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São Paulo tem problemas, mas vitória em casa era tudo que a equipe precisava para respirar; confira as impressões do jogo

O São Paulo voltou a vencer no Campeonato Brasileiro e encontrou motivos para respirar em meio a uma temporada marcada pela irregularidade. Depois de duas derrotas consecutivas, para Santos e Cruzeiro, o Tricolor bateu o Vitória por 2 a 1, no Morumbis, pela 30ª rodada, com dois gols de Jonathan Calleri. A partida também marcou o retorno de Lucas Moura aos gramados após cinco meses afastado por lesão. Apesar dos problemas que voltaram a aparecer durante o confronto, as mudanças promovidas por Dorival Júnior surtiram efeito no segundo tempo e garantiram três pontos importantes para uma equipe que precisava interromper a sequência negativa.

A vitória teve um peso que vai além do resultado. O São Paulo voltou a mostrar dificuldades para administrar uma vantagem e permitiu que o Vitória crescesse depois de sofrer o primeiro gol. A equipe chegou a ser vaiada no intervalo, reflexo de um desempenho que repetiu problemas vistos em partidas recentes. No entanto, a resposta de Dorival Júnior após o descanso mudou o cenário, com as entradas de Lucas e Marcos Antônio reorganizando o meio-campo e devolvendo ao time a capacidade de pressionar o adversário.

Com o resultado, o Tricolor chegou aos 39 pontos e assumiu provisoriamente a nona colocação, dependendo dos demais resultados da rodada. Mais do que se afastar da zona de rebaixamento, o time ganhou a oportunidade de voltar a olhar para a parte de cima da tabela, embora o desempenho contra o Vitória tenha deixado claro que ainda existem questões importantes a resolver.

As mudanças de Dorival funcionaram no início, mas os velhos problemas apareceram

Dorival Júnior promoveu seis alterações em relação à equipe que havia perdido para o Cruzeiro, no Mineirão. Rafael, Newton, Lucas Ramon, Djhordney, Gustavo Santana e Iago começaram entre os titulares, enquanto Coronel, Rafael Tolói, Pedro Lima, Pablo Maia, Marcos Antônio e Wendell ficaram fora da formação inicial. Apesar das mudanças individuais, o treinador manteve o sistema com três zagueiros e dois alas, apostando no 3-5-2 para dar maior equilíbrio à equipe e oferecer alternativas na construção ofensiva.

Uma das novidades foi a utilização de Artur em uma função mais centralizada, atuando como meia em vez de permanecer aberto pelo lado direito. Na frente, Gustavo Santana e Calleri formaram a dupla de ataque, com a intenção de aproveitar a movimentação dos dois jogadores e aumentar a presença são-paulina na área adversária.

O plano funcionou nos primeiros minutos. O São Paulo começou pressionando, encontrou espaços para avançar e construiu a jogada que terminou no primeiro gol. A movimentação começou pelo lado direito, passou por Iago no corredor esquerdo e encontrou Calleri em condições de finalizar de cabeça. O argentino mostrou novamente sua importância dentro da área e colocou o Tricolor em vantagem, dando a impressão de que a equipe poderia ter uma noite relativamente tranquila no Morumbis.

O problema é que o São Paulo não conseguiu sustentar o comportamento ofensivo depois de abrir o placar. Em vez de continuar buscando o segundo gol e aproveitar o momento favorável, a equipe passou a demonstrar preocupação excessiva com a possibilidade de sofrer o empate. A posse de bola deixou de ser uma ferramenta para atacar e controlar o ritmo e passou a refletir uma postura mais cautelosa, na qual o objetivo parecia ser apenas proteger a vantagem.

Essa mudança de comportamento tem sido uma das dificuldades do Tricolor ao longo do Campeonato Brasileiro. A equipe consegue encontrar caminhos para marcar, mas frequentemente perde intensidade depois de assumir a liderança. O recuo excessivo permite que os adversários avancem, enquanto a concentração de jogadores na defesa nem sempre resulta em uma proteção eficiente da área.

Contra o Vitória, o problema voltou a ficar evidente. Mesmo com três zagueiros, dois volantes e os alas em posições mais recuadas, o São Paulo não conseguiu impedir que Emmanuel Martínez recebesse a bola livre na entrada da área. O jogador teve espaço para finalizar, contou com um desvio e venceu Rafael, empatando a partida.

O lance resumiu uma contradição que tem acompanhado o time: o São Paulo pode acumular jogadores atrás da linha da bola sem necessariamente defender bem. Ter mais atletas próximos da própria área não significa, por si só, controlar os espaços. Quando a marcação falha na origem da jogada, a superioridade numérica defensiva perde parte de sua utilidade.

Lucas e Marcos Antônio mudaram o jogo no segundo tempo

O empate transformou uma partida que parecia controlada em um cenário de tensão. O São Paulo foi para o intervalo sob vaias e manifestações de insatisfação da torcida, que voltou a demonstrar impaciência com a dificuldade da equipe para manter o rendimento. O resultado parcial também reforçava a sensação de que os mesmos problemas responsáveis pelas derrotas anteriores continuavam presentes, mesmo depois das mudanças na escalação.

Dorival, no entanto, voltou a mexer na equipe e encontrou uma resposta positiva no banco de reservas. Lucas Moura, que não atuava havia cinco meses por causa de uma lesão, entrou no lugar de Djhordney. Marcos Antônio também foi acionado, substituindo Lucas Ramon. As duas alterações modificaram a dinâmica do São Paulo e ajudaram a recuperar um setor que havia perdido influência durante o primeiro tempo: o meio-campo.

Com Lucas, o Tricolor ganhou capacidade de conduzir a bola, acelerar as jogadas e encontrar espaços entre as linhas do Vitória. Marcos Antônio, por sua vez, contribuiu para melhorar a circulação e dar mais qualidade à saída de bola. Em vez de depender de lançamentos e ataques pouco coordenados, o São Paulo voltou a construir suas jogadas com maior participação dos meio-campistas e conseguiu empurrar o adversário para perto da própria área.

A mudança foi importante porque não se limitou à entrada de dois jogadores tecnicamente qualificados. O time passou a ocupar melhor os espaços e recuperou a capacidade de pressionar depois de perder a posse. O Vitória, que havia encontrado condições para avançar e buscar o empate, passou a ter menos liberdade para sair jogando e precisou concentrar seus esforços na defesa.

Foi nesse contexto que Calleri voltou a aparecer. O centroavante marcou novamente e garantiu o gol que definiu a vitória são-paulina, confirmando a importância de sua presença na área e sua capacidade de transformar oportunidades em resultados. Se o primeiro gol havia colocado o Tricolor em vantagem, o segundo chegou em um momento no qual a equipe já conseguia exercer maior controle sobre a partida.

A atuação de Calleri também reforçou uma característica importante do elenco. Em um momento de instabilidade coletiva, o argentino continua sendo uma referência ofensiva capaz de decidir jogos. Sua participação foi fundamental para que o São Paulo transformasse a melhora apresentada no segundo tempo em algo concreto, evitando que a reação terminasse apenas com uma sensação positiva de desempenho.

O retorno de Lucas, por sua vez, oferece uma perspectiva importante para a sequência da temporada. Depois de cinco meses afastado, o meia voltou a jogar e participou justamente do período em que a equipe conseguiu recuperar o controle da partida. Ainda será necessário observar como ele responderá fisicamente à retomada e como poderá ser integrado gradualmente à equipe, mas sua presença acrescenta uma alternativa técnica relevante a um setor que precisa de criatividade e capacidade de acelerar o jogo.

A vitória afasta o fantasma do rebaixamento, mas não resolve os problemas

O resultado diante do Vitória permite que o São Paulo respire na tabela. Com 39 pontos e a nona colocação provisória, o time abriu oito pontos de vantagem para a zona de rebaixamento e reduziu a pressão imediata de uma disputa que poderia se tornar muito mais preocupante caso a sequência negativa continuasse. A distância oferece algum alívio, mas não deve ser confundida com uma situação definitivamente resolvida, especialmente porque ainda restam partidas importantes até o encerramento do campeonato.

A vitória também abre espaço para que o Tricolor volte a pensar em uma aproximação da parte superior da classificação. Com os resultados da rodada ainda pendentes, a equipe pode encontrar condições para recuperar terreno e manter viva a possibilidade de disputar uma vaga em competições continentais. O próprio Calleri destacou a importância de alcançar a Libertadores, um objetivo que exige maior regularidade nas rodadas restantes.

Para isso, porém, o São Paulo precisará corrigir problemas que três pontos não são capazes de apagar. A dificuldade para administrar vantagens, a perda de intensidade depois de marcar e as falhas de posicionamento defensivo continuam sendo sinais de alerta. Contra o Vitória, o time teve a oportunidade de vencer com maior tranquilidade, mas permitiu que o adversário voltasse à partida e precisou de uma reação no segundo tempo para evitar outro resultado frustrante.

O trabalho de Dorival Júnior passa, portanto, por encontrar um equilíbrio mais consistente entre a proteção defensiva e a iniciativa ofensiva. Recuar a equipe não tem garantido segurança, enquanto a perda de presença no meio-campo facilita a aproximação dos adversários. A entrada de Marcos Antônio e Lucas mostrou que a capacidade de controlar a bola e ocupar melhor os espaços pode ser tão importante para defender uma vantagem quanto simplesmente aumentar o número de jogadores posicionados atrás.

O São Paulo também precisa transformar o retorno de jogadores importantes em uma melhora coletiva, sem depender exclusivamente de atuações individuais para resolver partidas. Calleri foi decisivo, Lucas contribuiu para a mudança de dinâmica e Marcos Antônio ajudou a reorganizar o meio-campo, mas a evolução precisará envolver o comportamento de toda a equipe durante os 90 minutos.

No Morumbis, o Tricolor conseguiu aquilo de que mais precisava: interrompeu as derrotas e recuperou parte da confiança. A atuação não foi perfeita, e o empate sofrido mostrou que os problemas continuam presentes, mas a resposta após o intervalo deixou uma indicação positiva sobre as alternativas disponíveis para Dorival.

(Foto: Rubens Chiri/São Paulo)