Raphinha
Futebol La Liga

Sem Raphinha, o Barcelona perde o brilho e a intensidade

O Barcelona vive um dos momentos mais delicados da temporada. O time de Hansi Flick, que encantou em boa parte do último ano, parece ter perdido a força e a confiança. Depois de um início animador, os catalães caíram de rendimento e já não lembram o time competitivo que brigava por tudo. Na LaLiga, perderam a liderança; na Champions, o cenário é ainda mais preocupante — estão longe dos primeiros colocados e atualmente figuram apenas em 11º lugar no grupo, algo impensável há poucos meses.

Há várias explicações para esse declínio. Uma delas é a fragilidade defensiva, cada vez mais evidente. Nos últimos jogos, o Barça sofreu gols em excesso, e o confronto contra o Brugge, em que a equipe levou três, foi o exemplo mais claro disso. A linha de defesa, antes compacta e precisa no impedimento, agora parece desorganizada e vulnerável.

Mas há outro ponto, talvez o mais decisivo, que passa despercebido para muitos: a ausência de Raphinha.

O impacto de Raphinha no esquema de Flick

Muito se fala sobre o talento de Lamine Yamal e Pedri, mas os números mostram que o brasileiro é o verdadeiro termômetro do time. Quando está em campo, o Barcelona se transforma. Nos sete jogos em que Flick pôde contar com Raphinha nesta temporada, o time venceu seis e empatou um, marcando 21 gols e sofrendo apenas cinco.

Sem ele, o cenário muda completamente: oito partidas, quatro vitórias, um empate e três derrotas. Foram 19 gols a favor, mas 15 sofridos — uma diferença que escancara o peso do camisa 11. Um detalhe curioso reforça ainda mais essa importância: cinco dos sete jogos com Raphinha foram fora de casa, enquanto cinco dos oito sem ele aconteceram no Camp Nou. Ou seja, mesmo longe da torcida, o Barcelona é mais perigoso e equilibrado com o brasileiro no time.

Antes de se machucar no duelo contra o Oviedo, Raphinha vivia excelente fase: já tinha marcado três gols e dado duas assistências. Sua capacidade de desequilibrar, tanto criando quanto finalizando, faz dele uma das principais armas ofensivas do elenco. E mais: sua presença atrai a marcação adversária, liberando espaços preciosos para Lamine Yamal, que sofre menos pressão quando o brasileiro está em campo.

Mais que um ponta: o motor da equipe

Raphinha oferece muito mais do que estatísticas. Seu trabalho tático e entrega sem bola fazem diferença em todos os setores. Ele é o primeiro a pressionar a saída de bola do rival, incomodando zagueiros e laterais adversários e ajudando o time a recuperar a posse no campo ofensivo. Nenhum dos outros atacantes — nem Lewandowski, nem Yamal, nem Rashford — tem a mesma dedicação defensiva.

Além disso, o brasileiro contagia o grupo. Sua energia, garra e mentalidade vencedora inspiram os companheiros e dão ao Barcelona uma intensidade que claramente falta quando ele não está. É aquele tipo de jogador que puxa o ritmo do time, que não aceita corpo mole e exige o máximo de quem está ao seu lado. Sem ele, o Barça perde não só criatividade, mas também atitude.

Hansi Flick sabe bem disso. O treinador já afirmou internamente que a volta de Raphinha é essencial para recuperar a identidade do time — um Barcelona que joga com velocidade, coragem e intensidade.

A expectativa pelo retorno

O departamento médico trabalha com cuidado na recuperação do atacante. A ideia é que Raphinha volte logo após a pausa da Data Fifa, mas Flick não quer correr riscos. Na última tentativa de retorno, pouco antes do clássico contra o Real Madrid, o jogador voltou a sentir desconforto e precisou parar novamente.

Nesta sexta-feira, ele não participou do treino aberto no Spotify Camp Nou, o que indica que o retorno ainda exigirá paciência. Mesmo assim, o técnico alemão acredita que o brasileiro será peça-chave na retomada do time na reta final de 2025.

O Barcelona precisa de Raphinha — e não é força de expressão. Sem ele, o ataque perde profundidade, a pressão na frente diminui e a defesa fica mais exposta. Com ele, o time ganha equilíbrio, intensidade e, principalmente, confiança.

A torcida sabe: quando Raphinha está em campo, o Barça joga diferente. Mais leve, mais rápido e mais competitivo. Por isso, seu retorno é aguardado como a principal “contratação” do clube neste momento conturbado.