Rodrygo, Real Madrid
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Rodrygo trabalha em silêncio para recuperar espaço no Real Madrid

Rodrygo mais uma vez se encontra numa posição complicada no Real Madrid, mas não se rende. Na equipe merengue, isso costuma ser meio caminho andado para ganhar espaço ou, no mínimo, uma nova chance de virar a chave. Assim como viveu com Xabi Alonso algumas dificuldades, com Arbeloa não tem sido diferente.

Mesmo com poucos minutos nas últimas partidas, o brasileiro chega motivado para o duelo deste domingo, em Mestalla, contra o Valencia. Não é um jogo qualquer. A suspensão de Vinicius Jr abre uma vaga justamente na posição favorita de Rodrygo, o lado esquerdo do ataque. Aquela faixa do campo onde ele se sente em casa com bastante confiança para ser falta, local em que já decidiu jogos grandes e onde acredita poder reencontrar sua melhor versão.

Um ponto importante, é que na última quinta-feira, Rodrygo não apareceu no gramado ao lado do restante do elenco. Nada de drama até o momento, gelo no joelho ou sirenes de alerta. A decisão foi estratégica. O camisa 11 optou por um trabalho individualizado na academia, ajustando detalhes físicos e buscando o máximo rendimento para um jogo que ele já trata como especial.

A ideia é simples: chegar inteiro, leve e pronto para aproveitar a oportunidade, colocar um dúvida na cabeça do atual treinador, sobre quem merece ficar no lado esquerdo do ataque, ou pelo menos, acabar com as questões sobre Rodrygo marcar presença no banco de reservas. No Real Madrid, as chances não batem na porta duas vezes, principalmente para quem disputa espaço com nomes como Vinicius, Bellingham e companhia.

Um momento complicado… e cheio de nuances

A chegada de Álvaro Arbeloa ao comando técnico coincidiu com uma fase ingrata para Rodrygo. O brasileiro perdeu os três primeiros jogos da nova era, contra Albacete, Levante e Monaco, por conta de um problema muscular que o clube tratou com um certo sigilo. Não houve boletim médico detalhado, nem prazo claro de retorno. Rodrygo ficou fora da dinâmica do grupo e só voltou a aparecer na véspera do duelo de Champions contra o Monaco, ainda assim sem ser relacionado.

O retorno aos gramados demorou mais um pouco. Ele voltou a ser opção em Villarreal, mas sem sair do banco. A reestreia de verdade aconteceu na Champions, em Lisboa, contra o Benfica. E aí veio a noite para esquecer.

O jogo na Luz foi pesado para o Real Madrid, e especialmente para Rodrygo. Antes do gol decisivo de Trubin, que selou a classificação portuguesa e tirou o clube espanhol do Top-8, o brasileiro acabou expulso por dupla advertência, ambas por reclamação. Um raro momento de descontrole de um jogador que normalmente se destaca pela serenidade.

Menos de 24 horas depois, o Rayo fez questão de se pronunciar publicamente. Pediu desculpas à torcida, ao clube, aos companheiros e ao treinador. Reconheceu o erro, assumiu as consequências e deixou claro que aquilo não reflete sua postura habitual. Foi um gesto importante, dentro e fora do vestiário, apesar de não ser capaz de fazê-lo voltar no tempo.

O cartão vermelho, claro, cobra seu preço. Rodrygo será desfalque na ida do playoff da Liga dos Campeões, justamente no retorno ao estádio da Luz, palco do trauma recente. Mas, no cenário doméstico, o vento começa a soprar a favor.

Rodrygo vê em Mestalla a chance de virar a chave no Real Madrid

Aos poucos, Rodrygo volta a entrar no radar de Arbeloa. Contra o Rayo Vallecano, ganhou cerca de 15 minutos em um momento de pressão total do Madrid sobre a área adversária. Pouco tempo, mas o suficiente para mostrar intensidade e vontade.

Agora, em Valencia, o cenário é outro. Vinicius está suspenso, Bellingham segue fora por lesão, e o ataque do Real Madrid ganha um novo desenho. Tudo aponta para a primeira titularidade de Rodrygo sob o comando de Arbeloa, e justamente na ponta esquerda. Só que também, é necessário que o técnico possui outras opções, Brahím Díaz, Franco Mastantuono e entre outros nomes interessantes.

Apesar de já ter atuado em praticamente todas as posições do ataque, Rodrygo sempre deixou claro, de forma direta ou indiretamente, que rende mais pelo lado esquerdo. Foi ali que ele brilhou em vários momentos decisivos, ainda que a ascensão de Vinicius tenha limitado suas oportunidades nesse setor.

Disputa aberta e portas escancaradas

Curiosamente, a ala direita do ataque do Real Madrid segue sem dono definitivo. Já passou gente por ali, testaram ideias, mudaram funções e nada se consolidou. Isso dobra as possibilidades para Rodrygo. Um bom jogo em Mestalla pode não só garantir sequência pela esquerda, como também reforçar seu valor como peça versátil e indispensável no elenco.

No passado recente, com Xabi Alonso, Rodrygo chegou até a ganhar a preferência em alguns momentos, deixando o então camisa 7 no banco. Não durou muito, é verdade, mas mostrou que o brasileiro tem crédito interno quando entrega em campo. Sempre se portou como um profissional muito técnico, com um teto altíssimo, então, precisa ser valorizado.

Com Arbeloa, até agora, não houve debate público sobre hierarquia. Nem quando Rodrygo estava lesionado, nem agora. Mas o jogo de domingo surge como aquele clássico ponto de inflexão: ou você aproveita, ou o trem passa.

O brasileiro não vive seu melhor momento no Real Madrid. Isso é fato. Mas também não está descartado, nem esquecido. Pelo contrário. O contexto se reorganiza, as ausências aparecem e o calendário oferece uma chance clara de resposta.

Em Mestalla, o Rayo pode reencontrar ritmo, protagonismo e, quem sabe, um sorriso mais largo. Não para provar algo a alguém, mas para lembrar a todos, inclusive a si mesmo, por que ele chegou onde chegou. No Real Madrid, o espaço nunca é dado. É tomado. E Rodrygo parece pronto para tentar de novo.

Foto: Getty Images