A Seleção brasileira empatou em 0 a 0 com o Equador na última quinta-feira (5), na estreia de Carlo Ancelotti à frente da pentacampeã mundial. Aqui na Playmaker Brasil já apontamos os pontos positivos e negativos do jogo em Guayaquil, mas neste texto vamos abordar o que Ancelotti pode fazer para melhorar a equipe, principalmente no setor ofensivo e na criação de jogadas.
Que mudanças táticas podem ser feitas para que a Seleção Brasileira supere suas dificuldades na construção e consiga furar com mais facilidade as defesas adversárias?
O Brasil ocupa o quarto lugar nas Eliminatórias da América do Sul e pode confirmar sua vaga para a Copa do Mundo de 2026 em caso de vitória sobre o Paraguai, desde que a Venezuela não vença o Uruguai. Mas vamos voltar ao que acontece dentro de campo.
Antes de qualquer análise, é importante lembrar que Carlo Ancelotti teve pouco tempo para trabalhar com o grupo antes da partida contra o Equador. Ainda assim, a Seleção já mostrou uma pequena evolução, principalmente na defesa, que em nenhum momento permitiu que os equatorianos impusessem pressão ou criassem chances claras de gol.
Mesmo com um jogo ainda pobre no ataque, as melhores chances foram do Brasil. O Equador teve mais posse e trocou mais passes, cercando a área brasileira, mas sem efetividade. Dito isso, vamos aos ajustes que Ancelotti precisa considerar para o jogo contra o Paraguai, na terça-feira (10), e para o restante das Eliminatórias — pensando, claro, na próxima Copa.
Falta de um camisa 10
O principal problema no jogo contra o Equador foi a evidente carência de criação. O Brasil começava as jogadas com uma boa saída de bola pelos zagueiros Marquinhos e Alex Sandro, passava pelos volantes — especialmente Casemiro —, mas faltava alguém para organizar o jogo no meio.
Com três volantes escalados (Casemiro, Bruno Guimarães e Gerson), a Seleção ficou sem um articulador. Gerson é o mais próximo desse papel, mas atua mais como camisa 8 do que como 10. Casemiro é o clássico cão de guarda, e Bruno Guimarães joga como segundo volante.
Com Dorival Júnior, Rodrygo vinha atuando como meia centralizado, mas não foi convocado por conta de lesão. Durante o jogo, Ancelotti tentou reposicionar Estevão por dentro para assumir essa função, mas o jovem do Palmeiras ficou preso ao lado direito e pouco participou da construção central.
Pensando em próximas convocações, Ancelotti poderia testar Alan Patrick, maestro do meio-campo do Internacional. Uma opção menos provável, mas válida pela qualidade técnica, seria Paulo Henrique Ganso, do Fluminense.
Rodrygo pode continuar sendo essa peça no meio, jogando atrás dos atacantes. Estevão também pode ser treinado para assumir essa função. São alternativas que o “Carletto” pode considerar.
Nem sempre é preciso um camisa 9
Diante da escassez de centroavantes de alto nível, Ancelotti poderia explorar outras ideias para o comando de ataque, como usar um falso 9 — alguém mais móvel, como Rodrygo ou Matheus Cunha.
Esses jogadores, além de finalizarem, podem ajudar na construção das jogadas, deixando o ataque mais ágil e menos previsível. Em vez de depender de um homem de referência, o Brasil ganharia um setor ofensivo mais fluido, com atacantes que se movimentam e trocam de posição.
Um trio com Vinicius Jr. pela esquerda, Cunha mais centralizado e Rodrygo pela direita traria velocidade e inteligência, com Estevão como uma ótima opção no banco.
Laterais mais ofensivos
Para tornar o ataque mais perigoso, o Brasil precisa de laterais que apoiem de verdade. Que cheguem à linha de fundo, cruzem e ofereçam opção de passe. Essa não é uma das virtudes de Alex Sandro, que se destaca muito mais pela defesa.
Vanderson, pela direita, fez um jogo abaixo contra o Equador. Ainda precisa de tempo para mostrar se tem nível de Seleção.
Apesar da goleada sofrida contra a Argentina, Guilherme Arana (Atlético-MG) e Wesley (Flamengo) são laterais mais ofensivos e poderiam contribuir muito no terço final, tanto na construção quanto em profundidade.
Defesa sólida, ataque previsível
Como já dissemos, a Seleção demonstrou evolução defensiva. A volta de Casemiro trouxe mais segurança, e Alexsandro foi o melhor em campo, seguro e eficiente. O zagueiro do Lille não sentiu o peso da camisa.
Mas o ataque ainda precisa de ajustes. Foi previsível, sem variação de jogadas e com pouca presença pelo centro. É o setor que mais exige atenção de Ancelotti nos próximos treinos.
Pensando nisso, uma escalação mais criativa e imprevisível poderia ser a seguinte, no 4-4-2:
Alisson; Wesley, Marquinhos, Alexsandro, Arana; Casemiro, Bruno Guimarães, Gerson, Rodrygo; Vinicius Jr. e Matheus Cunha.
Ou, num 4-3-3, com Rodrygo de falso 9:
Alisson; Wesley, Marquinhos, Alexsandro, Arana; Casemiro, Bruno Guimarães, Gerson; Estevão, Rodrygo e Vinicius Jr.
Esses são apenas alguns caminhos que Carlo Ancelotti pode explorar para melhorar a Seleção Brasileira. O jogo contra o Paraguai, na Neo Química Arena, será uma boa oportunidade para ver como o time se comporta contra um adversário fechado, onde precisará propor o jogo e ser criativo.
A Seleção volta a campo na terça-feira (10), contra o Paraguai, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Uma vitória, somada a uma combinação de resultados, pode selar a classificação para o Mundial nos Estados Unidos, México e Canadá.

