O Santos havia preparado um ambiente especial para a disputa do duelo contra o Vasco no Morumbis para celebrar algumas marcas no início do returno do Brasileirão. Com o seu recorde de público como mandante desde o enfrentamento diante do Boca Juniors em 2003 ao ter forte presença superior à 50 mil pessoas nas arquibancadas e a marca de 250 jogos alcançada pelo ídolo Neymar permitiram a criação de um ambiente espetacular antes da partida. Durante a etapa inicial, um lance absolutamente polêmico fez com que Hugo Moura permanecesse em campo após ter recebido cartão amarelo mesmo após ter atingido o rosto de Tiquinho Soares no minuto inicial, sendo esta uma decisão polêmica da arbitragem que não contou com revisão do VAR.
Outro lance reclamado consiste no gol marcado pelo Vasco no primeiro tempo, em um lance no qual imagens sugerem que a bola saiu antes de Lucas Piton finalizar no gol. Mesmo com uma decepção aparente pelo desempenho do primeiro tempo ter ficado abaixo da expectativa após o gol sofrido, o Santos conseguiu iludir o seu torcedor ao retornar para a etapa complementar com bastante intensidade e grande ímpeto ofensivo na busca pelo empate, inclusive com bola na trave. No entanto, todos esses detalhes foram esquecidos pelo torcedor do Peixe a partir do segundo gol cruzmaltino, iniciando uma trágica e inesquecível jornada para um dos clubes mais importantes do futebol mundial.
Santos iniciou sua trágica noite a partir do segundo tempo
Depois que Guilherme errou um chute na cara do gol e Barreal parou na trave, Fernando Diniz recompôs o Vasco defensivamente e iniciou uma sequência de gols sofridos pelo Santos devido ao desequilíbrio causado com a tentativa de subir a marcação, deixando o sistema defensivo muito exposto nas transições. Fernando Diniz conseguiu recuperar o desempenho de David como centroavante que alternava seu posicionamento no terço final, enquanto Tchê Tchê e Coutinho se alternaram na origem das construções recuando para iniciar jogadas e chegar com absoluta liberdade na área.
Por outro lado, o Santos fez uma atuação absolutamente terrível no segundo tempo graças ao técnico Cléber Xavier e também pela sua defesa. Souza cometeu pênalti no segundo tempo ao tocar com a mão na bola, Mayke ficou entregue às investidas do Vasco na etapa final, Luisão não correspondeu à titularidade demonstrando enorme fragilidade em diversos momentos, e por fim, Luan Peres não manteve o nível de atuação mostrado nos jogos mais recentes, cometendo muitos problemas de posicionamento.
Vexame sofrido pelo Santos possui diversos culpados

Mas o que fica mesmo dessa goleada histórica é o sentimento do torcedor santista, que viveu uma de suas maiores humilhações na vida. Uma instituição esportiva vencedora e fundamental na construção do futebol brasileiro não poderia jamais ter sofrido um vexame deste tamanho, com Cléber Xavier sendo apenas o principal responsável de uma goleada inesquecível, passando também pelo presidente Marcelo Teixeira e pelo diretor Alexandre Mattos, dois nomes muito incompetentes em suas gestões. Por fim, Neymar deixar o campo chorando sem o apoio de jogadores e diretores do Santos (sendo consolado somente por Fernando Diniz) representa também uma evolução de desempenho mais lenta do que o necessário diante da briga pelo rebaixamento, inserido num contexto terrível de um time sem solidez.
Imagem: AGIF