Gustavo Kuerten, mais conhecido como Guga, é um dos maiores ídolos do esporte brasileiro. Com três títulos em Roland Garros, é também o maior tenista masculino do Brasil. Seu primeiro título no Grand Slam foi em 1997, quando era apenas o 66º do mundo. Longe de ser apontado como um dos favoritos, surpreendeu a todos.
Mas até mais do que isso, com 20 anos, a conquista do major também foi o seu primeiro no circuito da ATP. Já em 2000 e 2001, Guga era reconhecido por ser excelente durante a temporada de saibro. Dos seus 20 títulos de simples na tour, 14 vieram na terra batida.
Se consagrando como um dos principais tenistas neste piso, dava trabalho para os adversários e, muitas vezes, já entrava como favorito.
Títulos de Guga em Roland Garros
1997
66º no ranking da ATP antes do início de Roland Garros de 1997, Guga começou o torneio muito bem. O primeiro confronto foi contra Slava Dosedel (73º) e o brasileiro venceu por 3 a 0, 6/0, 7/5 e 6/1. Dominante e seguro, não teve qualquer problema na primeira rodada.
Já na segunda, encontrou um pouco mais de dificuldade. O adversário foi Jonas Bjorkman (23º) e Guga chegou a perder um set. Com parciais de 6/4, 6/2, 4/6 e 7/5, o catarinense tinha iniciado muito bem a partida, mas viu o oponente crescer no terceiro set. Mesmo assim, conquistou a vaga para a terceira rodada.
E foi quando veio a primeira grande pedrada. Thomas Muster (5º) vivia um ótimo ano, foi campeão na França em 1995 e era acostumado a ter bons resultados no saibro. Entrou na partida como grande favorito, mas viu o brasileiro dar mais trabalho do que esperado. O austríaco saiu na frente e Guga buscou a virada, 6/7 (3), 6/1, 6/3, 3/6 e 6/4.
Só que veio mais um duelo complicado nas oitavas de final. Andrei Medvedev (20º) terminou sua carreira sem ter sido campeão de um Grand Slam, contudo, sempre foi um adversário duro. O ucraniano também era o favorito e venceu o primeiro set. Guga reagiu e ficou com a vitória, por 3 a 2, 5/7, 6/1, 6/2, 1/6 e 7/5.
Nas quartas veio a maior zebra da campanha, e uma das maiores na história do Aberto da França. Gustavo derrotou Yevgeny Kafelnikov (3º), também em cinco sets. Dessa vez, o catarinense começou vencendo, levou a virada, mas buscou a vitória nos dois últimos sets. As parciais foram de 6/2, 5/7, 2/6, 6/0 e 6/4.
O confronto foi visto como uma final antecipada e, depois da vitória de Guga, o tenista passou a ser um dos favoritos. Na semifinal, ganhou de Filip Dewulf (122º), por 3 a 1, 6/1, 3/6, 6/1 e 7/6 (4). Na final, com uma grande confiança, o título foi conquistado em três sets, superando Sergi Bruguera (19º) 6/3, 6/4 e 6/2.
2000
Guga só voltou a vencer em Paris em 2000, três anos depois do primeiro título. Dessa vez, o brasileiro entra na disputa como top 5 e só enfrentou dois tenistas que estavam na sua frente no ranking. Os dois primeiros jogos foram tranquilos e ganhou de Andreas Vinciguerra (52º), 6/0, 6/0, e 6/3, e Marcelo Charpentier (230º), 7/6 (5), 6/2 e 6/2.
Na terceira rodada, contra Michael Chang (33º), a disputa foi em quatro set, 6/3, 6/7 (9), 6/1 e 6/4. Mas o catarinense voltou a ganhar em sets diretos nas oitavas, contra Nicolas Lapentti (11º), 6/3, 6/4 e 7/6 (4). Só que, nas quartas, veio um grande rival: Kafelnikov (4º).
Dessa vez, Guga não era a grande zebra e veio outra longa batalha contra o russo. De novo, Gustavo ganhou em cinco sets, nos mesmos moldes de 1997: vencendo o primeiro, sofrendo a virada e ganhando os dois últimos. As parciais do grande confronto foram de 6/3, 3/6, 4/6, 6/4 e 6/2.
A semifinal foi contra Juan Carlos Ferrero (16º) e teve mais um espetáculo dos tenistas. Em cinco sets, o brasileiro conquistou a vaga na final ganhando por 7/5, 4/6, 2/6, 6/4 e 6/3. Indo para a decisão, enfrentou o n.º 3 da época, Magnus Norman. Diferente de 1997, o jogo foi mais difícil. Buscando o segundo título em Paris, Guga saiu na frente, abrindo 2 a 0, 6/2 e 6/3.
Nos dois primeiros sets, esteve muito bem e dominou o duelo. Só que não manteve o mesmo ritmo e, no terceiro set, acabou sendo superado, 2/6. No terceiro, com equilíbrio, houve tie break após Kuerten desperdiçar 10 match points. A vitória foi por 8 a 6, no 11º match point, conquistando o seu segundo Grand Slam.
2001
Na campanha de 2001, Guga já era o número 1 do mundo. O brasileiro chegou na França como um dos favoritos, e por diversos motivos. Nos anos anteriores, mostrou o que conseguia fazer no saibro, além de ser o atual campeão em Paris. Mesmo assim, não teve uma vida fácil.
Nas primeiras duas rodadas, Kuerten se classificou com tranquilidade. Enfrentou dois argentinos, primeiro veio Guillermo Coria (25º) e, depois, Agustin Calleri (74º), vencendo de ambos por 3 a 0. De forma até inesperada, teve um pouco mais de dificuldade contra Karim Alami.
O marroquino deu trabalho, com dois sets indo para o tie break e a vitória sendo por 3 a 1, 6/3, 6/7 (3), 7/6 (5) e 6/2. Em outra surpresa, precisou de cinco sets para vencer Michael Russell (122º), tenista com o pior ranking dessa campanha. E não só isso, mas quase veio uma zebra, com o catarinense perdendo por 2 a 0. As parciais foram de 3/6, 4/6, 7/6 (3), 6/3 e 6/1.
Assim como em 1997 e 2000, Guga precisou enfrentar Kafelnikov, que era o 7º nesse período. Em quatro set, passou pelo rival, o eliminando nas quartas mais uma vez, 6/1, 3/6, 7/6 (3) e 6/4. Já Juan Carlos Ferrero foi o tenista com o melhor ranking no caminho do brasileiro. Mas a vitória veio com tranquilidade: 6/4, 6/4 e 6/3.
Na final, Alex Corretja (13º) foi o adversário e Guga perdeu o primeiro set, no tie break, 6/7 (3). O segundo set ainda foi equilibrado, mas Gustavo conseguiu o empate, 7/5. Subindo de nível e já passando a dominar a partida, não deu mais chances para o espanhol. Nos dois últimos sets, Kuerten teve total controle, ganhou por 6/2 e 6/0 e conquistou o terceiro título em Roland Garros.
Foto: Al Bello/Getty Images



