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Santos completa 114 anos mas não tem nada a comemorar

O aniversário chegou, mas o clima está longe de ser de festa. O Santos Futebol Clube completa 114 anos carregando mais dúvidas do que motivos para sorrir e, dessa vez, não é só sensação: os números ajudam a explicar o tamanho do problema, ainda mais quando se permitem pensar no futuro.

Dívida que assombra e limita o presente do Santos

O principal fantasma do Santos hoje cabe em uma planilha. A dívida total do clube já ultrapassa a casa de R$ 600 milhões, com crescimento constante nos últimos anos. Segundo análises de veículos como Globo Esporte e UOL Esporte, o passivo santista vem aumentando progressivamente, com parte relevante concentrada em obrigações de curto prazo.

Na prática, isso significa menos margem para investir, dificuldade para honrar compromissos e dependência de soluções emergenciais. É o famoso ciclo perigoso: vende hoje para sobreviver amanhã. Não é atoa que as suas movimentações recentes no mercado, estão incluindo jogadores que estão livres, tendo a necessidade de apenas fechar os salários, sem custear os valores de transferências. O Barcelona se encontrou trabalhando desta forma por bastante tempo, dá para dizer que até aos dias atuais.

Elenco caro, inchado e pouco eficiente

Se a dívida preocupa, a montagem do elenco também levanta questionamentos. A ESPN informou recentemente, que segundo o balanço financeiro do Peixe do ano passado, a folha do clube em dezembro, somando salários, direitos de imagens e impostos foi de R$ 20,5 milhões.

Considerando um elenco principal com 33 jogadores, isso representa uma média salarial mensal de aproximadamente R$ 620 mil por atleta. Para efeito de comparação, em dezembro de 2024, ainda sem Neymar e após a disputa da Série B, a folha do time masculino do Santos era de R$ 7,271 milhões para 30 jogadores, o que resultava em uma média de cerca de R$ 242 mil por atleta.

O Santos acumulou atletas experientes, com custo elevado e pouca regularidade. Nomes como Willian Arão, Tomás Rincón e João Schmidt ilustram bem esse cenário: jogadores com bagagem, mas que, em diferentes momentos, oscilaram entre titularidade e banco sem conseguir dar consistência ao time.

Pelas informações do “Portal Gremista”, os salários estimados de Mayke, de 34 anos está na casa dos 1,1 milhão de reais. Um jogador com um currículo excelente do Brasileirão, que foi transferido do Palmeiras para o Peixe. Arão com seus suspostos 750 mil por mês, após uma passagem extensa pela Europa, Thaciano com 870 mil reais, e um contrato até dezembro de 2028.

Ou seja: o clube tem pago alto por quem joga pouco ou pelo menos, não vale o preo colocado na mesa… como também precisa administrar ativos que não estão sendo aproveitados. E isso trava o planejamento, reduz margem de manobra e dificulta uma reformulação mais agressiva.

Para completar, o Santos ainda fez investimentos recentes em contratações que não entregaram retorno consistente até aqui. Resultado? Um elenco caro… e pouco eficiente.

Santos e sua base desacelerada: impacto direto no caixa

Historicamente, o Santos sempre sobreviveu (e muito bem) com vendas. Só para lembrar: a negociação de Neymar para o Barcelona movimentou mais de €80 milhões considerando valores totais envolvidos. Mas o cenário atual é bem diferente.

Por agora, é possível olhar para Robinho Jr como um nome interessante que foi moldado pela base. Entretanto, diante deste momento do Peixe quanto as suas contas, o que impede o clube paulista de aceitar a primeira proposta feita pelo jogador, simplesmente pelo fato de estar precisando de caixa?

Dados de mercado do Transfermarkt mostram que o clube não tem conseguido repetir grandes vendas recentes acima de €10 milhões com frequência. Além disso, o elenco atual conta com poucos jogadores sub-23 com alto potencial de mercado internacional.

Sem revelar e sem vender, o modelo que sustentou o clube por décadas começa a falhar e o caixa sente. O nome de Gabriel Bontempo também, é uma das peças interessantes do elenco, porém, não anda sendo tão valorizado por Cuca até o momento…

Santos não sabe quais serão os passos de Neymar

Hoje é difícil ver o Santos sem Neymar, e isso fica claro quando os jogos da equipe ocorrem. Diante do Flamengo no Maracanã, existia uma mística absurda de “já perdeu”, “nem adianta entrar em campo”, para no final das contas, conseguir dar uma canseira no atual campeão brasileiro e da Libertadores. Entretanto, existem muitas coisas que faltam no elenco, enquanto o camisa 10 está recebendo valores altíssimos para atuar em alguns jogos e prestar total atenção na próxima Copa do Mundo.

Muito se fala sobre essa ser a última temporada do craque do Santos no país, abrindo espaço para uma mudança para a MLS, onde terá uma ótima qualidade de vida (não que Neymar já não a tenha rs), só que poderia continuar jogando futebol, só que ser tão exigido quanto é aqui no Brasil. O recente time que esteve atrás do profissional foi o CIncinnati, que deve ficar de olho no contrato atual do atleta, pelo fato de chegar ao fim ao término desta temporada.

Cuca vai fazer diferente no Santos?

Ao pensar em futuro, é necessário olhar para todos os lados do Santos, porque a qualquer momento, alguém pode estar saindo de fininho. Assim como Neymar é uma dúvida, o técnico Cuca que chegou para o lugar de Juan Pablo Vojvoda se apresenta na mesma questão, o experiente treinador tem uma enorme quantidade em continuar trabalhos, estar presente por bastante tempo numa institução.

Foi possível ver essa realidade no Athletico-PR, no Atlético-MG, no Corinthians e entre outros diversos momentos de sua carreira. Então, como o Santos lidará com essa realidade, tendo em vista que já ocorreu em outras situações, por que agora seria diferente?

Vila Belmiro: tradição que limita receita

A Vila Belmiro continua sendo um símbolo do clube, mas também representa uma limitação financeira.

Com capacidade para cerca de 16 mil torcedores, a arrecadação por jogo gira entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, dependendo da ocupação e dos preços. Em comparação com clubes que atuam em arenas maiores, a diferença de receita ao longo da temporada é significativa.

Menos público, menos dinheiro, menos investimento. A conta é simples.

Foto: Marcello Zambrana/AGIF