Ronda Rousey finalmente conseguiu o encerramento que parecia faltar em sua trajetória no MMA. Quase dez anos depois de sua saída conturbada do UFC, a ex-campeã voltou ao cage para uma última apresentação e precisou de apenas 17 segundos para finalizar Gina Carano na luta principal do primeiro MVP MMA.
O retorno marcou não apenas mais uma vitória para uma das maiores pioneiras da história do esporte, mas também sua despedida definitiva das artes marciais mistas. Logo após o combate, Rousey confirmou sua segunda aposentadoria, encerrando oficialmente uma carreira que ajudou a transformar o MMA feminino.
Como foi a luta?
Mesmo após quase uma década afastada das competições, Rousey mostrou exatamente as características que fizeram dela uma das atletas mais dominantes de sua geração. Assim que a luta começou, a ex-campeã avançou agressivamente para cima de Gina Carano, conseguiu a queda quase instantaneamente e rapidamente assumiu posição dominante no chão.
Já montada sobre a adversária, Rousey aplicou alguns golpes de ground and pound para abrir espaço antes de atacar com seu movimento mais clássico. Sem dar chances de defesa, encaixou a tradicional chave de braço e obrigou Carano a desistir ainda nos primeiros segundos do confronto. A vitória marcou a décima finalização por chave de braço da carreira de Rousey, todas conquistadas ainda no primeiro round.
Análise: Rousey ganha o fim que merece, mas main event pode fazer mal ao evento
Mais do que o resultado, a apresentação teve um forte peso simbólico. Durante anos, Rousey carregou a imagem de uma lenda que saiu do esporte em baixa após derrotas duras e uma pressão gigantesca em torno de sua carreira. O retorno para uma despedida vitoriosa ajudou a reconstruir parte dessa narrativa, principalmente diante de outra figura histórica do MMA feminino como Gina Carano.
Tecnicamente, a luta praticamente não existiu em termos de equilíbrio competitivo. A diferença de ritmo, explosão e eficiência no grappling ficou evidente desde o primeiro movimento. Mesmo afastada por tantos anos, Rousey mostrou que sua transição para o clinch e sua agressividade nas entradas continuam extremamente perigosas, especialmente contra adversárias sem o mesmo refinamento defensivo no jogo de solo.
A escolha de Gina Carano como última adversária também reforçou o caráter histórico do evento. Antes mesmo da explosão do MMA feminino no UFC, as duas ajudaram, em momentos diferentes, a abrir portas para mulheres no esporte. Carano foi uma das primeiras estrelas midiáticas da modalidade, enquanto Rousey transformou o MMA feminino em produto principal dentro do maior evento do mundo.
No fim, o combate funcionou menos como uma disputa esportiva equilibrada e mais como uma celebração de legado. Rousey entrou, executou exatamente aquilo que marcou sua carreira e saiu do esporte da forma que talvez sempre imaginou: dominante, ovacionada e vencendo pela técnica que a transformou em ícone global.
Apesar disso, o main event pode se tornar um problema para o MVP MMA, que trouxe lutas de alto nível durante o card. No entanto, a performance de Carano na luta principal não foi boa o suficiente, o que era entendível por conta de quase 20 sem entrar no cage. Para o próximo evento, a organização terá que pensar em um main event mais equilibrado.
(Foto: Getty Images)