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Salah e Liverpool agitam os fanáticos fãs egípcios do atacante; Confira

Com Mohamed Salah no centro das atenções, o que mais chama a atenção no Cairo, além do barulho constante, é a multidão interminável de pessoas. O Egito possui cerca de 120 milhões de habitantes, e sua capital concentra aproximadamente 23 milhões. Para efeito de comparação, Liverpool tem pouco menos de um milhão de moradores. Entender essa escala é essencial para compreender a magnitude da reação nacional que surgiu após a entrevista explosiva do atacante, em 6 de dezembro, quando afirmou que havia sido “abandonado” pelos Reds.

Na mídia britânica, Salah foi alvo de críticas severas. O ex-zagueiro do Liverpool, Jamie Carragher, classificou a entrevista como uma “vergonha” e acusou o jogador de prejudicar o clube. Outros comentaristas sustentaram que o egípcio errou ao tornar públicas suas insatisfações. No entanto, no Cairo, o “Rei Egípcio” permanece acima de qualquer contestação. Durante as eleições presidenciais de 2018, mais de um milhão de eleitores anularam seus votos e escreveram o nome do atacante dos Reds na cédula. Para muitos, ele é um líder informal. Nessas regiões, ganhou o apelido de “Quarta Pirâmide”.

Nos arredores da Praça Ramsés — um dos principais centros de transporte do Cairo, onde Salah costumava trocar de ônibus para chegar aos treinos durante sua adolescência, em um trajeto diário de até nove horas —, frequentadores de cafés relatam sua incredulidade ao vê-lo no banco de reservas por três partidas consecutivas sob o comando de Arne Slot. O espanto aumentou quando ele sequer foi convocado para o duelo da UEFA Champions League contra a Internazionale, vencido pelo Liverpool por 1 a 0 no Giuseppe Meazza.

Entre brincadeiras, alguns dizem que Salah está presente em praticamente todos os times do Fantasy Premier League. A maioria tem demonstrado apoio irrestrito nas redes sociais, compartilhando mensagens e vídeos do atacante. Na semana passada, o técnico da seleção egípcia, Hossam Hassan — maior artilheiro da história do país — teve uma longa conversa com o camisa 11 dos Reds. O treinador conduziu o diálogo convencido de que o Egito precisará dele na sua melhor forma, independentemente de sua situação no Liverpool, para ter chances reais no torneio no Marrocos.

Antes da saída de Salah de Merseyside para a Copa Africana de Nações, Slot insistiu que “não havia nenhum problema a ser resolvido” na convocação do egípcio, enquanto companheiros de equipe declararam publicamente o desejo de que ele permanecesse. Vale destacar que o astro ainda se enxerga como um dos primeiros nomes da escalação do Liverpool. Durante sua ausência, seu agente, Ramy Abbas, seguirá em conversas com o clube. Nos últimos anos, o atacante frequentemente conseguiu impor sua vontade, tanto no clube quanto na seleção.

Este é o mesmo jogador que, em abril, sentou-se simbolicamente em um trono dentro de Anfield para celebrar a renovação de contrato — depois de ter dado a entender anteriormente que estava “mais fora do que dentro”. Em 2018, também venceu uma disputa de alto nível com a Federação Egípcia de Futebol sobre direitos de imagem, episódio que chegou a exigir a intervenção do governo. Ainda assim, pela primeira vez em muito tempo, há a sensação de que o romance entre Salah e o Liverpool pode estar se aproximando do fim.

O entendimento atual é que nem o clube nem o jogador desejam uma rescisão em janeiro, embora uma transferência ao fim da temporada possa beneficiar ambas as partes. Clubes da Arábia Saudita demonstram interesse em contratar o atacante, cujo vínculo com Anfield — avaliado em cerca de 400 mil libras semanais — vai até 2027. Acredita-se que, mesmo em caso de saída, Salah possa voltar a viver na Inglaterra com a esposa e as duas filhas após a aposentadoria, já que a família aprecia o estilo de vida britânico.

Na estrada que liga o Cairo ao aeroporto — percurso que o astro dos Reds percorreu inúmeras vezes —, outdoors exibem sua imagem por todos os lados. No Egito, todos os caminhos levam a Salah. Na televisão, um novo comercial mostra o jogador sendo questionado pelas filhas sobre o motivo de continuar treinando, mesmo após conquistar tantos títulos com o Liverpool. Um detalhe ainda pesa: ele nunca venceu a Copa Africana de Nações, tendo perdido as finais de 2017 e 2021. Conquistar o torneio segue sendo uma ambição central.

Salah acredita que atuar na Premier League lhe oferece a melhor chance de alcançar esse objetivo. O sucesso com a seleção tem um significado profundo para ele. Até hoje, disputou apenas uma Copa do Mundo, em 2018, quando não estava em plenas condições físicas após a lesão no ombro sofrida na final da UEFA Champions League daquele ano, contra o Real Madrid. Na Rússia, o Egito caiu ainda na fase de grupos, perdendo as três partidas. No Mundial do próximo ano, a seleção estará no mesmo grupo de Bélgica, Irã e Nova Zelândia — uma nova oportunidade de brilhar no maior palco do futebol.

Foto: AFP/Getty Images

Salah e Liverpool agitam torcedores egípcios apaixonados pelo atacante

Mohamed Salah voltou a dominar o noticiário esportivo no Egito após uma semana marcada por intensas polêmicas envolvendo sua situação no Liverpool e sua preparação para a Copa Africana de Nações. A relação entre o craque e o clube inglês atravessou um momento delicado depois que o jogador criticou publicamente a instituição, afirmando sentir-se “jogado sob o ônibus”, pela diretoria e pelo técnico Arne Slot, após ser afastado do time titular em partidas recentes da Premier League.

A declaração do atacante, de 33 anos, repercutiu amplamente na mídia egípcia e alimentou debates acalorados nas redes sociais sobre seu futuro em Anfield. Em resposta, torcedores no Egito reagiram com apoio massivo ao seu ídolo. Para muitos, o desentendimento foi interpretado como uma injustiça contra um dos maiores nomes da história do futebol nacional. Jornalistas, fãs e comentaristas classificaram a situação como uma “humilhação” e reforçaram o status de Salah como símbolo nacional e fonte de inspiração para milhões.

Apesar das tensões, Salah voltou a campo pelo Liverpool contra o Brighton, entrando no segundo tempo e contribuindo com uma assistência na vitória por 2 a 0 em Anfield. A recepção foi calorosa, com aplausos e ovacionamentos, demonstrando que, mesmo em meio à crise interna, o jogador segue prestigiado tanto pelos torcedores ingleses quanto pelos egípcios.

Agora concentrado com a seleção do Egito para a disputa da Copa Africana de Nações, Salah permanece como fonte de esperança e orgulho para seus compatriotas, que acompanham cada passo do “Faraó de Liverpool”, aguardando com expectativa o desfecho de sua relação com o clube inglês.

Foto: Getty Images

Como Salah busca consolidar o Egito entre os favoritos ao título da Copa Africana de Nações de 2025

Maior ídolo do futebol egípcio na última década, Mohamed Salah chega à Copa Africana de Nações de 2025 com uma missão clara: recolocar o Egito no topo do continente e transformá-lo novamente em candidato real ao título. Aos 33 anos, vive um estágio de maturidade plena, exercendo liderança que vai além das atuações decisivas e dos gols.

Após campanhas recentes frustrantes, Salah entende que o sucesso passa por maior equilíbrio entre talento individual e organização coletiva. Internamente, atua como referência técnica e emocional, cobrando intensidade, disciplina tática e personalidade nos momentos decisivos — fatores que faltaram em edições anteriores.

Em campo, segue sendo o principal diferencial ofensivo. Sua capacidade de decidir partidas em transições rápidas, bolas paradas e jogadas individuais continua sendo a maior arma egípcia diante de rivais como Senegal, Marrocos, Nigéria e Costa do Marfim. A comissão técnica aposta em sua experiência europeia para acelerar o amadurecimento de jovens atletas em início de trajetória internacional.

Fora das quatro linhas, o impacto de Salah é igualmente determinante. Ele atua como elo entre elenco, torcida e imprensa, ajudando a blindar o grupo da pressão externa que tradicionalmente acompanha o Egito em grandes torneios africanos. Seu discurso público tem sido marcado por confiança e cautela, evitando promessas exageradas e reforçando a ideia de construção gradual.

Com um histórico vitorioso — o Egito é o maior campeão da Copa Africana de Nações —, Salah sabe que o peso da camisa pode ser tanto um trunfo quanto um desafio. Em 2025, sua missão é transformar essa tradição em combustível, liderando uma seleção mais competitiva, madura e mentalmente preparada para voltar a levantar o troféu continental. Se conseguir alinhar protagonismo individual, liderança coletiva e eficiência nos momentos decisivos, Mohamed Salah tem tudo para consolidar o Egito entre os grandes favoritos e escrever mais um capítulo histórico com a camisa dos Faraós.

(Foto: Getty Images)