A Supercopa do Brasil, torneio de jogo único que reúne os atuais campeões do Brasileirão e da Copa do Brasil, terá a sua nona edição disputada neste domingo (1º). Flamengo e Corinthians se enfrentarão no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, a partir das 16 horas. A escolha do palco é um acerto do ponto de vista logístico e simbólico, mas os valores praticados pela CBF para os ingressos novamente afastam os torcedores que deveriam ter acesso à decisão e ser protagonistas do espetáculo.
Desde a sua retomada, a Supercopa do Brasil busca se consolidar como um evento relevante no calendário nacional, funcionando como uma espécie de abertura oficial da temporada. O confronto entre campeões carrega apelo esportivo, midiático e comercial. No entanto, para além da narrativa institucional, o torneio precisa dialogar com a realidade econômica do torcedor brasileiro — algo que, mais uma vez, não acontece.
Supercopa do Brasil e a escolha por Brasília
A Supercopa do Brasil voltou a ser disputada em 2020, após um longo hiato. Das seis edições realizadas desde então, três aconteceram no Estádio Mané Garrincha, em Brasília: Flamengo 3 x 0 Athletico-PR, em 2020; Flamengo 2 (6) x (5) 2 Palmeiras, em 2021; e Palmeiras 4 x 3 Flamengo, em 2023. Todas essas partidas reuniram clubes de massa, com torcidas numerosas e de forte representatividade na região do Distrito Federal.
Esse histórico ajuda a explicar por que, em 2026, o retorno da Supercopa do Brasil ao Mané Garrincha soa como uma decisão acertada. Brasília é uma cidade sem clubes protagonistas no cenário nacional, mas abriga milhões de torcedores de equipes tradicionais do eixo Rio-São Paulo. Flamengo e Corinthians, especificamente, possuem torcidas extremamente presentes na capital federal e no entorno, o que garante interesse e potencial de público para a decisão.
O problema surge quando a política de preços ignora esse contexto. Para o torcedor que realmente depende da realização do jogo no Distrito Federal para acompanhar seu time de perto, os valores cobrados são simplesmente inviáveis. A promessa de democratização do acesso ao futebol esbarra, mais uma vez, na lógica arrecadatória.
A CBF estipulou preços que variam entre R$ 189 e R$ 798. Trata-se de um patamar muito distante da realidade do futebol brasileiro praticado ao longo da temporada. Em 2025, por exemplo, o ticket médio para assistir a um jogo do Flamengo no Maracanã girou em torno de R$ 74. Na Neo Química Arena, casa do Corinthians, o valor médio foi próximo de R$ 72. A discrepância evidencia que a Supercopa do Brasil é tratada como um evento de exceção, com preços que não dialogam com o cotidiano do torcedor.
Essa estratégia acaba por elitizar um torneio que, em tese, deveria ser popular. Ao transformar a Supercopa do Brasil em um produto distante da maioria da população, a entidade máxima do futebol nacional enfraquece o próprio discurso de valorização do espetáculo e de aproximação com o público.
A Supercopa do Brasil é, sem dúvida, um torneio interessante. Disputada no início da temporada, carrega a ideia de aquecer o futebol nacional, gerar expectativa e atrair o público em um período marcado por férias e, muitas vezes, pelo Carnaval. Justamente por esses fatores, os valores dos ingressos deveriam ser acessíveis, permitindo que famílias, jovens e torcedores de diferentes perfis ocupassem as arquibancadas.
Levar a decisão da Supercopa do Brasil para o Distrito Federal é uma iniciativa relevante. A capital reúne cerca de 3 milhões de habitantes e muitos apaixonados por futebol que não têm a possibilidade de acompanhar partidas de alto nível durante o ano. Ainda assim, a proposta central do torneio perde sentido quando os preços se tornam abusivos. Sem o torcedor de massa, a Supercopa do Brasil corre o risco de ser apenas um grande evento no papel, distante de quem realmente sustenta o futebol brasileiro.
Foto: Staff Images / CBF



