Copa 2026 Seleções Africanas
Futebol Copa do Mundo Outras ligas

Seleções africanas querem surpreender mais uma vez na Copa do Mundo 2026; Confira

O futebol africano entra em uma nova fase antes da Copa do Mundo de 2026, que será realizada entre os meses de junho e julho no México, Estados Unidos e Canadá. Nove seleções do continente refletem diferentes estágios de maturidade e ambição no ano que vem. Marrocos e Tunísia seguem dominantes; Egito e Argélia retomam o protagonismo; Gana busca redenção; e Cabo Verde celebra uma classificação inédita. Completam o grupo Senegal, Costa do Marfim e África do Sul, todas com projetos sólidos e consistentes. São essas as seleções que chegam ao Mundial com garra e contas a acertar.

Entre elas, o Marrocos foi a primeira equipe africana a garantir vaga na Copa do Mundo de 2026, com uma campanha quase impecável: invicta, dominante e com apenas dois gols sofridos. Os “Leões do Atlas”, comandados pelo técnico e ex-jogador Walid Regragui, têm a missão de provar que o histórico desempenho na semifinal de 2022 não foi um acaso, quando foi eliminada pela França na ocasiaõ. A pressão é ainda maior, já que o país sediará o Mundial de 2030 ao lado de Portugal e Espanha.

Com o lateral-direito Achraf Hakimi como grande referência, o meia-atacante Brahim Díaz como peça versátil e jovens como Hamza Igamane despontando, o time marroquino se destaca pela intensidade, mas ainda enfrenta críticas pela falta de um plano tático mais estruturado, dependendo demais das individualidades. O desafio será administrar o favoritismo e manter o equilíbrio diante de seleções com ataques mais poderosos na Copa do Mundo de 2026, ao lado de potências europeias e sul-americanas.

A Tunísia, por sua vez, brilhou no Grupo H como um verdadeiro império cartaginês moderno: somou 28 pontos, nove vitórias, um empate, marcou 22 gols e não sofreu nenhum. Sob o comando de Sami Trabelsi, o time demonstrou notável evolução tática e solidez defensiva. Hannibal Mejbri (ex-Manchester United), Ben Romdhane (Al Ahly) e o jovem Ismaël Gharbi são pilares da equipe. O técnico Hatem Trabelsi busca fortalecer o elenco com talentos binacionais como Ady Santos e Chermiti. Com a melhor defesa da África, o grande desafio será resistir a ataques de elite na Copa do Mundo.

O Egito também garantiu sua vaga na Copa do Mundo com autoridade: oito vitórias e dois empates, liderando seu grupo com sobriedade. Mohamed Salah, o eterno capitão e símbolo nacional, continua sendo o motor do ataque, agora ao lado de Omar Marmoush e Ibrahim Adel. Sob o comando de Hossam Hassan, os Faraós reencontraram equilíbrio e identidade, embora ainda dependam fortemente do condicionamento físico de Salah — um possível ponto fraco diante de adversários intensos. O objetivo é redimir-se da decepção de 2018 e voltar a brilhar no cenário mundial.

A Argélia retorna a Copa do Mundo com a moral elevada, após garantir a vaga com um convincente 3 a 0 sobre a Somália. Mohamed Amoura foi o destaque, marcando dois gols, e ao lado do experiente Riyad Mahrez, lidera um time que combina força, técnica e maturidade. Sob o comando de Vladimir Petkovic, a equipe ganhou solidez e consistência. O desafio agora é manter o ritmo contra adversários europeus e comprovar que a nova geração pode reviver a glória de 2014.

A Gana reafirma seu status de potência africana, com 23 gols marcados e apenas seis sofridos nas Eliminatórias. Mohammed Kudus (West Ham) lidera o ataque criativo, apoiado por Kwasi Sibo e Thomas Partey no meio-campo. A equipe de Otto Addo une juventude e talento, mas a defesa inconsistente ainda preocupa. Depois dos altos e baixos recentes e da frustração na classificação para a Copa do Mundo na África do Sul, os “Black Stars” buscam reviver o épico desempenho de 2010.

Já a seleção de Cabo Verde escreve um capítulo histórico ao garantir vaga pela primeira vez em uma Copa do Mundo. Os “Tubarões Azuis” derrotaram a Suazilândia por 3 a 0 na partida decisiva, com Dailon Livramento e Stopira em destaque. Formado majoritariamente por jogadores da diáspora europeia, o elenco de Pedro Brito “Bubista” se destaca pela coesão e disciplina tática. A estreia servirá de aprendizado, mas o time promete surpreender com coragem e organização.

A África do Sul volta a Copa do Mundo após 16 anos longe, superando até uma penalização de pontos nas Eliminatórias Africanas. Com Lyle Foster, Teboho Mokoena e Ronwen Williams como líderes, os Bafana Bafana mostraram garra e velocidade ofensiva. Hugo Broos, o técnico, revitalizou o grupo e cumpriu sua promessa de classificação. Apesar da pouca experiência em torneios globais, o objetivo é competir com orgulho e provar que o futebol sul-africano está de volta à elite.

A Costa do Marfim dominou seu grupo com autoridade, revelando uma nova geração que resgata o brilho da era Didier Drogba nos anos 2000 e 2010. Com Simon Adingra no ataque, Franck Kessié no meio de campo e Yan Diomande como destaque, os Elefantes combinam força e técnica. Sob o comando do técnico Emerse Faé, a equipe demonstra equilíbrio ofensivo, embora a defesa ainda desperte dúvidas. Se mantiver o foco, pode ser uma das grandes surpresas da Copa.

Por fim, Senegal confirma seu status de potência africana, classificando-se com facilidade e exibindo seu tradicional vigor físico. Sadio Mané continua sendo o líder espiritual, acompanhado por talentos como Iliman Ndiaye e Nicolas Jackson. Comandados por Pape Thiaw, os “Leões de Teranga”, apostam na continuidade e experiência. O desafio será aprimorar a pontaria e evitar as quedas de rendimento que prejudicaram o time na Copa de 2022. Se tudo correr bem, podem ir longe novamente.

Do outro lado, República Democrática do Congo, Camarões, Nigéria e Gabão ainda têm esperanças após boas atuações finais, mas apenas uma vaga está em jogo. A Nigéria avançou ao play-off com um sonoro 4 a 0 sobre o Benin, impulsionada por um hat-trick de Victor Osimhen. O Gabão ficou entre os melhores segundos colocados, com Pierre-Emerick Aubameyang comandando o ataque. Camarões, que venceu o Brasil na última Copa, enfrentará pressão extra após terminar atrás de Cabo Verde. Já a República Democrática do Congo confia em Cédric Bakambu, herói da classificação, para buscar a sonhada vaga no Mundial.

Seleções africanas sonham alto para 2026: quem pode ir mais longe na Copa do Mundo?

Com nove representantes garantidos, a África chega à Copa do Mundo de 2026 com uma mistura de talento, expectativa e desejo de afirmação. Após o feito histórico de Marrocos em 2022, o continente participa de um torneio ampliado com ambição renovada. Marrocos, Tunísia, Costa do Marfim, Egito, Argélia, Gana, Senegal, África do Sul e Cabo Verde formam um mosaico de estilos e gerações.

Marrocos: o novo padrão africano

A seleção marroquina chega como referência continental. O desempenho em 2022 elevou o patamar de exigência, e o time de Walid Regragui manteve a consistência, sofrendo apenas dois gols nas Eliminatórias. Com Hakimi, Brahim Díaz e Abde Ezzalzouli, o Marrocos alia disciplina e intensidade. O desafio é lidar com o peso das expectativas — mas ainda é a aposta mais segura da África para figurar novamente entre os oito melhores do mundo.

Foto: AFP

Tunísia: eficiência e organização

A Tunísia é sinônimo de regularidade. Sob Sami Trabelsi, e com destaques como Hannibal Mejbri e Ben Romdhane, a equipe impressiona pela defesa intransponível — nove vitórias e um empate, sem gols sofridos. Embora falte brilho ofensivo, a consistência torna os tunisianos adversários perigosos em jogos equilibrados.

Foto: AFP

Costa do Marfim: potência renovada

Campeã da CAN 2024, a Costa do Marfim surge como uma das forças mais promissoras na Copa do Mundo de 2026. A nova geração combina força e técnica, liderada por Kessié, Adingra, Haller e Oumar Diomandé. Sob Emerse Faé, o time apresenta identidade e poder ofensivo. Se reforçar a defesa, os Elefantes podem surpreender e chegar às quartas.

Foto: Getty Images

Egito: Salah e a busca pela redenção

Após ficar fora da Copa de 2022, o Egito retorna em busca de redenção. Salah ainda é o farol da equipe, agora cercado por talentos que buscam reduzir a dependência do craque do Liverpool. Hossam Hassan aposta em transições rápidas e compactação. Com o atacante dos Reds inspirado, os Faraós têm tudo para chegar às oitavas.

Foto: AFP

Argélia: entre a experiência e o renascimento

Depois da ausência em 2022, a Argélia reconstruiu seu projeto sob Djamel Belmadi. Com Mahrez e Amoura, o time mescla experiência e juventude, mostrando boa troca de passes e coesão. Falta provar consistência diante de seleções mais intensas, mas há potencial para avançar às oitavas.

Foto: Getty Images

Gana: talento em busca de maturidade

A Gana combina técnica e energia com Kudus, Inaki Williams e Partey, mas ainda busca estabilidade. O talento é inegável, porém a irregularidade tática é um obstáculo. Se alcançar equilíbrio, os “Black Stars” podem repetir o brilho da Copa de 2010.

Foto: Getty Images

Senegal: poder físico e disciplina

Já Senegal mantém sua fama de potência. Após chegar nas oitavas de final da Copa de 2022, a seleção alia força, organização e experiência. Mané, Nicolas Jackson e Ismaila Sarr lideram um elenco maduro e competitivo. A eficiência nas finalizações é o ponto a melhorar — mas os Leões de Teranga têm potencial para avançar às quartas.

Foto: AFP

África do Sul: de volta à elite

Após 16 anos fora de uma Copa do Mundo, a África do Sul retorna revitalizada. Sob Hugo Broos, a equipe aposta em coletividade e disciplina, com destaques para Percy Tau e Teboho Mokoena. Limitações técnicas existem, mas o espírito competitivo é o diferencial. Passar às oitavas já seria um feito histórico.

Foto: AFP

Cabo Verde: a ousadia do estreante

Estreante no Mundial, Cabo Verde é a história inspiradora da África. Com Bubista no comando e uma geração da diáspora, os “Tubarões Azuis” jogam com coragem e organização. Ryan Mendes, Garri Djanni e Dylan Tavares trazem solidez a um elenco que promete surpreender e deixar sua marca.

Foto: AFP

O equilíbrio africano

Pela primeira vez, a África chega à Copa com um conjunto tão diversificado de forças reais. Marrocos e Senegal despontam como os principais candidatos; Costa do Marfim e Gana aparecem logo atrás; Egito e Argélia sustentam o peso da tradição; Tunísia e África do Sul apostam na estrutura; e Cabo Verde leva o entusiasmo do novato.

Se 2022 foi o marco da superação, 2026 pode representar a consolidação do futebol africano. A missão agora é transformar potencial em conquista — e provar que o continente está pronto para competir de igual para igual com as maiores potências do planeta.

(Foto: AFP)