ao prêmio.
Segundo projeções e casas de apostas internacionais, o volante já aparece entre os três favoritos, atrás apenas de Lionel Messi e Jude Bellingham. Como argentinos e ingleses disputam a outra semifinal, um dos dois inevitavelmente ficará pelo caminho.
Isso faz da decisão da Copa do Mundo um possível divisor de águas.
Caso a Espanha conquiste o título e Rodri mantenha o nível apresentado diante da França, sua candidatura ganhará ainda mais força.
Não seria apenas uma recompensa pelos últimos jogos, mas pelo retorno impressionante de um jogador que transformou críticas em aplausos e lembrou ao mundo por que é considerado um dos meio-campistas mais completos de sua geração.
Se antes havia dúvidas sobre sua recuperação, agora elas desapareceram. Rodri voltou. E voltou justamente no momento em que a Espanha mais precisava dele.
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