O Atlético de Madrid protagonizou no último fim de semana um dos capítulos mais marcantes da sua história recente. No Metropolitano lotado, com quase 70 mil torcedores, a equipe de Diego Simeone atropelou o Real Madrid de Xabi Alonso por 5 a 2, resultado que não acontecia desde 1950, há longos 75 anos. Foram gerações inteiras sem ver um placar tão elástico do lado colchonero em um clássico de LaLiga. O triunfo, além de histórico, recoloca o Atlético na briga pelo título e dá um novo fôlego ao projeto de Simeone, que vinha sendo questionado pelo início irregular no campeonato.
O contexto não era simples. Antes da partida, o Atlético somava apenas seis pontos nos primeiros 15 disputados, com mais boas atuações do que resultados práticos. A distância para o Real podia chegar a 12 pontos em caso de derrota. No entanto, a equipe reagiu na hora certa: primeiro, no meio da semana, com a virada sobre o Rayo Vallecano nos minutos finais; depois, destruindo o líder do campeonato com uma atuação coletiva que fez o Metropolitano pulsar como nos grandes momentos do “Cholismo”.
O banho tático de Simeone em Xabi Alonso
Se alguém saiu reforçado do 5 a 2 foi Diego Simeone. Sempre questionado quando os resultados não aparecem, o argentino provou mais uma vez que sabe reinventar o time. Seu plano para o dérbi começou antes mesmo de a bola rolar: menos tempo de descanso, sim, mas preparação mental clara. Simeone teria dito ao elenco para “jogar e desfrutar”, tirando o peso do contexto. O resultado foi uma equipe solta, agressiva e inteligente.
Taticamente, o Atlético mirou exatamente nas brechas do Real Madrid. O plano era explorar as costas dos laterais Dani Carvajal e Fran García (ou Carreras, como a imprensa espanhola o citou). A velocidade de Nico e Giuliano foi um tormento constante, criando espaços e chances desde os primeiros minutos. Em apenas seis partidas do campeonato, o Real havia sofrido três gols. O Atlético, em 90 minutos, fez quase o dobro.
Sorloth como surpresa e aposta certeira
Outro ponto decisivo foi a escolha de Simeone no ataque. A expectativa era pela titularidade de Griezmann ou Baena, talvez Raspadori. Mas o treinador surpreendeu ao escalar Alexander Sorloth como referência ofensiva. O norueguês, pouco badalado, tinha uma função muito clara: segurar os zagueiros rivais, disputar as bolas aéreas e gerar segunda jogada para os companheiros infiltrarem.
O plano funcionou. Mesmo perdendo algumas chances claras, Sorloth marcou um golaço após cruzamento preciso de Koke e manteve os zagueiros do Real Madrid ocupados. Sua presença liberou espaço para Nico, Giuliano e até para os meias chegarem de trás. Foi um movimento típico de Simeone: menos glamour, mais funcionalidade.
Semana perfeita e candidatura ao título
O 5 a 2 contra o Real Madrid não é apenas um resultado isolado. Ele simboliza uma semana perfeita para o Atlético, que venceu três vezes em sequência e transformou um cenário de crise em um momento de euforia. A diferença para o líder caiu para seis pontos, e a confiança voltou ao vestiário. O clube mostra que pode, sim, disputar o título com Real Madrid e Barcelona, sobretudo se mantiver a consistência mostrada nos últimos jogos.
Simeone deixou o Metropolitano ovacionado e resumiu o sentimento da torcida ao dizer: “O que mais me agradou no dérbi foi tudo”. A frase não é exagero: desde a preparação tática até a gestão dos substitutos, passando pelo discurso motivador, o treinador venceu Xabi Alonso dentro e fora do campo.
Para Xabi, fica a lição de que LaLiga é um campeonato de armadilhas para técnicos estreantes. O Real Madrid, que parecia sólido, sofreu seu maior revés defensivo em décadas. Para Simeone, fica a confirmação de que ainda pode reinventar seu Atlético e incomodar os gigantes. Se o dérbi foi um aviso, o campeonato espanhol ganhou um concorrente real ao título.
O Metropolitano viveu uma tarde que ficará na memória dos colchoneros e será contada por muito tempo. Um “manotazo” histórico que reforça o mito de Simeone como estrategista e devolve ao Atlético de Madrid a imagem de um time capaz de tudo – até de marcar cinco vezes no rival mais poderoso depois de 75 anos.