O São Paulo pode até ter celebrado o empate conquistado fora de casa diante do Internacional no Beira-Rio pela 9ª rodada do Brasileirão, mas o nível de desempenho sob comando de Roger Machado mostra novamente que o Tricolor Paulista involuiu em relação à última amostragem com Hernán Crespo, dando sinais claros de que a equipe não terá condições de almejar o título do campeonato até o mês de dezembro. Diante de tantas preocupações, os mais de 40 cruzamentos certamente chamam atenção, com o Tricolor mais uma vez repetindo um padrão com o atual treinador.
São Paulo precisou recorrer aos cruzamentos contra o Internacional
O Internacional apostou em um modelo claro: bloco médio/baixo, linhas compactas e transições rápidas. Organizado em um 3-5-2, o time gaúcho priorizou fechar o corredor central e induzir o São Paulo a circular a bola por fora, onde a marcação era mais previsível. Sem a bola, a equipe de Paulo Pezzolano se defendia com densidade, muitas vezes formando uma linha de cinco defensores e um meio congestionado. Com isso, reduziu os espaços entrelinhas e dificultou a atuação dos meias tricolores.
Com a posse, o plano era direto: acelerar pelos lados ou buscar bolas longas para os atacantes, e o gol de Alerrandro nasceu desse cenário: jogada objetiva, poucos passes e ataque ao espaço. A partir da vantagem, o Inter reforçou ainda mais sua postura conservadora, tentando controlar o jogo sem necessariamente ter a bola.
Enquanto isso, o São Paulo apresentou um desenho mais propositivo, partindo de um 4-1-3-2 com alta ocupação no campo ofensivo. A equipe teve amplo domínio da posse (cerca de 66%) e volume de jogo, mas esbarrou em um problema recorrente: transformar controle em chances claras. A circulação era constante, mas muitas vezes previsível. Sem infiltrações consistentes entre as linhas do Inter, o time passou a depender de cruzamentos e bolas paradas. A superioridade territorial se refletiu nos números, mas não necessariamente em perigo real.
Taticamente, faltou coordenação nos movimentos de ruptura. Os atacantes, especialmente Jonathan Calleri, ficaram frequentemente isolados entre os zagueiros, enquanto os meias tinham dificuldade para ocupar os espaços às costas dos volantes adversários. A virada de chave tricolor veio com as boas alterações promovidas por Roger Machado, pois a entrada de um meia mais cerebral (com liberdade para flutuar entre linhas) deu ao São Paulo algo que faltava: conexão entre meio e ataque.
A ideia consistiu em manter dois pontas abertos para alongar a defesa do Inter e, ao mesmo tempo, inserir um jogador capaz de receber entrelinhas e acelerar a circulação por dentro. O próprio treinador destacou a necessidade de “um jogador mais cerebral pelo centro” para melhorar o controle ofensivo. Nos minutos finais, o jogo se transformou em um ataque contra defesa, e o Tricolor aumentou o ritmo, empilhou cruzamentos e passou a viver no campo ofensivo, enquanto o Inter já não conseguia sustentar as transições.
No entanto, considerando que o gol saiu apenas aos 42 minutos do segundo tempo depois de uma sequência longa de cruzamentos (contanto também com as linhas baixas do adversário) mostram que o São Paulo está abrindo mão da busca por espaços nos toques de bola.
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