A Seleção Brasileira sofreu sua primeira derrota sob comando de Carlo Ancelotti na última rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo, devido principalmente aos efeitos da altitude de La Paz, no Estádio El Alto, tendo sido esta a principal aposta da Bolívia durante todo o torneio para garantir ao menos uma vaga nos playoffs. Os mais de 4 mil metros de altitude impediram que o Brasil reproduzisse seu novo comportamento padrão com a nova comissão técnica e acabou rendendo a derrota por 1 a 0 que não alterará o julgamento do trabalho, ainda mais com a intervenção do VAR em um lance polêmico. No entanto, o que foi possível extrair de uma derrota em condições adversas acabou sendo um grande sinal de alerta para a atual gestão da CBF evitar os erros cometidos pelas gestões anteriores.
Mesmo que não interfira no trabalho atual, a derrota confirmou a pior campanha da história do Brasil em Eliminatórias para a Copa do Mundo com seis derrotas sofridas para cinco países diferentes. Num ciclo com quatro técnicos e praticamente nenhuma regularidade de trabalho, os 28 pontos somados pela Seleção Brasileira e apenas o 5º lugar conquistado precisam render uma análise série e profunda para os próximos anos.

Seleção Brasileira adotou estratégia defensiva contra a Bolívia
Carlo Ancelotti resolveu apostar em um 4-3-3 (com variações para o 4-5-1) no jogo diante da Bolívia com estratégia de tentar diminuir o ímpeto ofensivo adversário buscando preservar o aspecto físico de seus atletas, mas a Seleção Brasileira não tentou impor uma pressão no campo adversário, e os bolivianos aproveitando para construir jogadas em velocidade apostando principalmente pelo lado direito. Caio Henrique sofreu na marcação devido à estratégia e aos efeitos da partida, mas os vários cruzamentos na área e chutes de longa distância não deram grande trabalho ao goleiro Alisson.
Apesar do bom comportamento defensivo durante os 90 minutos, o Brasil encontrou problemas para articular jogadas a partir das saídas formadas por Alexandro, Fabrício Bruno e Alisson, trio que trocou muitos passes próximo do meio-campo sem conseguir fazer a progressão ofensiva. O maior responsável por conduzir a bola ao ataque foi Bruno Guimarães, que demonstrou maior atitude na partida e conseguiu dar uma resposta mais positiva à Carlo Ancelotti mesmo sem levar muito perigo.
Brasil voltou melhor no segundo tempo após substituições no ataque
Depois do polêmico pênalti concedido para a Bolívia no fim do primeiro tempo, a Seleção Brasileira voltou melhor no início da etapa complementar com as entradas de Estêvão, Raphinha, João Pedro e Marquinhos, apostando em um 3-5-2. Com maior volume ofensivo e mais cruzamentos precisos na área, o Brasil encaixou boas chances de gol principalmente nos 15 minutos iniciais, enquanto a Bolívia apostou no antijogo total para tentar segurar a vitória fazendo os gandulas sumirem com as bolas, fomentando protestos da CBF após o apito final. Mesmo com maior imposição ofensiva, o goleiro Lampe pouco trabalhou devido à falta de capricho nas finalizações.
Por fim, a grande notícia negativa nesta Data Fifa consistiu em duas atuações ruins de Richarlison, jogador que certamente retornará para o Tottenham com menos pontos na Seleção Brasileira e precisará justificar uma nova convocação com grandes atuações sob comando de Thomas Frank nas próximas semanas.
Imagem: AFP



