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Baque no São Paulo: Lucas Moura fora da temporada, e agora?

O São Paulo recebeu mais uma notícia pesada em 2026 e apesar de estar andando bem com Roger Machado, é um baque tremendo para uma equipe que queria ter mais profundidade. Lucas Moura está fora do restante da temporada após uma nova lesão, justamente quando tentava retomar sequência.

E o momento não poderia ser mais delicado.

Diferente de outras perdas ao longo do ano, essa mexe diretamente com o tricolor paulista, por se tratar de uma das estrelas do elenco. O São Paulo já havia se reorganizado sem Oscar, que se aposentou antes do começo desta temporada e deixou de ser uma opção. Essa ausência, por mais pesada que tenha sido, já foi absorvida pelo modelo de jogo.

Agora, a discussão é outra: quem ocupa o espaço deixado por Lucas Moura e como o time se ajusta sem ele?

Um São Paulo competitivo e os números mostram isso

Mesmo com mudanças importantes no elenco, o São Paulo conseguiu manter um nível competitivo no Brasileirão. Nos últimos jogos, a equipe tem pontuado com regularidade e mostrado evolução coletiva, sustentada principalmente por um sistema mais organizado, mesmo com as enormes críticas para cima de Roger Machado.

Nos últimos cinco jogos, por exemplo, o time somou uma sequência consistente, com poucas derrotas e uma média de gols sofridos inferior a 1 por partida, um número que mostra claramente o avanço defensivo.

Além disso, o São Paulo reduziu o volume de finalizações cedidas por jogo, sinal de um time mais compacto e menos exposto. Ou seja, mesmo sem nomes importantes, o coletivo começou a responder. E isso tem muito a ver com o trabalho de Roger Machado.

O “como” tático do São Paulo: menos espaço, mais controle

A evolução do São Paulo passa diretamente por ajustes táticos claros e eficazes.

O time passou a jogar com linhas mais próximas, diminuindo o espaço entre defesa e meio-campo. Antes, havia uma distância maior entre os setores, o que facilitava a infiltração adversária. Hoje, a equipe atua de forma mais compacta, dificultando a progressão rival.

Outro ponto importante é o comportamento sem bola. O São Paulo passou a pressionar de forma mais coordenada, sem se desorganizar. Em vez de correr atrás da bola de maneira desordenada, o time fecha linhas de passe e força o erro do adversário.

Com a bola, a mudança também é visível. A equipe prioriza mais a posse e a construção apoiada, evitando acelerar jogadas de forma precipitada. Isso reduz perdas de posse perigosas e mantém o controle do jogo por mais tempo.

Não é um futebol vistoso o tempo todo, mas é eficiente.

O problema: Lucas Moura é outra coisa

Se o sistema melhorou, a perda de Lucas Moura atinge outro ponto, o da individualidade. Já era ausência há um tempo, mas existia aquela esperança de retornar, e já se apresentar ao time titular novamente. Ainda mais agora, que Calleri e Luciano se encaixaram novamente, um como 9 e o outro de camisa 10, sem esquecer também, do alto nível apresentado por Artur, desde que chegou ao clube.

Lucas é o tipo de jogador que costuma resolver quando o coletivo trava. É quem busca acelerar, romper linhas e transformar uma jogada comum em chance real. Em números simples, é um jogador que costuma participar diretamente de gols, seja marcando ou criando.

O São Paulo pode utilizar algumas peças para entregar algo semelhante ao oferecido por Lucas Moura, como tem ocorrido, as vezes Roger corre para Cauly, um meia mais criativo com habilidade, em outras situações dá espeço para Ferreirinha, que é fumaça pura, o mano a mano em sua principal característica.

Cauly ou Ferreirinha? Duas ideias diferentes para o São Paulo

Para suprir essa ausência, duas opções aparecem naturalmente: Cauly e Ferreirinha. Mas é importante entender: não são substituições iguais.

Cauly fortalece o controle, a criatividade. Com ele, o São Paulo ganha mais circulação de bola, presença entre linhas e organização ofensiva. É uma escolha que mantém o padrão coletivo.

Já Ferreirinha oferece ruptura, o mano a mano. É o jogador que tenta o drible, que parte para o um contra um e que pode devolver ao time parte da agressividade perdida sem Lucas Moura.

A decisão passa diretamente pelo plano de jogo. Contra equipes mais fechadas, Ferreirinha pode ser essencial. Contra adversários mais fortes, Cauly pode ajudar a controlar melhor o ritmo.

Mais do que escolher um substituto, Roger Machado pode precisar ajustar o comportamento coletivo.

Sem Lucas Moura, o São Paulo tende a atacar com mais gente próxima, trocando passes curtos e tentando infiltrações mais trabalhadas. Isso exige paciência e precisão. Outro caminho é explorar mais jogadas pelos lados com sobreposição de laterais, compensando a falta de explosão individual com movimentação coletiva.

São mudanças sutis, mas que fazem diferença no longo prazo.

O desafio do São Paulo: se manter frio

O São Paulo já provou que consegue competir mesmo com desfalques. Os números recentes mostram um time mais sólido, mais organizado e difícil de ser batido. Mas a perda de Lucas Moura eleva o grau de dificuldade, porque é diferente atuar sabendo que uma peça retornará, e agora, ter de entregar, sabendo que ela não retornará tão cedo.

Agora, além de defender bem, o time precisa encontrar novas formas de agredir. Precisa transformar controle em chances reais e chances em gols. Porque, no fim das contas, é isso que define jogos.

O cenário é claro: o São Paulo não precisa se reinventar totalmente, mas precisa evoluir dentro do que já construiu. E no Brasileirão, quem consegue ajustar rápido costuma sair na frente. Agora, a bola está com Roger Machado e com quem quiser assumir esse protagonismo.

Foto: Theo Daolio/Agência O Dia/Estadão Conteúdo