Jorge Sampaoli está de volta ao Atlético-MG. O argentino, de 65 anos, assinou contrato até dezembro de 2027 e chega acompanhado da sua comissão técnica completa, com preparador físico, auxiliar, analistas e gerente, retomando a parceria que já tinha sido vista em outros trabalhos. O anúncio, feito nesta terça-feira, mexeu com o ambiente do clube e também com a torcida, que já vinha manifestando publicamente o desejo pelo retorno do treinador. Depois de uma negociação rápida, que envolveu reuniões virtuais e ajustes financeiros, o Galo bateu o martelo e decidiu apostar novamente em um nome que já deixou boas lembranças em Belo Horizonte.
Na primeira passagem, em 2020, Sampaoli deu ao Atlético uma cara ofensiva e combativa, marcada pela intensidade e pela pressão constante sobre os adversários. Conquistou o Campeonato Mineiro e levou o time a brigar pelo título do Brasileirão, terminando em terceiro lugar com 68 pontos, apenas três atrás do Flamengo campeão. Foi um trabalho consistente, mas interrompido em 2021, quando o técnico optou por seguir para o futebol europeu. Por conta da pandemia da Covid-19, o argentino não chegou a sentir de perto a força da Massa atleticana nos estádios. Agora, o retorno acontece em um cenário completamente diferente: a Arena MRV cheia, a pressão da arquibancada presente e um clube que precisa de reação rápida em campo.
A missão, de cara, é espinhosa. O Atlético perdeu o jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil para o Cruzeiro e precisa de uma virada histórica para seguir vivo no torneio. No Campeonato Brasileiro, o time está ameaçado pela zona de rebaixamento, com apenas dois pontos de vantagem para o Vitória, primeiro clube dentro do Z-4. Na Sul-Americana, a situação é mais promissora: o Galo está nas quartas de final e terá o Bolívar pela frente, com o primeiro duelo marcado para a altitude de La Paz. É nesse contexto turbulento que Sampaoli assume a vaga deixada por Cuca, demitido após resultados ruins e especialmente depois do revés diante do maior rival.
O retorno do argentino traz consigo uma série de expectativas. Do lado positivo, a torcida lembra bem do estilo ousado e da competitividade que ele conseguiu imprimir no elenco. A maneira como o time de 2020 pressionava a saída de bola adversária e buscava intensidade até o fim das partidas fez o Galo ser visto como um dos times mais interessantes do país. Agora, com estádio novo, elenco mais encorpado e a chance de ter a torcida empurrando, a expectativa é de que esse estilo possa ser potencializado.
Estilo ofensivo x pressão por resultados
Além disso, Sampaoli chega acompanhado de profissionais de confiança, o que deve acelerar a implementação de ideias e garantir um padrão de jogo já nos primeiros compromissos. Essa integração costuma ser uma das forças do argentino, que prefere comandar projetos com autonomia e um núcleo próximo para executar seu estilo sem tantas interferências externas. O Atlético, dessa forma, passa a ter um técnico que tende a mexer rapidamente na postura tática e no ritmo da equipe.
Por outro lado, existem riscos que não podem ser ignorados. Na primeira passagem, Sampaoli teve algumas rusgas nos bastidores, especialmente em relação a funcionários do clube e dirigentes. A convivência, às vezes, era marcada por atritos, e isso deixou marcas. Outro ponto é que nem todos dentro da SAF do Atlético estavam totalmente convencidos de que o argentino era o nome certo. Rafael Menin, um dos investidores mais influentes, chegou a ter resistência quanto ao retorno. A decisão final mostra que houve consenso, mas é algo a ser monitorado caso os resultados não apareçam imediatamente.
O cenário também é complicado pelo momento da equipe. O Atlético não vive um período de confiança, a sequência de resultados ruins abalou o ambiente e a margem de erro é pequena. Sampaoli terá pouco tempo para colocar suas ideias em prática antes dos jogos decisivos da temporada. A pressão será grande desde o primeiro apito, e a paciência da torcida e da diretoria não deve durar muito caso as coisas não caminhem bem.
Ainda assim, o clima de esperança é claro. A volta de Sampaoli representa, de certa forma, uma tentativa de resgatar a energia que moveu o clube em 2020 e pavimentou o caminho para os títulos que vieram depois, com Cuca em 2021. Se conseguir repetir a intensidade e a competitividade daquela época, o Atlético pode não só afastar o fantasma do rebaixamento no Brasileirão, mas também sonhar alto na Sul-Americana. O grande desafio será transformar o entusiasmo em resultados práticos dentro de campo.
Jorge Sampaoli, a aposta em um novo ciclo
Sampaoli retorna mais experiente, depois de passagens por clubes como Olympique de Marseille, Sevilla e Rennes, na França, onde esteve até janeiro deste ano. Essas experiências internacionais, ainda que tenham tido altos e baixos, ajudaram a moldar um técnico mais calejado e que chega com bagagem para lidar com diferentes contextos. No Atlético, ele terá a oportunidade de aplicar esse conhecimento num projeto de longo prazo, já que o contrato até 2027 indica uma aposta duradoura do clube.
A empolgação da torcida também não é apenas pelo que Sampaoli representa em campo. O estilo enérgico do argentino, sempre à beira do gramado, dialoga bem com a identidade do Galo, um clube acostumado a batalhar até o fim. O resgate dessa conexão emocional pode ser um fator decisivo para recolocar o time em trilhos mais positivos. A Arena MRV lotada será o palco ideal para essa retomada.
Por outro lado, o histórico de cobranças duras e exigências elevadas de Sampaoli pode pesar. O argentino é conhecido por pressionar diretoria e jogadores constantemente, o que gera resultados no curto prazo, mas às vezes desgasta relações. No contexto de um clube que vive turbulências administrativas e precisa de estabilidade, esse será um ponto de atenção importante.
O certo é que, com ele, o Atlético volta a ser notícia forte. A volta de Sampaoli reacendeu a chama da esperança em Belo Horizonte, devolveu ânimo à torcida e colocou o Galo de volta ao centro das atenções do futebol brasileiro. O que resta saber é se a segunda passagem do argentino será marcada pela intensidade que tanto empolga ou pelos conflitos que podem desgastar. A resposta virá nos próximos meses, dentro das quatro linhas.