Scott Coker está de volta ao MMA. Nesta quinta-feira (21), por meio das redes sociais, o promotor anunciou a criação de uma nova liga para competir diretamente com o UFC. Ainda sem nome definido, a organização terá um investimento inicial de 50 milhões de dólares, cerca de R$ 250 milhões na cotação atual. Coker será CEO e cofundador do projeto ao lado de Peter Levin, executivo da Griffin Gaming Partners.
O retorno de Coker ao mercado movimenta o cenário das artes marciais mistas. Isso porque ele foi o principal responsável pelas duas maiores concorrentes do UFC nos últimos anos: Bellator e Strikeforce. A primeira alcançou relativo sucesso internacional e acabou vendida para a Professional Fighters League (PFL). Já a Strikeforce foi adquirida pelo próprio UFC e, posteriormente, encerrada.
Agora, Coker tenta mais uma vez criar uma alternativa sólida ao domínio da organização liderada por Dana White. O executivo afirmou que o novo projeto será diferente do modelo tradicional adotado pelas grandes ligas atuais. A expectativa é que os primeiros detalhes oficiais sejam divulgados nas próximas semanas, enquanto o lançamento da nova empresa está previsto para 2027.
No comunicado oficial, Coker destacou que esperou o momento ideal para voltar ao MMA. “Sempre soube que queria voltar quando chegasse a hora certa, com a visão correta e uma equipe cuidadosamente selecionada. Essa hora é agora”, declarou.
Além disso, Coker afirmou que existe espaço para uma nova potência no esporte. “Há uma demanda incrível por uma marca global nova e inovadora no MMA. Esta nova liga tem como objetivo retornar ao que realmente importa: a integridade da competição, o respeito pelos atletas e o compartilhamento de suas trajetórias extraordinárias com o mundo”, afirmou o dirigente.
A fala de Coker mostra uma estratégia voltada para diferenciação. Em um mercado dominado pelo UFC, apostar em valorização de atletas e identidade própria pode ser um caminho para atrair público e patrocinadores. O histórico do executivo também ajuda a criar expectativa positiva entre fãs mais antigos do esporte.
Investidores de peso fortalecem novo projeto
A nova criação de Coker contará com nomes importantes nos bastidores. Entre os investidores que supostamente apoiarão a futura liga de MMA estão a empresa Upper Deck, Steve Kaplan — proprietário do DC United e cofundador da Oaktree Capital — e Swimmy Minami, fundador da Visional e sócio minoritário do New York Yankees.
O grupo ainda reúne figuras conhecidas de outros setores do entretenimento e do esporte. A lenda do skate Tony Hawk aparece entre os apoiadores do projeto, além de Dean Dakolias, ex-vice-presidente do Fortress Investment Group. Há também investidores ligados a franquias da NFL e da NBA.
A presença desses nomes demonstra que Coker busca construir uma organização com forte capacidade financeira e apelo global. Nos últimos anos, o MMA se consolidou como um produto de entretenimento mundial, atraindo interesse de empresários de diferentes segmentos.
Outro ponto importante é que Coker possui experiência em desenvolver marcas esportivas. Tanto no Strikeforce quanto no Bellator, ele conseguiu revelar atletas importantes e firmar acordos relevantes de transmissão. Isso pode facilitar futuras negociações comerciais da nova empresa.
Mesmo assim, especialistas entendem que o cenário atual é mais difícil do que em anos anteriores. O UFC ampliou seu domínio global e consolidou contratos milionários de mídia e patrocínio, tornando o mercado mais competitivo para novas ligas.
Desafiar o UFC será o maior obstáculo
A missão de enfrentar o UFC é extremamente complicada. A organização presidida por Dana White possui os principais atletas do planeta, enorme alcance internacional e uma estrutura consolidada em praticamente todos os continentes.
Apesar disso, o retorno de Coker pode representar uma nova ameaça ao reinado do Ultimate. O mercado vem mostrando que existe interesse do público por eventos alternativos, especialmente quando há grandes estrelas envolvidas.
No último fim de semana, por exemplo, a MVP, empresa ligada ao pugilista Jake Paul, conseguiu números expressivos de audiência ao transmitir lutas estreladas pela Netflix. O sucesso da iniciativa reforça que plataformas de streaming e formatos diferentes podem abrir novas oportunidades para concorrentes do UFC.
Ainda assim, o maior desafio dessas organizações é manter regularidade. Muitas ligas conseguem chamar atenção inicialmente, mas encontram dificuldades para sustentar calendário forte, contratar atletas relevantes e revelar novos talentos ao longo dos anos.
Esse é justamente o principal diferencial do UFC atualmente. A empresa monopoliza grandes lutadores, domina o sistema de formação de estrelas e consegue promover eventos frequentes em escala mundial. Para competir de verdade, Coker precisará oferecer estabilidade financeira, visibilidade e boas oportunidades para atletas e fãs.
Mesmo diante das dificuldades, o retorno de Coker adiciona um novo capítulo ao MMA mundial. A experiência acumulada pelo dirigente e o investimento milionário colocam a futura liga como um projeto que merece atenção nos próximos anos.
Foto: Amy Kaplan / Icon Sportswire via Getty Images