Golear a Universidad Central, por 4 a 1, fora de casa, está longe de resolver os problemas do Santos. Mesmo que amenize os bastidores em ebulição, o Peixe encaminhou sua classificação para as oitavas de final da Copa Sul-Americana, mas terá que fazer mais do que isso para convencer sua torcida.
No Brasileirão, o time segue perigando entrar na zona de rebaixamento. Na 15.ª colocação do torneio, o Santos tem somente 21 pontos em 19 jogos disputados. O recorte é ainda pior ao analisar a sequência: são somente cinco vitórias, seis empates e oito derrotas. Em outras palavras, o Alvinegro Praiano perde mais do que soma pontos.
É nesse aspecto que Cuca será fundamental na tentativa de recuperar a moral e engrenar bons resultados posteriormente.
Próximos jogos serão decisivos

Os duelos seguintes do Santos são ainda mais cruciais do que a partida de ida contra a UCV, na última terça-feira. Entre a última semana de julho e a segunda quinzena de setembro, o Peixe, pelo Brasileirão, encara Chapecoense, São Paulo, Athletico, Vasco, Mirassol, Corinthians e Internacional.
São cinco jogos contra adversários que se encontram na parte de baixo da tabela. O destaque vai para o duelo contra o Internacional, que, até o momento, está empatado com o Alvinegro Praiano em número de pontos.
A vaga na Copa Sul-Americana está praticamente garantida. Uma vantagem de três gols é confortável o suficiente para focar as atenções nos objetivos nacionais.
Nesta caminhada, será fundamental repetir o desempenho contra a UCV. Os santistas dominaram o jogo. Tiveram mais posse de bola, criaram ao menos cinco grandes chances, dispuseram de um aproveitamento melhor nas finalizações.
É fato que o time venezuelano era mais frágil e que não proporcionava perigo algum — até mesmo com o gol marcado após falha de Moisés. Embora isso, o Santos fez o que tinha que ser feito: atropelar. É um time com qualidades, mas que, até pouco tempo atrás, mal conseguia consolidar seu domínio nos jogos.
Portanto, a missão de transformar o volume de jogo em bolas nas redes continua. Agora, com adversários ainda mais fortes.
Neymar será importante para esta sequência?

Preparar a volta de um craque não é uma tarefa fácil, mas Cuca ainda assim a fez. O técnico confirmou que Neymar retornará ao time do Santos na próxima partida, contra a Chapecoense. Em entrevista concedida após a vitória da última terça, o treinador foi enfático na questão da dependência de seu camisa 10 e minimizou tal cenário. Veja:
Como ele ficou parado por não ter tido férias, resolveu-se deixá-lo fortalecendo ainda mais, treinando forte, para ter uma sequência de jogos. Nós, agora, em dez dias, vamos jogar quatro vezes. Que vantagem tinha em trazer para cá? Vocês vieram, viram o quanto é dura a viagem, o quanto é difícil chegar aqui em condições ideais — iniciou Cuca.
Ele está lá trabalhando, trabalhou bem. Gabigol está bem, o Arão também. O Schmidt, o Igor… A gente ganha opções e acho que isso foi muito bem pensado. Neymar está confirmado para sábado — completou.
Ainda que não seja bem recebido o termo “dependência”, existe, sim, um Santos diferente com e sem Neymar. Para a tristeza dos fãs do jogador, parece que a solução mesmo será entender que as engrenagens rodam melhor sem o ídolo. Com ele em campo, as iniciativas ofensivas tornam-se previsíveis e restritas à criatividade de Ney.
Entre o protagonismo e a produtividade, o Peixe parece ter encontrado um estilo de jogo baseado nas qualidades do plantel, e não centralizado em apenas uma peça. Se na Venezuela, Rony e Thaciano “desencantaram”, o ‘amanhã’ pode ser ainda melhor para ambos, que contribuíram diretamente para um resultado mais elástico.
Ney é importante, mas a situação do clube é infinitamente mais. Decisões no horizonte, objetivos a serem cumpridos. O Santos precisa evitar mais problemas, diferentemente do ano passado, quando lutou contra o rebaixamento até as últimas rodadas do Brasileirão.
A equipe volta a campo no próximo final de semana, contra a Chapecoense. O jogo será no sábado (25), às 18h30 (horário de Brasília), na Vila Belmiro.
Créditos da foto de capa: Divulgação/Ge.globo