Sinner Itália
Tenis

Sucesso da Itália no tênis masculino tem receita?

A Itália está de parabéns. Quem vê o tênis italiano nos tempos atuais, não conseguiria imaginar uma realidade próxima ou similar a vivida pelo país no momento, principalmente depois de se deparar com o cenário na altura dos anos 2000 a 2010. Ao dar a volta por cima, e apresentar 11 atletas entre os melhores 100 profissionais do mundo, é possível imaginar que alguns locais pensem em se espelhar nos europeus.

Com Jannik Sinner na ponta do ranking, vindo de um título de Grand Slam no Australian Open, e apresentando um dos tênis mais bonitos do momento, é interessante observar que não é apenas ele nesta corrida. Lorenzo Musetti se apresenta na 17ª colocação, enquanto Mauro Berrettini está na 33ª, com Flavio Cobolli fica na retaguarda, uma posição abaixo.

Na primeira atualização da ATP, não dá para negar que esses italianos possuem muita perspectiva para crescer cada vez mais. É notável o trabalho da Itália à longo prazo, contando com a presença de, Michelangelo Dell’Edera e entre outros nomes importantes para o investimento ocorrer, a evolução de um esporte num país, se deriva de diversas situação para ser efetivo.

O talento dos tenistas não pode ser deixado de lado, por isso Lorenzo Sonego, Matteo Arnaldi, Darderi, Nardi, Fognini, Passaro e Bellucci não ficam muito atrás em questão de qualidade sobre os principais do momento. Alguns desses, se tratam de atletas que estão começando a ganhar seu espaço no palco com mais holofotes do tênis.

Itália ranking
Foto: Divulgação/ATP

 

Um ponto interessante a ser citado, é uma colocação de um dos treinadores da equipe de alto desempenho da Itália, “todos usam as mesmas roupas e sentimos que fazemos parte da mesma equipe”. O desejo por melhorar e crescer se tornou do grupo, todas se encontram na mesma intenção, com os dois olhos, mais a mente focada em fazer com que o país seja forte no esporte que eles tanto amam.

Cada uma das estrelas italianos do tênis atual, nasceu num local diferente da Itália, assim como os frutos apresentam diferenças entre si, o estilo de Sinner não é semelhante ao de Musetti. O de Jannik e Lorenzo não igual ao de Berrettini, mas todos encontraram um caminho para vencerem, conquistando o sucesso com seus próprios passos.

Sinner é do Tirol do Sul, na fronteira com a Áustria; Musetti é de Carrara; Berrettini de Roma e Sonego de Turim. Enquanto Musetti e Sonego competem com a expressividade carismática, que normalmente associamos aos músicos italianos, o Berrettini não é tão leve e fluído, porém, conta com um comportamento “gentil de gigante”, enquanto, Sinner joga com uma calma gelada, parecendo que veio do Polo Sul.

O trabalho dos interessados da Itália, encabeçados por Michelangelo Dell’Edera, foram buscar cada uma dessas peças, para acompanhar de perto o crescimento e atuar de todas as formas, para aperfeiçoar os diamantes brutos que eram.

O destaque de Sonego é o seu forehand de rifle, que tem uma identidade do profissional, como seu principal trunfo dentro de quadra. A situação já difere para Musetti, por conta de seu backhand mais versátil, com apenas uma mão, trazendo uma elegância maior para o combate. Berrettini já coloca em quadra um tênis mais bruto na linha de base, seus golpes potentes, estando disposto a amassar seu adversário com o tempo.

Ao lado desses três nomes, já aparece Sinner, que pode ser considerado um assassino mais experiente, ao mesmo tempo que ele parece leve em suas jogadas, tem seus momentos mais agressivos também. sem esquecer da consistência.

Dell’Edera, O’Shannessy e Itália

Itália Dell'Edera
Foto: Sposito

 

Craig O’Shannessy sempre se portou interessado em estudar bastante sobre o tênis, na intenção de conhecer e desbravar os lados táticos do negócio. E para entender um pouco mais, sobre o crescimento da Itália no quesito mundial, o profissional teve que colocar com Michelangelo para tirar uma casquinha da parada, e simplesmente, matar sua curiosidade sobre o assunto.

Ao começar a trabalhar com Dell’Edera, o italiano deixou claro para o analista, que estava completamente focado em encontrar um novo caminho para a Itália no tênis. O estudo aconteceria pelo mundo todo, em que estudos seriam feitos para entender cada vez mais a mente do humano, seus limites, aspectos do esporte, do condicionamento físico ao treinamento, da tática à psicologia.

O’Shannessy não teve essa oportunidade atoa, ele simplesmente foi importantíssimo para Novak Djokovic entre os anos de 2017 a 2020. O trabalho do profissional é de usar análises para desenvolver planos estratégicos de jogo contra oponentes específicos. Se os italianos possuíam tantas peças capazes de atuar de formas diferentes, era provável que com um estudo do analista, seria possível dar uma afunilada nas questões em prol do aprimoramento de seus atletas.

Craig seria uma pequena parte de trabalho completo, que na cabeça de Dell’Edera só poderia dar errado, se ele mesmo, não fizesse por onde. Diante disso, se apresentou mais interessado do que todos, para elaborar e preparar acampamentos de alto nível, com os principais treinadores do mundo, sem a presença de orgulho ou egoísmo, todos voltados para uma única causa, o crescimento da Itália no tênis.

O’Shannessy já havia trabalhado com a equipe de Berrettini em 2017, enquanto o momento do veterano não era dos melhores. Na busca por um novo planejamento, o analista conseguiu colocar na mesa seus planos para o sacador, mas ao mesmo tempo, percebeu um ponto importante, o quanto o grupo de treinadores era unido. Ali, já era possível notar que quando o assunto é melhorar, estão sempre de braços abertos.

Itália na Copa Davis

Itália Copa Davis
Foto: Clive Brunskill/Getty Images for ITF

 

O resultado do projeto da Itália já dava às caras em algumas oportunidades, mas o bicampeonato consecutivo da Copa Davis foi a cereja do bolo. Junto com Sinner na primeira colocação do ranking ATP, sendo pela primeira vez em sua carreira, o melhor tenista do mundo. Ao lado desse grande feito, o italiano conseguiu ser vital na conquista do seu país sobre a Holanda no ano passado.

Para sair campeão pela terceira vez da competição, a Itália teve de enfrentar a Argentina, onde saiu vencedora por 2 a 1 nas quartas de final. Depois teve a Austrália nas semis, 2 a 0 para os europeus, até chegarem na decisão contra a Holanda. Berrettini foi responsável pela abertura do placar, ao derrubar Botic Van de Zandschulp por 2 sets a zero, com parciais de 6/4 e 6/2.

O trabalho de fechar o caixão ficou nas mãos de Sinner, os italianos precisariam de um terceiro jogo, caso o número 1 do mundo não conseguisse bater de frente com Tallon Griekspoor. Sem problemas ou dificuldades, o jovem talento que estava com 73 vitórias e apenas seis derrotas na temporada, não se apequenou, e embrulhou seu adversário para presente. Com 2 sets a 0 em 91 minutos, ele definiu o título da Itália na Copa Davis de 2024.