Ronda Rousey x Gina
Lutas MVP MMA UFC

Ronda Rousey faz história na Netflix e prova que o MMA feminino ainda move multidões

Ronda Rousey talvez tenha acabado de protagonizar um dos retornos mais impactantes da história recente dos esportes de combate. Durante anos, muita gente repetiu que o auge do MMA feminino havia passado, que o fenômeno criado pela ex-campeã do UFC tinha ficado preso na década passada e que o público jamais voltaria a parar tudo para assistir duas lendas retornando quase uma década depois. Bom… a Netflix e a MVP acabaram de esfregar números absurdos na mesa para destruir completamente essa teoria.

O evento liderado por Ronda Rousey e Gina Carano simplesmente se tornou o evento de MMA mais assistido da história dos Estados Unidos. E não foi “por pouco”.

Segundo os números divulgados oficialmente por Netflix e MVP, o card realizado no Intuit Dome, em Los Angeles, teve média global de 12,4 milhões de espectadores e pico de 17 milhões ao redor do mundo. Apenas nos Estados Unidos, a transmissão registrou média de 9,3 milhões de espectadores e pico de 11,6 milhões.

Isso significa que o evento ultrapassou um recorde histórico que parecia praticamente intocável: o UFC on FOX 1, em 2011, que havia alcançado pico de 8,8 milhões de espectadores com a luta entre Cain Velasquez e Junior Cigano.

Sim, Ronda Rousey voltou depois de nove anos parada e conseguiu colocar mais gente para assistir MMA do que alguns dos maiores eventos da era moderna do UFC. Nada mal para alguém que muitos juravam estar “aposentada demais” para ainda ser relevante.

Netflix, Jake Paul e o começo de uma nova guerra no MMA

O mais interessante dessa história talvez nem seja apenas o retorno histórico de Ronda Rousey e Carano. O que realmente chama atenção é o tamanho da mensagem enviada pela MVP, empresa criada por Jake Paul e Nakisa Bidarian. Porque isso claramente não foi tratado como um evento isolado.

O discurso da organização após o card praticamente confirmou que existe um plano muito maior acontecendo nos bastidores. Segundo Jake Paul e Bidarian, a empresa recebeu um enorme interesse de investidores, lutadores e parceiros estratégicos interessados em participar do futuro do MVP MMA.

E honestamente? Dá para entender perfeitamente o motivo. A Netflix entrou no MMA e já chegou quebrando recordes históricos de audiência. Isso muda completamente a conversa sobre o futuro das transmissões esportivas.

Durante décadas, o UFC dominou o mercado do MMA praticamente sem concorrência real no topo. Só que agora existe uma gigante do streaming com dinheiro infinito, alcance mundial e uma audiência acostumada a consumir eventos ao vivo dentro da plataforma.

E existe um detalhe importante: a Netflix não precisa pensar como um pay-per-view tradicional.

O objetivo da plataforma não é vender apenas uma luta. É gerar assinaturas, engajamento, repercussão e permanência dentro do ecossistema deles. E nisso, poucos esportes conseguem gerar barulho tão rápido quanto o MMA.

Ainda mais quando você junta nostalgia, nomes históricos e uma boa dose de caos.

Ronda Rousey voltou como se 2015 nunca tivesse acabado

No meio de toda essa loucura de audiência, transmissão histórica e números milionários, Ronda Rousey ainda encontrou espaço para fazer algo que parecia impossível: lembrar o mundo inteiro de quem ela foi no auge.

A luta principal durou apenas 17 segundos. Dezessete.

Ronda Rousey entrou, pressionou e finalizou Gina Carano com uma chave de braço vintage, praticamente uma viagem no tempo para os fãs que acompanharam a explosão do MMA feminino na década passada. Foi sua primeira luta em nove anos.

E talvez o mais impressionante nem tenha sido a velocidade da vitória, mas sim o tamanho da reação do público. Durante muito tempo, a imagem de Ronda ficou extremamente ligada às derrotas pesadas contra Holly Holm e Amanda Nunes no UFC. Parecia que o legado dela tinha terminado ali.

Só que o esporte é cruel, mas também adora narrativas de redenção. E ver Ronda vencendo novamente, em um palco gigantesco, numa transmissão histórica da Netflix, trouxe um peso emocional absurdo para o evento.

Já Gina Carano, que não competia havia incríveis 17 anos, também cumpriu um papel gigantesco no espetáculo. Porque antes de existir a popularização do MMA feminino como conhecemos hoje, Carano ajudou a abrir portas num período em que praticamente ninguém levava mulheres lutando a sério.

Sem Gina Carano, talvez nunca existisse a Ronda superstar que o mundo conheceu depois.

Nate Diaz sangrando, Ngannou destruindo e Mike Perry sendo Mike Perry

Como se o retorno de duas lendas já não fosse suficiente, o card ainda conseguiu entregar outras atrações gigantescas. Mike Perry e Nate Diaz fizeram exatamente o que todo mundo esperava: violência, caos e muito sangue.

Perry venceu por interrupção médica após o segundo round, depois de transformar o rosto de Diaz praticamente em um filme de terror. E convenhamos: existe algo muito engraçado no fato de Nate Diaz sempre conseguir parecer confortável mesmo completamente ensanguentado.

Enquanto isso, Francis Ngannou voltou ao MMA lembrando o planeta inteiro que talvez ainda seja o homem mais assustador dos esportes de combate. O camaronês precisou de apenas um round para demolir Philipe Lins com um nocaute brutal.

Foi o típico golpe que faz a transmissão parecer até desligar por meio segundo de tão absurdo. No fim das contas, o evento da MVP não foi apenas um sucesso de audiência. Foi uma declaração pesada para o mercado inteiro do MMA.

A Netflix percebeu que existe ouro escondido nos esportes de combate. Jake Paul percebeu que sua empresa pode competir em um mercado muito maior do que imaginavam. E o público percebeu uma coisa importante:

o MMA ainda consegue parar o mundo quando encontra a combinação certa de estrelas, narrativa e espetáculo.

Foto: Getty images for Netflix