Baisangur Susurkaev
Lutas UFC

Baisangur Susurkaev: a nova promessa russa do UFC que pode ser o “Poatan do Cáucaso”

O nome Baisangur Susurkaev ainda é novo para o grande público do UFC, mas dentro do mundo do MMA ele já causa curiosidade e até certo temor. O russo, invicto até aqui, fará sua luta mais importante no UFC 322, quando enfrenta o estadunidense Eric McConico pela divisão dos médios.

Com apenas 24 anos e um cartel de 10 vitórias, sendo 8 por nocaute ou finalização, Susurkaev chega à elite embalado, cheio de confiança — e cercado de comparações com ninguém menos que Alex “Poatan” Pereira, o atual campeão dos meio-pesados e um dos maiores strikers da história recente do esporte.

Mas quem é esse novo talento russo e o que o torna tão especial a ponto de ser comparado com o temido brasileiro? E mais importante: será que ele tem mesmo potencial para seguir os mesmos passos de Poatan?

A nova promessa do Cáucaso

Nascido na Chechênia, Baisangur Susurkaev começou sua carreira profissional no MMA em 2019, competindo em eventos regionais da Rússia antes de chamar atenção por sua postura fria e estilo agressivo. Hoje, representa a academia Kill Cliff FC, a mesma que abriga nomes como Vicente Luque e Michael Chandler, e treina frequentemente com compatriotas como Khamzat Chimaev, de quem herdou parte da mentalidade de “caçar o oponente até o fim”.

O russo mede 1,88 m e luta na divisão dos médios (84 kg), com uma envergadura semelhante à de Poatan. Em sua primeira aparição, deixou claro que tem poder de nocaute incomum, mas também um instinto de grappler refinado, o que o torna um lutador híbrido, algo raro entre atletas do leste europeu, tradicionalmente mais voltados ao wrestling.

Segundo estatísticas recentes, Susurkaev acerta quase 60% de seus golpes significativos, enquanto absorve menos de 3 por minuto, uma média que mostra controle e precisão. Além disso, já provou ter gás para lutas mais longas, embora a maioria de seus combates termine antes do terceiro round.

O estilo de luta: controle, paciência e explosão

A comparação com Poatan nasce, em grande parte, da forma como Susurkaev mantém a compostura durante a luta. Ele raramente se desespera, mesmo quando pressionado. Gosta de andar para frente, medir a distância com chutes médios e usar o jab para preparar cruzados de direita, sua arma mais letal.

Mas o que diferencia Susurkaev de outros strikers é o uso inteligente do clinch e do grappling defensivo. Ele não é um wrestler por natureza, mas usa o domínio de posição para cansar o rival e abrir espaço para golpes duros. Nos últimos dois anos, desenvolveu um estilo de “predador técnico”: não é apenas agressivo, é paciente. Observa, espera e explode no momento certo.

Na sua estreia no UFC, por exemplo, finalizou seu adversário com um mata-leão no segundo round após aplicar uma sequência precisa em pé e forçar a queda. Esse tipo de adaptação mostra maturidade uma qualidade que costuma aparecer só em atletas mais experientes.

Comparações com Alex Pereira: hype ou realidade?

É inevitável que, quando surge um striker de mãos pesadas, o nome de Poatan venha à tona. O brasileiro redefiniu o padrão do nocauteador moderno no MMA, combinando técnica refinada de kickboxing com força bruta e precisão cirúrgica. Susurkaev, por outro lado, ainda está construindo essa reputação.

As semelhanças estão lá: ambos têm porte físico parecido, poder de nocaute com um único golpe e frieza no octógono. Mas existem diferenças fundamentais.

Poatan vem de décadas de experiência no kickboxing profissional, sendo campeão mundial do Glory e dominando o cenário antes de migrar para o MMA. Ele construiu sua técnica em alto nível, enfrentando os melhores do mundo em trocação. Já Susurkaev é produto direto do MMA moderno: um lutador moldado desde o início para a mistura de estilos, sem especialização pura.

Isso significa que, embora o russo ainda não tenha o refinamento técnico do brasileiro, ele pode ser mais versátil. Enquanto Poatan usa seu jogo de solo apenas defensivamente, Susurkaev já provou ser capaz de finalizar e controlar o adversário no chão.

O confronto com Eric McConico no UFC 322 é mais do que uma simples luta. É a chance de Susurkaev mostrar se é um talento real ou apenas hype temporário. McConico é um atleta experiente, mais velho e com maior tempo de octógono, conhecido por ser durável e técnico. Ele pode representar o primeiro adversário verdadeiramente estratégico da carreira de Susurkaev.

Se vencer de forma dominante, principalmente por nocaute, o russo deve chegar perto do top 15 da categoria, abrindo caminho para duelos mais duros contra nomes como Marvin Vettori ou Roman Dolidze. Porém, uma derrota ou uma performance abaixo da expectativa pode esfriar o hype e revelar fragilidades em seu jogo.

Susurkaev é ilusão ou realidade?

O UFC adora narrativas, e a de um “novo Poatan russo” é irresistível. Mas Baisangur Susurkaev ainda precisa comprovar se é mais do que marketing. Ele tem potência, juventude, carisma e uma base sólida, mas carece de experiência em grandes palcos e ajustes técnicos para sobreviver ao topo da categoria.

Aos 24 anos, o tempo está ao seu favor. Com o apoio da Kill Cliff FC e o crescimento técnico que vem demonstrando, pode muito bem se tornar uma figura central entre os médios até 2026.

Por enquanto, é um predador em formação — mais instintivo do que refinado, mas claramente perigoso. E, se continuar vencendo da forma como começou, o apelido de “Poatan do Cáucaso” pode deixar de ser uma simples comparação para virar uma nova era de nocautes devastadores no UFC.

(Foto: Zuffa LLC)