Netflix's Ronda Rousey vs. Gina Carano - Press Conference - MVP
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Ronda Rousey x Gina Carano: por que a luta viralizou com suspeitas de armação?

A vitória de Ronda Rousey contra Gina Carano não chegou a ser surpreendente. Ainda assim, a facilidade com que Rowdy superou a lendária adversária na luta principal do MVP MMA 1 chamou atenção nas redes sociais: será que tudo não passou de uma armação?

Em apenas 17 segundos, Ronda Rousey atacou Gina Carano, levou a rival para o chão e aplicou uma chave de braço (arm lock), fazendo com que a adversária batesse e pedisse o fim da luta. Nas redes sociais, houve muitos comentários sobre uma possível encenação.

A dúvida ocorre, principalmente, porque muitos espectadores não costumam acompanhar as lutas de MMA. Como o evento da MVP foi transmitido via Netflix, em um acordo inédito, boa parte do público não está acostumada a acompanhar o esporte. Para quem conhece pouco sobre artes marciais mistas, uma luta tão rápida pode realmente parecer estranha.

O problema é que, dentro do contexto do MMA, o resultado esteve longe de ser absurdo. Pelo contrário. A vitória dominante de Ronda fazia bastante sentido tecnicamente.

Diferença técnica explica domínio de Ronda

Grande parte das suspeitas sobre a luta surgiu por causa da facilidade da vitória. Mas existe um fator importante que ajuda a explicar o cenário: a diferença física e técnica entre as duas atletas.

Gina Carano é um dos nomes mais históricos do MMA feminino e ajudou a popularizar o esporte nos anos 2000. Porém, a veterana estava longe do octógono havia quase duas décadas. O ritmo de treino, a evolução física do esporte e a preparação das atletas mudaram drasticamente nesse período.

Enquanto isso, Ronda construiu uma carreira baseada justamente em explosões rápidas e finalizações relâmpago. Mesmo aposentada do UFC há anos, ela ainda possui um repertório técnico muito superior ao da rival no grappling, especialmente no jiu-jítsu e nas quedas.

A diferença apareceu logo nos primeiros movimentos. Ronda encurtou a distância rapidamente, derrubou Gina sem dificuldade e encaixou sua especialidade: a chave de braço. A partir daquele momento, restavam poucas opções para a adversária além da desistência.

Outro detalhe importante é que lutadores experientes costumam “bater” rapidamente quando percebem que uma finalização está completamente encaixada. Isso evita lesões graves. No passado, a própria Ronda já lesionou rivais que demoraram para desistir.

Por isso, embora a cena tenha parecido exageradamente fácil para parte do público, especialistas e fãs antigos de MMA enxergaram a luta como algo relativamente normal dentro das características das duas atletas.

Estilo agressivo de Ronda já produziu lutas ainda mais rápidas

Quem acompanhou a carreira de Ronda no UFC sabe que vitórias extremamente rápidas nunca foram novidade. O estilo agressivo da ex-campeã sempre foi marcado por pressão imediata e ataques no primeiro minuto.

Inclusive, ela já venceu lutas importantes em menos tempo do que contra Gina Carano. Em duas ocasiões diferentes no UFC, Ronda finalizou adversárias em 14 e 16 segundos. Ou seja, o triunfo no MVP MMA 1 sequer entrou como o mais rápido de sua trajetória.

Isso ajuda a desmontar parte da teoria de armação que viralizou nas redes sociais. Para muitos novos espectadores, uma luta acabar em menos de 20 segundos parece impossível. No MMA profissional, porém, isso acontece com certa frequência — principalmente quando existe um desequilíbrio técnico muito grande.

O próprio card do evento mostrou confrontos considerados desbalanceados. Em várias lutas, havia favoritos muito claros antes mesmo do início do combate. Esse tipo de montagem não costuma acontecer com frequência no UFC, que normalmente tenta criar duelos mais equilibrados para aumentar a competitividade.

Esse talvez seja o principal ponto de atenção para a MVP pensando nos próximos eventos. O acordo com a Netflix gerou enorme visibilidade e atraiu um público novo para o MMA. Porém, lutas rápidas demais e com diferenças técnicas muito evidentes podem acabar gerando desconfiança em espectadores menos acostumados com o esporte.

Ainda assim, no caso específico de Ronda, o domínio relâmpago esteve muito mais ligado ao histórico da lutadora do que a qualquer indício concreto de armação.

Foto: Sarah Stier/Getty Images for Netflix