Indian Wells começa a ser disputado já nesta quarta-feira (3), mas há tenistas que ainda nem chegaram aos Estados Unidos. Nas últimas duas semanas, houve disputas nos Emirados Árabes Unidos, em Dubai, e no Catar, em Doha. Dois torneios levados para o Oriente Médio na já conhecida prática de sportswashing.
Nos últimos dias, o conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã aumentou. Isso fez com que os aeroportos dos Emirados Árabes Unidos fossem fechados, mas o país acabou de ter uma competição em Dubai. Entre os principais tenistas que estavam no torneio, Daniil Medvedev e Andrey Rublev estão na cidade e ainda não conseguiram sair.
Só que isso também inclui suas equipes técnicas e até mesmo os profissionais da ATP. Segundo o MARCA, 41 pessoas envolvidas diretamente com o evento ainda estão no local e incapacitadas de deixar a cidade. Tallon Griekspoor, Harri Heliovaara, Henry Patten, Marcelo Arevalo e Mate Pavic também estão no emirado.
Até o momento, não se sabe quando poderão sair, o que também pode impactar as participações dos tenistas em Indian Wells.
Sportswashing no tênis
A prática do sportswashing não começou agora no tênis e tem sido cada vez mais comum nos últimos anos. Considerando apenas o circuito principal da ATP, são dois torneios ATP 500 disputados em fevereiro, mas já há a preparação para a inclusão de um Masters 1000 na Arábia Saudita.
Já na WTA, são disputados um WTA 500 e dois WTA 1000, todos também em fevereiro. Além disso, o WTA Finals ainda acontece em Riad, em novembro. Ou seja, atualmente, são seis torneios disputados no Oriente Médio, local que está sempre suscetível a novos conflitos e até início de guerras.
E isso contando apenas o circuito principal, sem envolver eventos da ITF, Challenger da ATP ou WTA 125. Em nenhum momento, as instituições responsáveis por organizar o esporte pensaram na segurança dos atletas. O lucro, como tudo que tem movido o tênis nos últimos anos, é o gatilho para as decisões.
Mas quem realmente está pagando são os atletas e os fãs do esporte. O público para eventos no Oriente Médio sequer é grande, muito diferente do que acontece em quase todos os lugares. Contudo, o valor pago para a compra das datas no calendário faz, aparentemente, todo o resto valer a pena.

Atletas em local de risco
Nesta terça-feira (3), por exemplo, estão sendo disputados dois Challengers em Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. Houve explosões ocorrendo a 13 km de distância do local do evento, fazendo com que os jogos fossem suspensos e a competição cancelada.
A ATP, tentando retirar os tenistas da cidade, busca soluções logísticas, mas fazendo um pedido: cada pessoa precisará pagar 5 mil euros para isso acontecer. Em e-mail enviado aos atletas no local, foi afirmado que esse era o custo e que, se houvesse interesse, para entrar em contato. Ilya Ivashka postou imagem em seu story no Instagram com o conteúdo da mensagem que recebeu (abaixo).
Ou seja, a entidade que deveria cuidar do bem-estar dos atletas escolhe locais que todos sabem que possuem grande estabilidade política. E, quando algo acontece, ainda cobra um valor de cada um para ficarem em segurança. Sem considerar que os jogadores já foram até a cidade, irão perder a semana de disputa, os pontos e o prêmio em dinheiro.
Mesmo assim, não é um preço suficiente a ser cobrado deles. Não bastasse, é preciso entender que não se tratam de tenistas do topo do ranking da ATP e sim aqueles que sobrevivem fora do top 100. 5 mil euros, por vezes, é o valor a receber em uma boa campanha nesses torneios de nível mais baixo.
Como se o fato de haver competições nesses lugares já não fosse ruim o suficiente, a resposta tem se mostrado ainda mais péssima.
Foto: REUTERS