Após o fim da parceria entre Carlos Alcaraz e Juan Carlos Ferrero, o mundo do tênis muito falou sobre o possível novo técnico do espanhol. Havia diversas indicações e nomes famosos envolvidos, mas a equipe escolheu apenas por colocar Samuel López como o principal treinador. Já na equipe de Alcaraz, o profissional conhece bem o tenista.
Além disso, no tênis, diversos técnicos desconhecidos são capazes de fazer excelentes trabalhos. É um esporte onde é preciso que tenha uma grande conexão entre o treinador e o tenista, como bem explicou Ferrero. Em uma entrevista após a notícia que não continuaria com Alcaraz, Juanqui falou sobre o assunto:
“Não precisa ser assim. O Carlos precisa estar com alguém com quem se sinta à vontade e que inspire confiança, que lhe transmita valores, trabalho árduo… A confiança de que, quando ele olhar para o banco de reservas, eles saibam com um simples olhar o que cada um deles quer dizer. Não é necessário que o treinador seja um jogador famoso ou que tenha disputado muitos torneios importantes.”
O técnico também defendeu a escolha por Samuel: “O Samu tem experiência e já treinou certos tipos de jogadores, o que o fortaleceu consideravelmente. O ano passado foi a melhor preparação que ele poderia ter tido para esta situação. Ele conhece a equipe em primeira mão, e isso facilita as coisas.”
Apesar de Ferrero ser um técnico com um passado brilhante como tenista, sendo campeão de Grand Slam e ex-n.º 1, não é sempre o que acontece. O grande exemplo é o antigo ‘Big 4’, com Andy Murray, Rafael Nadal, Novak Djokovic e Roger Federer sendo levados ao topo por treinadores desconhecidos.
Big 4 com técnicos de tênis desconhecidos
Novak Djokovic, Roger Federer, Rafael Nadal e Andy Murray foram levados ao todo por nomes poucos conhecidos pelo público geral de tênis. Em ordem, Marian Vajda chegou ao top 25, Peter Lundgren ao top 35, Toni Nadal sequer jogou no profissional e Mark Petchey parou no top 80. Nenhum deles, enquanto tenistas, venceram Grand Slams.
Mesmo assim, foram os nomes responsáveis por colocar o Big 4 em evidência no esporte. Ao longo da carreira de cada um, houve mudanças, com os atletas mudando de técnicos, diversos também sendo nomes desconhecidos. Não se trata de uma surpresa na modalidade, com vários jogadores mantendo seu primeiro treinador por anos.
É o responsável por moldar o talento, o que também resulta em conhecer muito bem o atleta em questão. Além do conhecimento tenístico, é necessário também haver uma grande conexão entre tenista e técnico. É isso que acaba levando ao sucesso e não apenas o que foi feito no passado.
É claro, isso não quer dizer que ex-jogadores campeões não possam formar grandes tenistas. Podem e também acontece, como no caso de Ferrero e Alcaraz. Ou Conchita Martínez, campeã de Wimbledon, e Mirra Andreeva. Ainda muito nova, a jovem russa já venceu WTA 1000 e está em busca de seu primeiro Grand Slam.
No entanto, fica claro que a cultura no tênis difere do futebol nesse sentido. Não é necessário apresentar um grande currículo para levar seu atleta ao sucesso. Outras combinações de fatores importam muito mais para que a parceria dê resultados.

Foto: Peter Staples/ATP Tour