Futebol Brasileirão

Santos de Cuca dá sinais claros de evolução e encontra um caminho

A vitória do Santos sobre o Atlético Mineiro por 1 a 0, na Vila Belmiro, foi muito mais do que um resultado positivo no Brasileirão. Foi, acima de tudo, uma atuação que sinaliza uma mudança de rumo na temporada.

Em um ano marcado por instabilidade, o time finalmente apresentou uma identidade clara, organizada e, principalmente, eficiente dentro de uma proposta que potencializa suas principais peças. O placar magro só existiu por conta de falhas em finalizações.

O desenho tático de 4-4-2 adotado por Cuca foi o grande diferencial. Com dois volantes mais fixos garantindo proteção e sustentação, sendo Gustavo Henrique bem móvel, e dois jogadores de meio com liberdade para circular, com destaque para Gabriel Bomtempo, o Santos conseguiu algo que parecia distante até pouco tempo: equilíbrio.

A equipe santista ocupou melhor os espaços, conseguiu dar fluidez à circulação de bola e, sobretudo, passou a agredir o adversário com inteligência, utilizando triangulações constantes e movimentações coordenadas.

A dinâmica ofensiva também chamou atenção. Mesmo com Rony mais preso à ponta e cometendo erros quando acionado, sua presença ajudou a alongar o campo e abrir espaços para infiltrações por dentro. Esse detalhe foi fundamental para o funcionamento coletivo, pois permitiu que o meio-campo tivesse mais liberdade criativa e que os atacantes recebessem a bola em melhores condições.

Neymar mais inteiro transforma o nível da equipe

Se o coletivo evoluiu, outro grande termômetro dessa melhora atende pelo nome de Neymar. O camisa 10 teve, possivelmente, sua melhor atuação desde o retorno, não apenas pelos lances técnicos, mas pela forma como participou do jogo.

Mais ativo, mais presente e fisicamente inteiro, Neymar foi o principal articulador da equipe, conectando meio e ataque com naturalidade. E a diferença é clara, quando Ney está bem, o Santos se torna outro time. Sua mobilidade permite criar superioridade numérica em diversos setores do campo, sua visão de jogo acelera decisões e sua capacidade técnica eleva o nível de todos ao redor.

Além disso, a postura de Neymar foi de protagonismo, chamando o jogo, pedindo a bola e assumindo responsabilidades, algo que nem sempre foi constante nas atuações anteriores. Se ele mantiver esse nível, o Santos vai subir e Ancelotti será obrigado a convoca-lo.

Neymar fez grande partida na vitória do Santos diante do Atlético Mineiro
Neymar fez grande partida na vitória do Santos diante do Atlético Mineiro (Imagem: Marcello Zambrana/AGIF)

Ao lado de Neymar, Gabigol desempenhou um papel complementar importante. Atuando mais centralizado, serviu como referência e ajudou a fixar a defesa adversária, abrindo espaços para Neymar e os meias infiltrarem. Mesmo sem balançar as redes, participou ativamente das jogadas e mostrou entendimento crescente com o camisa 10, além de ter dado bela assistência para o gol de Moisés.

Santos tem perspectiva real de evolução

Talvez o ponto mais animador da atuação seja a mudança de comportamento do Santos em campo. A equipe foi mais rápida, vertical e muito menos previsível. Diferentemente do que se via anteriormente, o time não se limitou a uma posse de bola estéril ou a ataques desorganizados.

Houve intenção clara em cada movimento: acelerar quando necessário, cadenciar quando conveniente e explorar os espaços com inteligência. As triangulações foram claras e demonstraram um entendimento muito rápido do trabalho de Cuca.

Essa transformação, inclusive, passa diretamente pelo trabalho do novo treinador. Ainda em início de trajetória, Cuca já conseguiu implementar uma ideia de jogo mais moderna e funcional, algo que seu antecessor não conseguiu consolidar. O Santos agora parece um time que sabe o que fazer com a bola.

É verdade que houve uma queda de intensidade nos minutos finais, permitindo alguma pressão do adversário, mas isso não apaga o desempenho sólido ao longo da maior parte do jogo. Pelo contrário, evidencia apenas um ponto a ser ajustado, algo natural em um processo de evolução.

O que fica dessa atuação é uma sensação rara no torcedor santista em 2026: confiança. Com um sistema mais equilibrado, um Neymar em evolução física e técnica, e um treinador que parece ter encontrado a melhor forma de potencializar o elenco, o Santos começa a vislumbrar um cenário mais promissor.

Se mantiver esse nível de organização e intensidade, a equipe tem tudo para deixar de lado o fantasma das campanhas irregulares e construir uma trajetória mais estável no campeonato. Mais do que isso, pode finalmente se firmar como um time competitivo, capaz de brigar na parte de cima da tabela, algo que, até pouco tempo atrás, parecia distante.

(Imagem de capa: Mauricio De Souza/AGIF)