A manutenção de Rodri virou prioridade para Enzo Maresca. O espanhol é o novo técnico do Manchester City e sua chegada marca o início de um capítulo importante e desafiador na história recente do futebol europeu. A contratação de Maresca carrega o peso e a responsabilidade de suceder Pep Guardiola, técnico responsável por erguer 20 troféus ao longo de uma década. Para evitar problemas de condução enfrentados por treinadores que sucederam trabalhos vitoriosos, Enzo Maresca sabe que a manutenção da competitividade do clube passa obrigatoriamente pela permanência do Rodri.
O treinador de 46 anos chega respaldado por uma trajetória com passagens pela Premier League. Após atuar como auxiliar de Guardiola na vitoriosa temporada de 2022-2023 e liderar a equipe de base do City anos antes, Maresca acumulou bagagem ao conquistar o título da Championship, a segunda divisão da Inglaterra, pelo Leicester City e, posteriormente, levar o Chelsea à quarta colocação da Premier League e aos títulos da Conference League e do Mundial de Clubes. Ainda assim, a transição pós-Guardiola oferece riscos.
Rodri ainda não tem o futuro definido
A missão de manter Rodri ficou dramática após pressão imposta pelo Real Madrid na janela de transferências. O volante espanhol de 30 anos, recém-campeão com o título da Copa do Mundo pela Espanha e vencedor da Bola de Ouro de melhor jogador da competição, virou alvo do clube espanhol.
A diretoria do Manchester City adota uma postura firme de não venda, empenhado em estender o vínculo do atleta, que entra no seu último ano de contrato. A influência de Rodri no sistema do City é respaldada não somente por números, mas também por momentos históricos. Além de marcar o gol do título da UEFA Champions League contra a Inter de Milão em 2023, Rodri teve uma sequência de 74 jogos de invencibilidade pelo clube entre 2023 e 2024. As ausências do espanhol por lesão em temporadas recentes demonstraram como sua ausência afeta a fluidez e o controle de jogo da equipe.
Os investimentos do Manchester City
Consciente da necessidade de manter o elenco fortalecido e preparado para cenários de transição, a diretoria do City movimentou o mercado ao investir 116 milhões de libras (cerca de R$ 792 milhões) na contratação do meio-campista inglês Elliot Anderson. Além disso, o clube monitora a situação do jovem francês Ayyoub Bouaddi, do Lille, e conta com peças no setor, como Tijjani Reijnders, Mateo Kovacic e Nico González. Porém, para o Manchester City, nenhum desses nomes entregam a liderança, capacidade de leitura de jogo e domínio de espaço que caracterizam o futebol do Rodri.
Em contrapartida às incertezas no meio-campo, o sistema defensivo do City garantiu solidez com a renovação contratual de Gvardiol. O defensor croata de 24 anos assinou um novo contrato de cinco anos com o clube. Eleito o jogador da temporada do time em 2024-25 e acumulando seis troféus desde sua chegada do Red Bull Leipzig, Gvardiol destacou a intensidade das equipes de Enzo Maresca em seus confrontos anteriores e se colocou como um dos pilares para os próximos anos de sucesso na Inglaterra.
O desafio de suceder Pep Guardiola
A comparação entre a chegada de Enzo Maresca e a infame transição de David Moyes no Manchester United após a aposentadoria de Alex Ferguson é descartada pela diretoria do City devido às diferenças de contexto. Diferente de Moyes em 2013, Maresca chega com vivência prévia dentro da estrutura do Manchester City e bagagem sob a pressão de grandes clubes, demonstrada durante sua passagem pelo Chelsea.
Com as semanas finais do mercado de transferências em andamento, o Manchester City corre contra o tempo para convencer Rodri a permanecer no futebol inglês. A tradição do clube em não manter atletas insatisfeitos colide com a importância que o Rodri representa no esquema tático para a temporada de estreia de Maresca. Garantir a permanência do seu principal organizador de jogo é importantíssimo para esta nova era vivida no Etihad Stadium.
Créditos da foto de capa: Paul Ellis/AFP



