O Santos está nas oitavas de final da Copa do Brasil. Depois do empate sem gols na Vila Belmiro, o Peixe foi até o Couto Pereira e venceu o Coritiba por 2 a 0, em uma atuação marcada pela eficiência ofensiva e pela solidez defensiva após construir a vantagem ainda no primeiro tempo.
Mesmo com Neymar em uma noite discreta, a equipe paulista conseguiu controlar emocionalmente o confronto e confirmou a classificação fora de casa.
O jogo
O jogo começou movimentado e com problemas físicos logo nos primeiros minutos. Tanto Santos quanto Coritiba precisaram fazer substituições antes dos cinco minutos por conta de lesões musculares, o que alterou rapidamente o planejamento das duas equipes. Dentro de campo, porém, o Coritiba iniciou melhor, pressionando alto, marcando forte e criando as primeiras oportunidades da partida.
A primeira grande chance veio em um chute forte de Lucas Ronier da entrada da área, obrigando Gabriel Brazão a fazer excelente defesa. Pouco depois, em uma jogada confusa dentro da área, Lavega finalizou mascado e quase abriu o placar. O Coxa seguiu pressionando e chegou a balançar as redes aos 14 minutos, quando Josué cobrou falta lateral e Bruno Melo apareceu bem pelo alto para marcar de cabeça. O lance, no entanto, foi anulado por impedimento.
O gol invalidado acabou mudando completamente o panorama do confronto. Mesmo com dificuldades na troca de passes e alguns erros técnicos no início, o Santos mostrou eficiência cirúrgica. Aos 20 minutos, Gabriel Bontempo recebeu pela esquerda, carregou para o meio e soltou uma pancada indefensável no ângulo para abrir o placar em um belo gol. A vantagem mudou o controle emocional da partida e abalou o Coritiba.
Mais confortável em campo, o Santos passou a valorizar mais a posse de bola e encontrou espaços para acelerar. Aos 27 minutos, após cobrança curta de escanteio, Igor Vinícius fez cruzamento preciso e Adonis apareceu livre para cabecear firme no canto, ampliando para 2 a 0 e silenciando o Couto Pereira.
O Coritiba sentiu o segundo gol. A equipe até passou a ter mais posse de bola e tentou pressionar, mas abusou dos cruzamentos e teve enorme dificuldade para transformar volume em chances reais. A melhor oportunidade veio em um chute de Pedro Rocha da meia-lua, que saiu muito perto da trave. Pelo lado santista, Neymar ainda tentou deixar o dele em uma finalização forte de fora da área que passou próxima ao travessão.
Na volta do intervalo, o Santos mostrou maturidade para administrar a vantagem sem recuar completamente. Logo no início da segunda etapa, Neymar quase ampliou após completar um lançamento dentro da área, mas finalizou pelo lado de fora da rede.
O Coritiba precisava reagir e assumiu o controle territorial do jogo, aumentando a posse de bola e tentando pressionar o Santos em seu campo defensivo. Pedro Rocha continuou sendo a principal válvula ofensiva dos paranaenses, levando perigo em finalizações da entrada da área e em jogadas individuais pelo lado esquerdo.
Apesar da pressão territorial do Coxa, o Santos conseguiu travar o ritmo da partida por muito tempo. O time paulista fechou bem os espaços, dificultou infiltrações e reduziu drasticamente a velocidade do jogo, irritando a torcida presente no estádio. Sem criatividade pelo meio, o Coritiba insistia em bolas alçadas na área, mas encontrava pouca efetividade diante da organização defensiva santista.
O Peixe também perdeu força nos contra-ataques. Neymar, bastante marcado e apagado durante boa parte da partida, encontrou dificuldades para acelerar as transições ofensivas. Ainda assim, o Santos conseguiu administrar a vantagem sem sofrer grandes sustos.
A reta final refletiu bem o cenário da segunda etapa. O Coritiba rondava a área, mas criava pouco. A última chance realmente perigosa veio aos 41 minutos, quando Pedro Rocha invadiu a área pela esquerda e soltou uma pancada no lado de fora da rede. Já nos acréscimos, o Santos passou a trocar passes sob gritos de “olé” vindos da torcida visitante, consolidando a classificação com autoridade.
Santos tem atuação tranquila, enquanto Neymar não ajuda suas chances de ir à Copa
O Santos venceu porque foi extremamente eficiente nos momentos decisivos da partida. Mesmo começando pior e sofrendo pressão nos primeiros minutos, o time conseguiu suportar o bom momento do Coritiba e aproveitou praticamente todas as chances claras que criou no primeiro tempo.
A equipe mostrou maturidade emocional após o gol anulado do Coxa. Em vez de se desorganizar, passou a controlar mais a posse e encontrou nos lados do campo os espaços para decidir o confronto rapidamente. Gabriel Bontempo mudou o jogo com o golaço que abriu o placar, enquanto Igor Vinícius foi importante apoiando ofensivamente e participando diretamente do segundo gol.
Defensivamente, o Santos também teve méritos. Gabriel Brazão apareceu bem quando exigido e a linha defensiva conseguiu neutralizar grande parte das jogadas aéreas do Coritiba, que acabou se tornando previsível no segundo tempo ao insistir demais nos cruzamentos.
Do lado do Coritiba, ficou a sensação de um time competitivo no início, mas emocionalmente abalado após sofrer os dois gols em sequência. A equipe teve volume, posse e presença ofensiva, mas faltou criatividade para transformar pressão em oportunidades claras. Pedro Rocha tentou liderar a reação praticamente sozinho, mas encontrou pouca companhia ofensiva.
Já Neymar teve atuação discreta. Participou pouco da construção ofensiva, apareceu mais em jogadas isoladas e encontrou dificuldades contra a marcação forte do Coritiba. Se ainda sonha em ir para a Copa, jogos assim não ajudam a sua candidatura.
A classificação mostra um Santos mais pragmático e competitivo fora de casa. Sem brilho coletivo durante os 90 minutos, mas com eficiência e maturidade suficientes para matar o confronto quando teve oportunidade.
(Foto: Raul Baretta/Santos)


