A missão do presidente do Athletic Club, Jon Uriarte não é simples: planejar o futuro de um clube fortemente identificado com Ernesto Valverde, o treinador mais longevo e um dos mais marcantes da história dos zurigorriak.

A relação entre presidente e técnico é sólida, e internamente sempre houve a convicção de que o “Txingurri” cumpriria seu ciclo nesta terceira passagem por San Mamés. Ainda assim, Uriarte optou por se antecipar. A ideia era clara: encontrar um nome com características próximas.
“Quero algo como o Valverde.” — indagou
E o escolhido é…Edin Terzić!

Nomes como Andoni Iraola chegaram a agradar, mas, segundo o jornal AS, o clube decidiu avançar por Edin Terzić.
Aos 43 anos, o treinador alemão carrega uma trajetória construída quase integralmente no Borussia Dortmund — clube pelo qual também é torcedor.
Filho de imigrantes da antiga Iugoslávia (pai bósnio e mãe croata), Terzić cresceu na Alemanha e seguiu um caminho acadêmico antes de assumir funções técnicas: formou-se em Ciências do Esporte e teve carreira modesta como jogador.
Sua formação como treinador passa por influências importantes, como Jürgen Klopp, além de experiências como assistente de Slaven Bilić no Beşiktaş e no West Ham United.
Entre o aprendizado e a consolidação no Dortmund
Terzić ganhou projeção ao assumir interinamente o Dortmund em 2020. O impacto foi imediato: terceiro lugar na Bundesliga e título da Copa da Alemanha.
Após um período como diretor técnico, retornou ao comando em 2022.
Quase levou o clube ao título alemão em 2022/2023 — perdido na última rodada para o Bayern de Munique — e, na temporada seguinte, alcançou a final da UEFA Champions League, sendo superado pelo Real Madrid. Deixou o cargo em 2024, sob aplausos da torcida.
Perfil de intensidade e gestão de grupo
Terzić não é uma cópia de Valverde, mas compartilha alguns princípios. Seu jogo é marcado por intensidade alta, pressão constante e transições rápidas
Há uma influência clara do modelo de Klopp: recuperar a bola e atacar antes que o adversário se reorganize.
No setor ofensivo, costuma dar liberdade criativa e valoriza movimentações por dentro e chegadas de segunda linha. Não por acaso, jogadores como Jadon Sancho, Karim Adeyemi e Jude Bellingham ganharam protagonismo sob seu comando — além do impacto direto no desenvolvimento de Erling Haaland.
Outro ponto forte está fora das quatro linhas: a gestão de grupo. Terzić é visto como um treinador capaz de lidar com egos, criar conexão interna e fortalecer a identidade coletiva — algo essencial em um clube como o Athletic.
Ideias táticas
Flexível, Terzić não se prende a um único sistema. O 4-2-3-1 é sua base, mas ele alterna sempre para o 4-3-3 ou 4-4-2. Só que mais importante do que o desenho é a ocupação de espaços: pontas abertos, meia central com liberdade e meio-campo com funções bem distribuídas. Na construção, varia entre saída curta e jogo direto, dependendo do contexto.
Por outro lado, há pontos de atenção: dificuldade contra blocos baixos, previsibilidade sob pressão alta e controle de jogo nem sempre consistente
O encaixe no Athletic
Caso a chegada se confirme, Terzić não representará uma ruptura radical. Não é um perfil “revolucionário” como Pep Guardiola, nem um pragmático como Carlo Ancelotti.
Seu perfil se aproxima mais de líderes emocionais — como Klopp —, onde identidade, intensidade e conexão com o grupo são pilares. E isso dialoga diretamente com o que o Athletic exige.
Mais do que um treinador, o clube busca alguém capaz de entender o contexto, respeitar a cultura e manter vivo o senso de pertencimento.
Nesse cenário, Terzić aparece menos como substituto e mais como continuidade com novas ideias.
Créditos da foto de capa: Divulgação/Getty Images
