Futebol Copa Sul-Americana

Santos cede empate ao San Lorenzo e continua sem vencer na Sul-Americana

O Santos voltou a decepcionar na Copa Sul-Americana e transformou uma vitória aparentemente controlada em mais uma noite frustrante na Vila Belmiro. Nesta quarta-feira, o Peixe abriu 2 a 0 diante do San Lorenzo ainda no primeiro tempo, mas caiu drasticamente de rendimento na etapa final e sofreu o empate em 2 a 2, ampliando a crise no torneio continental.

O resultado mantém o Santos sem vencer há cinco partidas na competição. Com apenas quatro pontos, o time brasileiro ocupa a última colocação do Grupo D e já não possui mais chances de terminar na liderança da chave. Restará ao Peixe lutar apenas pela vaga no playoff, que também fica difícil. O San Lorenzo, por sua vez, chegou aos sete pontos e assumiu a ponta do grupo.

O jogo

O início da partida parecia desenhar uma noite tranquila para os santistas. Logo no primeiro ataque, Gabigol recebeu pela esquerda com liberdade e cruzou rasteiro para Gabriel Bontempo aparecer de carrinho e abrir o placar. O gol cedo aumentou ainda mais o domínio do Santos, que controlava a posse de bola e ocupava o campo ofensivo com facilidade diante de um San Lorenzo tímido e pouco agressivo.

A equipe argentina demorou para ameaçar. A primeira tentativa aconteceu apenas aos 15 minutos, quando Insaurralde arriscou de muito longe e assustou Gabriel Brazão. O Santos respondeu rapidamente em cobrança de falta de Barreal, que obrigou o goleiro Gill a fazer grande defesa. Apesar do controle territorial, o Peixe encontrava dificuldades no último passe e desperdiçava boas oportunidades para ampliar a vantagem ainda mais cedo.

Mesmo assim, o segundo gol acabou saindo antes do intervalo. Nos acréscimos da primeira etapa, Gabriel Barbosa cobrou falta na entrada da área e contou com desvio na barreira para vencer Gill e fazer 2 a 0. O cenário parecia totalmente favorável para os donos da casa. Antes da descida para os vestiários, porém, Gabriel Brazão já precisou salvar o Santos em um lance cara a cara com De Ritis, sinalizando que o San Lorenzo ainda estava vivo no jogo.

O panorama mudou completamente após o intervalo. O Santos voltou mais retraído, principalmente depois da entrada de Gustavo Henrique no lugar de Rollheiser, adotando uma postura excessivamente defensiva. O San Lorenzo assumiu a posse de bola e passou a rondar o campo ofensivo, ainda que sem grande criatividade. O problema para os santistas foi permitir que o adversário crescesse emocionalmente dentro da partida.

Mesmo sem criar tantas chances claras, os argentinos passaram a controlar o ritmo do confronto. O Santos já não conseguia pressionar a saída rival, perdeu intensidade e praticamente abriu mão de atacar. A estratégia de esperar o tempo passar acabou custando caro.

Aos 28 minutos, uma falha defensiva recolocou o San Lorenzo na partida. Após cruzamento vindo da direita, Adonís Frias tentou cortar e acabou ajeitando involuntariamente para De Ritis, que cabeceou por cobertura na saída de Gabriel Brazão para diminuir o placar. O gol incendiou o confronto e aumentou o nervosismo do Santos, que passou a errar ainda mais.

O empate surgiu aos 40 minutos, em uma jogada que escancarou os problemas defensivos e físicos do time santista. Gulli encontrou ótimo passe para Auzmendi, que apareceu livre para finalizar forte e superar Brazão. O 2 a 2 foi recebido sob tensão na Vila Belmiro, com a torcida percebendo mais uma vez a incapacidade do time de sustentar uma vantagem confortável.

Nos minutos finais, o jogo ficou aberto e caótico. O Santos tentou responder na base do desespero, inclusive colocando o atacante Lautaro Díaz em campo na vaga do volante Oliva, mas quem esteve mais próximo da vitória foi o próprio San Lorenzo. O time argentino encontrou espaços nos contra-ataques e assustou em mais de uma oportunidade. O apito final foi acompanhado por fortes vaias da torcida santista.

Santos mostra pouco no jogo e classificação na Sul-Americana se torna improvável

A atuação deixa uma sensação preocupante para o Santos. O primeiro tempo mostrou um time agressivo, organizado e eficiente, capaz de controlar o jogo e construir vantagem com naturalidade. Já a etapa final revelou uma equipe emocionalmente frágil, que recua excessivamente, perde intensidade e sofre quando pressionada.

A troca de postura depois do intervalo foi decisiva para a queda de rendimento. O Santos abriu mão de atacar cedo demais e chamou um adversário que pouco produzia para dentro do seu campo. Em competições continentais, administrar resultado sem controle emocional costuma ser fatal, e foi exatamente isso que aconteceu na Vila Belmiro.

Individualmente, Gabriel Barbosa teve participação importante, com assistência e gol, enquanto Gabriel Bontempo apareceu bem nos movimentos ofensivos. Gabriel Brazão também evitou um prejuízo maior com boas defesas. Por outro lado, o sistema defensivo voltou a mostrar insegurança, principalmente nas bolas aéreas e nos momentos de pressão adversária.

O empate amplia a pressão sobre o elenco e Cuca. Mais do que os pontos perdidos, preocupa a repetição dos mesmos erros: dificuldade para sustentar intensidade, postura conservadora em vantagem e instabilidade emocional quando sofre pressão. O Santos até mostrou capacidade para competir, mas novamente faltou maturidade para transformar domínio em vitória.

(Foto: Nelson Almeida/AFP)