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Seleção brasileira: sem Paquetá, como Ancelotti pode montar o meio-campo contra a Noruega?

A classificação dramática sobre o Japão colocou o Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo, mas deixou um problema importante para Carlo Ancelotti resolver. A lesão de Lucas Paquetá obriga o treinador italiano a reformular o setor que talvez seja o mais delicado de sua equipe justamente antes do duelo diante da Noruega, seleção que eliminou a Costa do Marfim e chega embalada por uma campanha consistente.

A ausência de Paquetá vai muito além da perda de um titular. Desde o começo da Copa, Ancelotti construiu boa parte do funcionamento ofensivo em torno da capacidade do camisa 20 de conectar os setores da equipe. É ele quem aproxima o meio do ataque, oferece apoio constante na saída de bola, pressiona sem a posse e ainda aparece na área adversária como elemento surpresa.

Contra uma Noruega que costuma defender em bloco médio e aposta na força física de seu meio-campo para reduzir espaços entre as linhas, encontrar um substituto não será simplesmente escolher outro meia. O desafio será preservar o equilíbrio coletivo sem perder criatividade.

Ao longo dos últimos jogos, Ancelotti mostrou que não está preso a um único modelo. Contra o Japão, por exemplo, alterou completamente o comportamento ofensivo da equipe durante o segundo tempo ao deslocar Gabriel Martinelli para atuar por dentro, aproximando-o dos atacantes e liberando Bruno Guimarães para aparecer mais no último terço. A mudança desmontou a linha defensiva japonesa, obrigando o adversário a recuar praticamente com cinco jogadores na última linha e criando espaços para Vinícius Júnior atacar em situações de um contra um.

Essa flexibilidade amplia o número de alternativas para substituir Paquetá.

Danilo Santos surge como possibilidade mais interessante

Esta é a alternativa considerada mais provável. Danilo Santos substituiria Paquetá de forma praticamente direta, preservando o trio de meio-campo com Casemiro e Bruno Guimarães e mantendo o desenho tático utilizado durante a fase de grupos. A principal vantagem é não alterar as funções dos demais jogadores.

Danilo faria bem o trabalho tático de Paquetá, principalmente na pressão pós-perda, e poderia oferecer uma característica de infiltração interessante para jogar com um Bruno Guimarães mais criador. O meia agradou Ancelotti nos últimos amistosos pré-Copa, mas ainda não teve minutos consistentes na competição. É uma opção mais do que viável.

Gabriel Martinelli dá força ofensiva, mas Brasil perde fator tático

Uma possibilidade envolve repetir parcialmente o que funcionou para o Brasil diante do Japão. Gabriel Martinelli demonstrou enorme conforto atuando como meia-atacante durante a reta final da partida. Longe de ser apenas um ponta deslocado para o centro, o atacante passou a atacar constantemente os espaços entre zagueiros e volantes, oferecendo presença de área e criando problemas para a defesa japonesa.

Seu posicionamento permitiu que Bruno Guimarães circulasse com maior liberdade, enquanto Vinícius Júnior permanecia aberto pela esquerda para explorar situações individuais.

Contra a Noruega, essa configuração pode oferecer vantagens semelhantes. Os noruegueses costumam defender com linhas compactas, mas deixam espaço às costas de seus volantes quando precisam acompanhar movimentações internas. Martinelli poderia explorar exatamente esses corredores, funcionando quase como um segundo atacante durante vários momentos da partida.

Uma mudança mais defensiva com Fabinho titular

Existe ainda uma alternativa que representaria uma mudança mais profunda na identidade da equipe. Ancelotti pode optar por reforçar o meio-campo com um volante adicional, utilizando Fabinho ao lado de Casemiro e Bruno Guimarães. Nesse cenário, Bruno teria liberdade para atuar alguns metros mais à frente, enquanto o Brasil ganharia maior proteção contra os contra-ataques noruegueses.

Seria uma solução especialmente interessante considerando as características do adversário. A Noruega eliminou a Costa do Marfim justamente explorando transições rápidas e impondo grande intensidade física no setor central. Reforçar a marcação poderia reduzir os espaços para jogadores capazes de acelerar essas transições.

O risco, naturalmente, seria diminuir a criatividade ofensiva. Sem Paquetá, o Brasil perderia um jogador capaz de receber entre linhas e acelerar imediatamente a construção. A equipe dependeria ainda mais da inspiração individual de Vinícius Júnior e da movimentação constante de Matheus Cunha.

Endrick e a volta para o 4-2-4

Também não pode ser descartada uma aposta em Endrick. Embora seja centroavante de origem, o jovem mostrou contra o Japão que consegue participar da pressão alta e oferecer mobilidade entre os defensores adversários. Uma formação mais ofensiva poderia deslocar Cunha para atuar como meia de ligação em determinados momentos, deixando Endrick mais próximo da área. Não seria uma substituição direta de Paquetá, mas uma reorganização completa do ataque brasileiro.

O 4-2-4 foi o esquema utilizado durante praticamente todo o ciclo de Ancelotti, mas foi descartado na Copa por conta de Paquetá. No entanto, com um meio de campo mais dinâmico, se o técnico italiano decidir sacar Casemiro por Danilo Santos, existe uma possibilidade de usar o esquema sem perder solidez defensiva, o que pode ajudar bastante na pressão pós-perda.

(Foto: Reprodução/Instagram Lucas Paquetá)