Futebol Brasileirão

Santos x Corinthians: Será que o clássico vai moer mais um treinador? Veja o histórico recente

O clássico entre Santos e Corinthians neste domingo (15), pela sexta rodada do Brasileirão, chega cercado por um elemento que sempre acompanha grandes rivalidades: a possibilidade de uma derrota significar mais do que três pontos perdidos.

Em momentos de pressão, um clássico pode se transformar na famosa “gota d’água” para um treinador. E é exatamente esse o cenário atual para Juan Pablo Vojvoda e Dorival Júnior, que entram na partida com o cargo sob forte questionamento.

Juan Pablo Vojvoda vem sendo muito questionado

No lado santista, Vojvoda vive um momento delicado por uma série de fatores. A pressão sobre o treinador argentino está ligada principalmente ao desempenho irregular da equipe, à falta de convicção nas escalações e a substituições consideradas duvidosas por parte da torcida e de analistas.

Em diversas partidas, o Santos apresentou dificuldades para manter um padrão de jogo consistente e, após 10 dias de treinamento, o Peixe não apresentou evolução no jogo contra o Mirassol, o que acabou ampliando as críticas ao trabalho do treinador.

Outro elemento importante nesse contexto é o cenário financeiro do clube. Mesmo sem dispor de grande capital, a diretoria santista realizou investimentos considerados relevantes dentro de sua realidade, apostando em reforços e numa reformulação do elenco. Isso criou naturalmente uma expectativa maior por resultados imediatos.

Quando o desempenho em campo não corresponde a essa expectativa, a cobrança aumenta de forma proporcional. Assim, Vojvoda chega ao clássico com o ambiente pressionado não apenas pelo resultado de um jogo específico, mas por uma sensação de instabilidade no trabalho.

Uma derrota para o Corinthians poderia intensificar o debate interno sobre a continuidade do treinador argentino, especialmente porque clássicos costumam funcionar como pontos de inflexão em temporadas turbulentas. Dependendo da derrota, será quase impossível segurar Vojvoda.

Nem os títulos recentes tornam a situação de Dorival Júnior mais tranquila

Do outro lado está Dorival Júnior, cuja situação também é bastante delicada no Corinthians. Diferentemente de uma percepção externa de que haveria respaldo total da diretoria, a realidade nos bastidores é mais complexa. Existe uma corrente interna de dirigentes que defende a saída do treinador, e esse grupo ganhou força nas últimas semanas.

Dois episódios recentes contribuíram para aumentar essa pressão. O primeiro foi a eliminação para o Novorizontino no Campeonato Paulista, resultado que gerou forte frustração dentro do clube. O segundo foi a derrota para o Coritiba, que agravou o clima de desconfiança em relação ao trabalho do treinador.

Além dos resultados, parte da torcida demonstra insatisfação com algumas decisões de Dorival, frequentemente classificadas como “teimosias” na condução do time. Escalações repetidas mesmo diante de desempenho abaixo do esperado e mudanças tardias durante as partidas são críticas recorrentes entre os torcedores.

Esse conjunto de fatores cria um ambiente em que o clássico contra o Santos pode representar um momento decisivo para o futuro do treinador. Uma derrota neste domingo pode ser decisiva para a não continuidade do treinador, assim como uma vitória daria uma sonhada tranquilidade.

Clássico entre Santos e Corinthians deste domingo (15) deve valer a permanência do treinador vencedor
Clássico entre Santos e Corinthians deste domingo (15) deve valer a permanência do treinador vencedor (Imagem: Marcello Zambrana/AGIF)

Clássico entre Santos e Corinthians já fez 7 vítimas na era do Brasileirão de pontos corridos

Todo esse contexto aumenta ainda mais o peso simbólico da partida. Afinal, Santos e Corinthians já possuem um histórico curioso na era do Brasileirão de pontos corridos: Em sete ocasiões, a derrota no confronto entre os dois clubes foi a última partida de um técnico no cargo.

O Corinthians leva vantagem nesse retrospecto específico. Nesta era recente, derrotas para o rival contribuíram para a saída de quatro treinadores do Santos: Oswaldo de Oliveira (2014), Dorival Júnior (2015), Jair Ventura (2018) e Fabián Bustos (2022), todos pressionados após resultados ruins que tiveram o clássico como capítulo decisivo.

O Santos, por sua vez, também tem suas “vítimas” nesse duelo. O Peixe já ajudou a derrubar três técnicos do Corinthians: Adilson Batista (2010), Cristóvão Borges (2016) e Osmar Loss (2018), treinadores que já estavam sob forte contestação e viram a derrota para o rival acelerar a decisão da diretoria.

Esse histórico cria um placar simbólico de 4 a 3 para o Corinthians no ranking de técnicos “derrubados” no clássico na era do Brasileirão de pontos corridos. Pode parecer apenas uma coincidência estatística, mas no futebol brasileiro esses episódios costumam ganhar força narrativa.

E o duelo deste domingo reúne todos os ingredientes para adicionar mais um capítulo a essa história. Se o Santos vencer, além de aliviar a pressão sobre Vojvoda, o resultado poderia recolocar o Corinthians em crise e aproximar o clube de mais uma troca no comando técnico, empatando o placar desse ranking em 4 a 4.

Por outro lado, se o Corinthians sair vencedor, a pressão sobre Vojvoda pode atingir um nível difícil de sustentar, especialmente diante das críticas ao desempenho da equipe e das decisões do treinador. Nesse caso, o Timão ampliaria a vantagem simbólica e abriria 5 a 3 no ranking de “derrubadas”.

Em outras palavras, o clássico deste domingo pode ter consequências que vão muito além do resultado em campo. Em um futebol brasileiro marcado pela impaciência com treinadores, derrotas para rivais históricos costumam ter um peso político enorme.

E é justamente isso que torna o confronto ainda mais intrigante: não será apenas Santos x Corinthians. Também será a pergunta que paira sobre os dois bancos de reservas: O Peixe vai empatar o placar das derrubadas ou o Timão vai ampliar a vantagem nesse curioso ranking de técnicos que caíram após o clássico? Só saberemos depois do apito final.

(Imagem de capa: Jota Erre/AGIF)