Simeone Atlético de Madrid
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Simeone no Atlético: fim de ciclo ou só mais um capítulo de uma das maiores histórias do futebol europeu?

Falar de Diego Simeone no Atlético de Madrid é quase como falar de uma relação longa: cheia de paixão, conquistas, brigas… e aquela dúvida inevitável sobre o futuro, porque querendo ou não, existe uma linda história de amor ali. Depois de mais de 14 anos no comando, a pergunta começa a ganhar força nos bastidores e nas arquibancadas: ainda faz sentido continuar?

De coadjuvante a protagonista da Europa

Antes da chegada de Simeone, em 2011, o Atlético era um time meio “perdido no rolê”. Oscilava muito, sofria para competir com Real Madrid e Barcelona, e vivia mais de lampejos do que de consistência.

Aí chegou o “Cholo”. E simplesmente mudou tudo.

Logo na primeira temporada, já veio título da UEFA Europa League. Depois, Supercopa da UEFA e Copa do Rei. Mas o auge mesmo veio em 2013-14, quando o Atlético simplesmente quebrou o domínio de Real e Barça e conquistou La Liga após 18 anos.

E não foi um caso isolado. Em 2021, repetiu a dose.

No meio disso tudo? Duas finais de UEFA Champions League (com derrotas dolorosas para o Real Madrid), classificações constantes para o torneio e uma identidade clara: intensidade, defesa sólida e competitividade absurda.

Simeone não só ganhou títulos. Ele mudou a mentalidade do clube, dá pra dizer que da sua maneira, conseguiu implementar algo semelhante a “Heat Culture” do basquete, mas no caso

Números que explicam o tamanho de Simeone

Se a memória já impressiona, os números deixam tudo ainda mais claro:

786 jogos no comando

465 vitórias

9 títulos conquistados

Mais de 14 temporadas consecutivas

É simplesmente um dos técnicos mais longevos do futebol mundial. Em uma era onde treinador cai após três derrotas seguidas, Simeone virou praticamente uma instituição dentro do Atlético.

Para muitos torcedores, ele é o Atlético.

Mas… e agora?

É aí que entra o dilema.

O contrato vai até 2027, mas o contexto mudou. O time está em quarto na La Liga, 16 pontos atrás do líder Barcelona, e sem levantar grandes taças recentemente. Além disso, eliminações precoces na Europa nos últimos anos começaram a gerar aquele desconforto.

E, no futebol, você sabe como é: gratidão tem prazo curto.

Outro fator importante é a chegada de novos donos, liderados pela Apollo Sports Capital. Novo comando quase sempre significa novas ideias, novas exigências… e, muitas vezes, novos técnicos.

A pressão aumentou.

Simeone ficou previsível?

Essa é uma crítica que vem ganhando força. O estilo de jogo do Atlético, que já foi revolucionário pela sua solidez defensiva e transições rápidas, hoje é visto por alguns como “decifrado”. Muitos adversários parecem mais preparados para enfrentar o modelo do Cholo.

E aí entra aquele ponto delicado: continuar insistindo no que deu certo ou se reinventar?

Porque o futebol muda e rápido.

Se antes Simeone era unanimidade, hoje o cenário é mais complexo. Tem quem defenda que ele deve ficar o tempo que quiser. Afinal, é ídolo, mudou a história do clube e merece decidir seu próprio destino.

Mas também tem quem veja sinais de desgaste. Uma relação que ainda tem carinho, mas talvez já não funcione como antes. Aquela vibe meio “a gente se ama, mas talvez seja melhor dar um tempo”.

E, sendo justo, os dois lados têm argumentos. Apesar da ligação fortíssima com o Atlético, Simeone nunca escondeu que pensa no futuro. E um nome aparece com frequência: Inter Milan. Ex-clube como jogador, ligação emocional forte… parece aquele destino que faz sentido em algum momento da carreira.

Mas quando? Essa é a grande questão.

Antes de decidir, ainda tem muita coisa em jogo

Se alguém acha que esse debate vai ser resolvido agora, pode esquecer. Porque o calendário não está nem aí para dilemas existenciais.

O Atlético tem um abril simplesmente decisivo:

Confrontos diretos com o Barcelona na La Liga

Quartas de final da Champions contra o mesmo Barcelona

Final da Copa do Rei contra a Real Sociedad

Ou seja: temporada totalmente aberta. E convenhamos… ganhar título costuma resolver muita crise.

Fim de ciclo ou reinvenção?

A verdade é que Simeone já provou tudo o que precisava no Atlético. Ele não precisa de mais nada para ser considerado uma lenda.

Mas o futebol não vive só de passado.

A pergunta agora é: ele ainda consegue levar o clube para o próximo nível? Ou esse ciclo já entregou tudo o que tinha?

Enquanto isso, o próprio Simeone segue fazendo o que sempre fez: competindo, brigando, vivendo o clube intensamente.

E talvez essa seja a maior resposta de todas.

Porque, no fim das contas, enquanto houver jogo… ainda há história sendo escrita.

Foto: Getty Images