Corinthians, Emerson Sheik, Boca Juniors, Libertadores 2012
Futebol Libertadores

Lendas da Libertadores: Sheik, Paulinho e Cássio eternizaram momentos e colocaram o Corinthians no topo da América pela 1ª vez

Era 4 de julho de 2012, quando a América do Sul conheceu o mais novo detentor da Glória Eterna chamada Libertadores. Emerson Sheik se consagraria com dois gols importantíssimos para derrotar o Boca Juniors no estádio do Pacaembu e dar ao Corinthians uma conquista esperada há tanto tempo, libertando milhões de alvinegros de uma obsessão tão perseguida e muitas vezes adiada, em meio a eliminações que até hoje se sentem com muita dor.

Mas naquela quarta-feira há quase 13 anos, a equipe de Tite, o mesmo técnico que em 2011 foi ameaçado de demissão após uma vexatória eliminação na Pré-Libertadores para o Tolima-COL, não se intimidou diante dos fantasmas que perseguiam o Timão durante anos, e deu um show que fechou com chave de ouro a campanha do título inédito, conquistado de forma invicta, e que até hoje faz personagens como Paulinho, Cássio e Danilo, serem relembrados com muito carinho pela massa corintiana.

O passado do Corinthians na Libertadores até o título

Participando pela primeira vez da Libertadores em 1977, o Corinthians nunca havia ido tão longe quanto foi na edição de 2000, quando terminou eliminado pelo rival e então campeão Palmeiras nas semifinais e era um alvo fácil de piadas de seus adversários. Eliminações em 1991, 1996, 1999, 2003 e 2006 apesar de impactantes, não foram tão incômodas quanto foi a da fase preliminar de 2011, na qual o Timão cedeu às pressões do modesto Deportes Tolima, e caiu de maneira inédita, deixando Tite na corda bamba, e aposentando Ronaldo Fenômeno.

Depois do vexame em 2011, o Corinthians deu a volta por cima no ano ao conquistar a vaga na Libertadores seguinte de forma direta, com o título do Campeonato Brasileiro. Numa campanha de 21 vitórias, 8 empates e 9 derrotas, o Alvinegro iniciou sua caminhada ao ápice continental e internacional, que coroou Tite como um dos maiores técnicos da história do clube, e imortalizou vários jogadores como Alessandro e Chicão.

Corinthians, Libertadores, Sheik
Jogadores saúdam a torcida corintiana durante um dos jogos da Libertadores de 2012 — Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com

A campanha do Timão na Libertadores de 2012

Líder do Grupo 6 com 4 vitórias e 2 empates, o Corinthians somou 14 pontos ao empatar em 1 a 1 com o Deportivo Táchira-VEN na estreia, e com o Cruz Azul-MÉX em 0 a 0. As vitórias vieram contra os venezuelanos e os mexicanos no Brasil por 6 a 0 e 1 a 0, respectivamente, além do Nacional-PAR dentro e fora de casa, com placares de 2 a 0 e 3 a 1.

Como segunda melhor equipe da fase de grupos, o Timão chegou ao mata-mata motivado a fazer diferente de todas as participações anteriores, e superou grandes batalhas para encontrar o Boca Juniors na grande final. Nas oitavas, um empate em 0 a 0 com o Emelec no Equador e uma vitória por 3 a 0 em São Paulo levaram o Corinthians para as quartas de final, na qual o time reencontrou o vice-campeão brasileiro Vasco, e conquistou a classificação num duelo dramático no Pacaembu, com uma vitória de 1 a 0 após um empate sem gols no Rio.

O jogo contra os vascaínos ficou marcado pelo lance em que Diego Souza surgiu cara a cara com o goleiro Cássio ao recuperar a bola numa falha de Alessandro, e o arqueiro corintiano se contorceu todo para afastar o perigo para escanteio. A partir dali, Paulinho marcou o sorrateiro e decisivo gol que levou o Timão para as semifinais contra o rival e então campeão Santos, liderado por Neymar, mas que não foi páreo na Vila Belmiro, onde perdeu por 1 a 0, e empatou no Pacaembu, num 1 a 1 que consolidou o Corinthians na decisão contra o Boca.

Danilo, Corinthians x Santos, Libertadores
Jogadores do Corinthians comemoram gol de Danilo contra o Santos — Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com

A decisão contra o poderoso Boca Juniors e a consagração de Sheik

Na inédita final contra um velho e temido conhecido, o Boca Juniors, o Corinthians chegava detendo a melhor campanha da Libertadores, mas enfrentava um dos times com mais títulos da história do torneio, e que vinha determinado a acabar com o sonho alvinegro. O primeiro jogo em La Bombonera começou com os argentinos na frente do marcador, entretanto, oito minutos após Roncaglia marcar 1 a 0 para os donos da casa na reta final do segundo tempo, Sheik encontra Romarinho livre para empatar e levar o Timão em igualdade para a decisão no Pacaembu, que terminaria com um final feliz após anos de espera da fiel torcida.

Emerson Sheik, Corinthians x Boca Juniors
Sheik marcando um dos dois gols na vitória do Corinthians sobre o Boca Juniors na Libertadores de 2012 — Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com

Após contribuir com uma assistência primorosa para Romarinho decretar o empate no duelo de ida da final, a volta no Brasil renderia para Emerson Sheik um novo capítulo na história do Corinthians, marcando no segundo tempo os dois gols da vitória contra o Boca. Explorando falhas na defesa dos argentinos nos dois lances, o camisa 11 primeiro aproveitou um toque de calcanhar de Danilo para marcar 1 a 0 aos 8 minutos, e em seguida, aos 27’ roubando a bola de Schiavi para fechar a conta e levar quase 40 mil torcedores ao delírio no Pacaembu, que viveu uma noite inesquecível de libertação para milhões de corintianos mundo afora.

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians