Desde que Carlo Ancelotti assumiu o comando da Seleção Brasileira, o torcedor vem acompanhando cada convocação com aquela expectativa: quem vai ganhar a confiança do treinador? O time tem talento de sobra no ataque e no meio-campo, mas a real é que algumas posições seguem em aberto e ainda não têm dono absoluto. E se tem algo que vem preocupando nos últimos anos são as laterais – tanto a direita quanto a esquerda – além da eterna discussão sobre o camisa 9 ideal, o centroavante que vai comandar o ataque.
Vamos falar sobre essas três posições que ainda deixam dúvidas na cabeça de Ancelotti e quem são os principais candidatos para cada uma delas.
A novela da lateral direita
A lateral direita é, sem exagero, uma das posições mais problemáticas da Seleção nos últimos anos. Depois da era Daniel Alves, que reinou absoluto por mais de uma década, ninguém conseguiu assumir de vez a vaga. A lista de testes é longa: Wesley, Vanderson, Danilo, Emerson Royal, Yan Couto, e até o Éder Militão improvisado já apareceu por ali. O problema é que nenhum conseguiu passar aquela confiança que o torcedor gosta de sentir quando vê alguém com a camisa da Seleção.
O próprio Danilo foi o que mais vezes teve chances, mas nunca conseguiu se firmar de forma incontestável. Em clubes, ele é confiável, mas na Seleção vive altos e baixos. Emerson Royal, apesar da experiência na Premier League, ainda sofre com críticas por falhas defensivas e irregularidade. Já Yan Couto, mais jovem, surge como promessa e tem talento para evoluir, mas ainda não convenceu o suficiente.
Ancelotti, experiente como é, sabe que precisa resolver essa dor de cabeça. O lateral-direito ideal precisa ser equilibrado: marcar bem, apoiar no ataque e ter confiança para encarar os grandes jogos. Hoje, a briga segue aberta, e o torcedor ainda não vê um nome que possa ser chamado de “dono” da posição.
A instabilidade na lateral esquerda
Se a direita preocupa, a esquerda não fica atrás. Guilherme Arana, que vinha sendo tratado como favorito antes da lesão grave no joelho, ainda busca recuperar o ritmo e a forma de antes. Ayrton Lucas, destaque no Flamengo, já teve oportunidades, mas também não conseguiu convencer plenamente. A instabilidade dessa posição faz com que a Seleção entre em campo sem a mesma segurança que tinha em outras épocas, quando Marcelo e Roberto Carlos praticamente dominaram o setor por décadas.
A novidade recente é a convocação de Caio Henrique, lateral do Monaco. Ele vinha jogando em alto nível na Europa antes de também sofrer com lesões, mas segue visto como uma das principais apostas para ocupar a vaga. Caio é um jogador que se destaca pela regularidade, pelo apoio ofensivo e pela qualidade nos cruzamentos, o que pode encaixar bem com a ideia de jogo de Ancelotti.
Ainda assim, a dúvida persiste: será que ele consegue manter esse nível enfrentando as maiores seleções do mundo? O torcedor tem a sensação de que qualquer falha pode custar caro, justamente porque não há um “intocável” na posição. E isso mostra o quanto a lateral esquerda ainda é um ponto frágil da Seleção.
O eterno dilema do camisa 9 – agora com João Pedro em alta no Chelsea
Se nas laterais o problema é encontrar consistência, no ataque o dilema é outro: quem vai ser o centroavante de confiança da Seleção? Nos últimos anos, a posição de camisa 9 virou uma discussão interminável. O Brasil sempre foi celeiro de grandes atacantes – Romário, Ronaldo Fenômeno, Adriano Imperador, Careca… – mas essa tradição sofreu um hiato.
Hoje, alguns nomes tentam preencher essa lacuna. Richarlison foi quem mais assumiu o papel de “homem de área” nos últimos tempos. Com raça, entrega e bons momentos, chegou a ser artilheiro da Seleção recente, mas a irregularidade e as lesões atrapalharam. Gabriel Jesus, que já teve várias chances, nunca conseguiu repetir na Seleção o mesmo desempenho que mostrou no auge no Manchester City.
Outros jogadores surgem como alternativas. Matheus Cunha, que vive boa fase na Premier League, pode ser opção se mantiver a regularidade. Endrick, joia promissora, ainda é muito jovem, mas já mostrou potencial para assumir o protagonismo em breve. E, agora, João Pedro, do Chelsea, parece ter ganhado moral após o início avassalador pelos Blues e a ótima performance no Mundial de Clubes. Ele pode ser justamente o nome que Ancelotti procurava para assumir de vez essa função.
A questão é que Ancelotti gosta de times equilibrados, e ter um centroavante confiável é fundamental para isso. O torcedor sente falta de ver aquele goleador nato, que não perdoa quando a bola sobra dentro da área. Até agora, ninguém conseguiu assumir esse posto de forma incontestável, mas a fase de João Pedro pode mudar esse cenário rapidamente.
Posições em aberto na Seleção Brasileira
As laterais e a camisa 9 seguem sendo os maiores desafios de Ancelotti nesse início de trabalho com a Seleção Brasileira. Enquanto o meio-campo e o setor ofensivo têm diversas opções de qualidade, esses três pontos ainda deixam dúvidas e, muitas vezes, insegurança.
Na lateral direita, a busca é por alguém que dê a mesma consistência que Daniel Alves oferecia no auge. Na esquerda, Caio Henrique surge como esperança, mas ainda precisa provar que pode ser dono da posição. Já no ataque, o camisa 9 ideal continua indefinido, mas João Pedro surge com força para assumir o protagonismo.
O fato é que a Seleção tem material humano e talento de sobra, mas precisa encontrar essas peças-chave para que o time entre em campo completo, sem buracos. Até lá, Ancelotti segue quebrando a cabeça e o torcedor, como sempre, segue cobrando.